Os Movimentos de Contestação às Portagens prevêem realizar na segunda quinzena deste mês, desfiles automóveis de protesto pela insistência do Governo em portajar as Scuts do Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata a partir de 1 de Julho, concluindo com uma iniciativa colectiva no mês seguinte.
Lamentam que o Governo nunca os tenha recebido, apesar de já o terem solicitado desde princípios de Novembro do ano passado, indignando-se ainda contra o anúncio da introdução das portagens três dias após a realização de uma marcha lenta, o que foi interpretado como uma repesália.
Entretanto, autarcas e dirigentes socialistas do distrito do Porto pedem ao Governo que recue na sua intenção de criar portagens, sugerindo-lhe que cancelem as obras do TGV para Lisboa e uma nova ponte sobre o Tejo, se pretende poupar dinheiro.
E um estudo da responsabilidade da Estradas de Portugal, reconhece que a EN13 não é alternativa ao Ic1.
Igualmente a nível local, depois de Câmara e Assembleia Municipal de Caminha terem aprovado moções de rejeição pela intenção de introdução de portagens, também as freguesias surgem em sintonia.
Vilarelho protesta e aponta motivos
A Assembleia de Freguesia de Vilarelho aprovou por unanimidade uma moção apresentada pelo PSD, "reclamando" junto do Governador Civil "contra a introdução de portagens no traçado do IC1/A28 entre Porto/Viana do Castelo/Caminha, enquanto não forem criadas condições de fluidez do tráfego dentro do próprio distrito e enquanto se mantiverem os estrangulamentos que encontramos em todo aquele percurso pois tal medida contribuiria ainda mais para agravar, a já debilitada economia do nosso distrito, com reflexos muito negativos no depauperado tecido empresarial, onde predominam as pequenas e médias empresas".
Esta moção recorda ainda ao Governo que "os índices de desenvolvimento do distrito se situam abaixo da média nacional", sendo exemplo disso o aumento do desemprego em cerca de 23%, nos últimos seis meses.
Salienta igualmente que a única via alternativa ao Ic1/A28 "é hoje uma via urbana, atravessando inúmeras localidades e encontrando-se pejada de rotundas, passadeiras e semáforos", pelo que "não satisfaz as mínimas condições para viajar em tempo útil, qualidade e segurança", dando ainda como exemplos "muitas estradas de acesso ao interior do distrito", além de "dispormos de um serviço de caminho de ferro (Linha do Minho) pouco mais do que terceiro-mundista".
Os social-democratas, nesta moção de rejeição das portagens, sublinham que existiriam muitas mais razões para excepcionar as portagens neste troço, do que as invocadas noutros trajectos que se livraram dos pagamentos.