Continua a dar os seus frutos a aposta da Junta de Freguesia no teatro, encontrando-se nos preparativos finais a representação de um Presépio Vivo com 16 quadros por alturas dos Reis, reunindo 60 participantes entre actores, figurantes e colaboradores
Os actos decorrerão na noite do dia 3, entre S. Sebastião e a Igreja Paroquial, contando esta iniciativa com a aprovação do padre da freguesia e a prestimosa colaboração de um grupo de senhoras da freguesia que fizeram os fatos dos participantes, levando a que a autarquia apenas tivesse de alugar uma ou duas vestimentas.
A ideia do Presépio Vivo surgiu "espontaneamente" durante a festa das Solhas, quando Fernando Borlido -o ensaiador de todas as peças que têm sido representadas em Lanhelas nos últimos tempos-, se lembrou de a propor à junta que a acolheu de imediato.
Uma grande vontade das pessoas em se juntarem e trabalhar em prol da freguesia, nomeadamente as senhoras, contagiou a própria junta que iniciou os contactos no intuito de começar os preparativos, nomeadamente a confecção dos fatos na sede da Junta, acabando por resultar no ressuscitar dos velhos serões, em que o "convívio" era um ponto forte.
"Já me doem os rins", referiu uma das costureiras voluntárias dos arranjos das vestes dos figurantes sentada junto a uma máquina de coser, dando à perna e apontando a agulha, porque "são metros e metros de tecidos" para arranjar, oferecidos dor diversas empresas e particulares.
Inicialmente duas vezes por semana, mas com o apertar das datas, o trabalho passou a ser quase diário -"até chegando a vir para cá ao Domingo"-, mas "se a gente não faz nada, não há mesmo nada aqui", realçou Maria Rosa Correia, cabendo-lhes ainda trazer as linhas com que costuravam.
"Temos ido buscar panos a Viana do Castelo, Caminha e Cerveira, mesmo a chover" acrescentou outra das costureiras, a Lídia, das roscas.
O burro e os cavalos vêm de Cerveira, as vacas de Vilar de Mouros e as ovelhas da própria freguesia, sendo coincidência que uma delas tenha acabado de parir, pelo que os filhotes vão ser já utilizados no presépio.
Fernando Borlido mostrava satisfação pela adesão verificada, dando como exemplo um dos habitantes que se foi inscrever como figurante, mas fez questão de o fazer também em relação ao seu cão, o que não constituiu qualquer óbice.
Admitiu que "está a dar muito trabalho", mas só pelo entusiasmo revelado por todos quantos aderiram a este projecto, "já valeu a pena".
Só esperamos que neve…", este é o desejo unânime de todos quantos estão envolvidos neste projecto, tendo como único receio a chuva, uma companhia sempre indesejável.