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VILAR DE MOUROS
"A Tesoura do Alfaiate" serviu para cumprir Aulas de Dança do Ventre no CIRV
Não deixar morrer a tradição de Natal no Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense, levou um grupo de jovens vilarmourenses orientados por José Maria Barros a representar a comédia "A Tesoura do Alfaiate" na noite do Dia de Natal, perante algumas dezenas de espectadores que ousaram sair à rua numa "soirée" gélida. O ambiente do salão do CIRV foi amenizado com recurso a um sistema de aquecimento a gasóleo, no intuito de cativar assistência, hoje em dia mais propensa a ficar em casa, face à melhoria das condições das habitações, como reconhece Mário Ranhada, presidente desta colectividade. DUAS CAUSAS
Além desta situação que impede uma maior participação dos vilarmourenses em actos recreativos e culturais em períodos invernais, Mário Ranhada aponta ainda a dificuldade em conseguir reunir um lote de actores dispostos a levar ao palco uma peça que mantenha viva uma tradição bem arreigada na freguesia. O REGRESSO AO TEATRO
José Maria Barros voltou a encenar uma peça quinze anos depois de ter deixado as artes cénicas, ele que chegou a integrar alguns dos elencos do CIRV e continuando a manifestar preferência por ser actor, "onde me sinto mais à vontade", reconhece.
Aceitou o convite para dirigir este grupo de seis jovens, tendo escolhido e peça em conjunto com a Direcção, mas adiantou que "foi bem difícil ensaiar" devido a terem tido pouco tempo para o fazer, esperando agora conseguir manter este naipe de amadores para o futuro, numa tentativa de "solidificar as ideias e o modo de trabalhar", e manter um grupo cénico "activo o ano todo".
A par destes actores adultos, estão a organizar um grupo de juvenis, com o objectivo de representar uma peça na Páscoa, embora o desejo inicial fosse de os preparar para esta Noite do Dia de Natal, contudo, as indisponibilidades de os juntar todos para ensaiar, levou-os a adiar o projecto para daqui a alguns meses.
José Maria Barros sabe quão difícil é levar por diante uma espectáculo destes num dia tão especial em que as famílias se reúnem, mas por amor à tradição "muito antiga, acho por bem mantê-la".
Os apoios não abundam, pelo que o recurso foi cada um trazer as suas indumentárias e adereços de casa e conseguir algum apuro na bilheteira, porque o CIRV não tem rendimentos, mas como "ele é nosso, temos que trabalhar para ele, se o queremos manter vivo". "SE NÃO GOSTASSE NÃO ANDAVA AQUI"
André Pinto, 23 anos (o doutor da peça) foi um dos jovens vilarmourenses que pela sexta vez pisou o palco desta associação num Dia de Natal, considerando que "quem não corre por gosto não cansa", a despeito do frio que "rapamos aqui" nos últimos dois meses, de modo a que a peça com uma hora de duração estivesse pronta a ser apresentada neste dia. Se nada de anormal ocorrer, para o próximo ano conta estar aqui novamente e "se eu não puder, espero que esteja cá outro para me substituir" e encenar mais uma comédia -a sua preferência, aliás. DANÇA DO VENTRE ESTREIA-SE Antes de representação, duas jovens lanhelenses estrearam-se em Vilar de Mouros, com duas danças.
Delfina Gonçalves (actriz do grupo cénico de Lanhelas, refira-se) apresentou uma dança pop e Fátima Silva, uma estudante de engenharia, trouxe até Vilar de Mouros uma inovação - a dança do ventre.
Frequentadora das aulas proporcionadas pela Associação da Dança do Ventre na cidade do Porto, através das quais pretende "tirar um curso profissional", decidiu-se a criar uma Escola de Dança do Ventre no CIRV, todas as sextas-feiras, pelas 21 horas. Esta sua predilecção por este tipo de dança foi justificada pelos "benefícios que traz à mulher que a pratique regularmente, para que conheça melhor o seu corpo e ajude à sua auto-estima, além de evitar perdas urinárias mais tarde, além de regularizar as hormonas". Como forma de reforçar os atractivos que este tipo de arte oriental pode oferecer, referiu um estudo realizado por vários médicos brasileiros, quando esta arte se começou a expandir nesse país. Um dos ginecologistas que acompanhou essa monitorização das dançarinas e praticantes, revelou que a partir desse momento "a receita a dar no meu consultório será a prática da dança do ventre", pois, para além dos benefícios já referidos, contribui para "fortalecer" a zona pélvica, o que se torna útil na altura dos partos, além de ser uma dança "muito gira e sensual", acrescentou Fátima Silva. Dentro de alguns dias deslocar-se-á ao Porto um mestre egípcio de Dança do Ventre, a fim de a avaliar, para que possa subir de nível. Com as aulas a ministrar em Vilar de Mouros, "ganharei experiência como professora e divulgo e dança" num meio onde ela não é muito conhecida, o que já não acontece no Porto, por exemplo. De momento, já tem 10 inscrições e espera que o número aumente.
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