Jornal Digital Regional
Nº 400: 26 Jul a 1 Ago 08 (Semanal - Sábados)
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UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA LOCAL
NO LANÇAMENTO DO LIVRO DE POESIA
DE JÚLIO BAPTISTA

O jardim do Museu Municipal de Caminha foi palco do acto de apresentação da obra poética "O Estado Novo e outros sonetos satíricos políticos" editada pelo C@2000.

No fundo, houve oportunidade para falar da nossa história compreendida entre os princípios e meados do século passado, e da vida e obra poética do argelense Júlio Baptista.

Conforme o director deste jornal sublinhou na ocasião, havia já bastantes anos que Caminha necessitava de alguém que voltasse a pesquisar a sua história, depois do desaparecimento de algumas figuras que no último quartel do século passado se tinham dedicado a esse mister.

O aparecimento do professor Paulo Bento (autor do estudo biográfico de Júlio Baptista e da selecção dos sonetos constantes da obra) na cena cultural caminhense pode preencher essa lacuna, cujos resultados são visíveis nas duas publicações surgidas em Vilar de Mouros (onde o autor reside), uma referente ao arquitecto vilarmourense José Porto, editada pelo Centro de Instrução e Recreio Vilarmourense e uma segunda enquadrada nos Cadernos do Património Vilarmourense, sob o título "Ferreiros e serralheiros de Vilar de Mouros", cuja continuidade se aguarda com expectativa.

Este livro de poesia de Júlio Baptista surge na sequência de outros dois já editados pelo C@2000, ambos igualmente relacionados com temática concelhia - o apanágio desta editora caminhense.

Paulo Bento contextualizou a obra poética do autor na sua época, historiou a vida política local, com particular incidência no tempo da I República retratada pelos jornais publicados então e que representavam as duas principais forças políticas de Caminha, o Partido Evolucionista com o qual Júlio Baptista se identificava, e o Partido Democrático.

Dedicou-se ainda a particularizar a situação política que o país viveu após a ditadura do Estado Novo, com repercussões evidentes em Caminha, a partir da qual Júlio Baptista se dedicou a escrever a sua poesia, sabendo de antemão da inviabilidade de publicação, pelas repercussões pessoais que sobre ele recairiam.

Este historiador pediu a intervenção dos poderes públicos no sentido de encontrarem uma solução para a casa designada de Sidónio Pais, adquirida pelo município, convertendo o imóvel num espaço de cultura, arquivo, investigação e aprendizagem da nossa história.

Como forma de revitalizar o espaço político caminhense e baseado nos exemplos do passado em que Caminha contou com dois ou mais jornais impressos, sugeriu a criação de um novo jornal em papel em Caminha.

O encenador Fernando Borlido declamou alguns dos sonetos do dr. Júlio Baptista, sendo ainda projectadas fotos do poeta, correspondentes a várias fases da sua vida.

No final da apresentação, foi servido um porto de honra aos que assistiram a este "café-poético", como o apelidou o director do C@2000.

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