As comemorações oficiais do 25 de Abril deste ano voltaram a ter como protagonistas as Juntas de Freguesia de Caminha e Vila Praia de Âncora e a Câmara Municipal.
Na sede do concelho, a Junta de Freguesia de Caminha foi a primeira a assinalar a data, hasteando a bandeira nacional na sua sede, distribuindo cravos, oferecendo um Porto de Honra e organizando uma arruada com bombos.
Em Vila Praia de Âncora, meia hora depois, Câmara e Junta concentraram os Bombeiros Ancorenses, a Banda Musical Lanhelense e a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Caminha na Praça da República, onde hastearam a bandeira portuguesa, seguindo-se os discursos da praxe.
"Não deixemos que morram os ideais de Abril"
Manuel Marques, presidente da autarquia local, começou por recordar as "esperanças e promessas" de Abril, para de seguida criticar "prepotência, suborno, incompetência e corrupção" que campeiam na sociedade actual, contribuindo para que os jovens se alheiem da política.
O autarca social-democrata disse ser tempo "de parar para pensar e agir", de modo a inverter os acontecimentos, porque, frisou, "em democracia não se pode governar contra o povo".
"Estamos hoje reféns de outra ditadura"
Júlia Paula seguiu-se no uso da palavra perante "meia centena de pessoas" e convidados oficiais, dirigindo-se logo de início aos presentes, porque, acentuou, "fomos mandatados por vocês", prometendo "falar com mais comoção e com menos palavras", por entender que "aquilo eu seja dito, seja útil".
Referiu-se aos jovens, tão afastados de um acontecimento "já distante no tempo" e que são forçados a abandonar o país "à procura de novos conhecimentos", bem como aos emigrantes que "sentem o Hino Nacional" quando este é entoado no estrangeiro.
Invertendo o discurso, apontou as baterias para "aquilo que todos os dias nos entra pelas nossas casas" e que é aceite "sem discutirmos" e impedindo que "nos conheçamos uns aos outros", numa referência à comunicação social que "denigre".
A despeito destes remoques para com a imprensa (não precisando qual), Júlia Paula admitiu que "é melhor viver em democracia", apelando seguidamente às pessoas que se "envolvam na política", ao entender que "não podemos afastar as pessoa de bem".
Sendo habitual nos seus discursos falar de política local, a autarca centrou-se este ano no conflito latente entre a Refer e a população devido ao fecho da passagem de nível da Trav. do Teatro, assinalando que se no passado algumas decisões tomadas foram boas, outras nem tanto, dando como exemplo este caso, ao que apelou à união de todos os ancorenses para solucionar o diferendo.
Em Caminha, uma hora depois, voltou a discursar junto ao edifício dos Paços do Concelho, dando conta de uma "inovação": - iria falar de improviso.