Jornal Digital Regional
Nº 396: 28 Jun a 4 Jul 08 (Semanal - Sábados)
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VEREADOR SEM PELOUROS GERA EXPECTATIVA

As opiniões dividem-se quanto ao futuro político do vereador Bento Chão, depois de Júlia Paula lhe ter retirado todos os pelouros que possuía, bem como as mordomias inerentes ao cargo de vice-presidente em regime de exclusividade que mantinha até à passada Terça-feira.

Se há quem garanta que se manterá na vereação, outros advogam que irá resignar ao lugar que ainda detém, uma vez que a presidente apenas tinha competências para fazer o que fez: demiti-lo das funções que vinha exercendo, mas não pode impedi-lo de manter-se no lugar de vereador sem pelouros atribuídos, passando a ter um estatuto igual aos dos eleitos pelo PS.

É neste ambiente político crispado no seio do PSD que se aguarda com expectativa a reunião camarária da próxima Segunda-feira.

Contudo, a incógnita poderá não ser ainda desfeita se Bento Chão não comparecer, nem der qualquer sinal exterior do que pretende fazer.

"LAMENTO CONVULSÕES"

O assunto é objecto de discussão e controvérsia nos quatro cantos do concelho, com repercussões ao nível autárquico.

Na reunião da Assembleia de Freguesia (AF) de Vila Praia de Âncora realizada ontem (Sexta-feira), a demissão de Bento Chão não passou incólume.

O delegado agora independente Alfredo Pinto, também ele em rota de colisão com Júlia Paula o que o levou a abandonar a presidência da assembleia ancorense há pouco mais de um ano, lamentou a "convulsão" na Câmara de Caminha.

Disse ter tido sempre um bom relacionamento com o vereador Bento Chão e manifestou a convicção de que "os eleitos deveriam exercer os mandatos até ao fim".

"Prefiro os eleitos aos assessores que passam a ter mais protagonismo que eles", afirmou.

"APREENSIVO"

Igualmente os delegados da oposição socialista na AF se manifestaram sobre o caso que anda nas "bocas do mundo" deste concelho.

Daniel Labandeiro mostrou-se "apreensivo" pela forma como decorreu a demissão e recordou que Alfredo Pinto, no tempo em que exerceu o cargo de presidente da AF de V.P.A. sempre disse que "tivera um bom relacionamento com o vice-presidente Bento Chão".

Após referir que já sabia dos problemas internos a nível camarário, disse estar convencido que Vila Praia de Âncora poderá ser afectada com estas mudanças.

"HÁ COISAS NA VIDA QUE MUDAM"

Por seu lado Manuel Marques, presidente social-democrata da Junta de V.P.A., não se isentou de apreciar o momento político autárquico no seio do seu partido, embora tivesse frisado que "não me vou imiscuir nisto".

Disse ser amigo de Bento Chão há muito anos ("estive há dias com ele numa esplanada de Caminha e, depois, fomos almoçar", salientou), mas "há coisas na vida que mudam", dando como exemplos as remodelações,

Não deixou de citar o que ele fez "de bom por Vila Praia de Âncora" e, terminou dizendo que "desejo que a câmara continue o seu bom desempenho para Vila Praia de Âncora".

De modo a situar os leitores neste processo abrupto de destituição de funções do vice-presidente, que porventura ainda não tenham consultado o C@2000 depois dos acontecimentos do início da semana que agora finda, reproduzimos as notícias avançadas oportunamente.

Uma vez mais informamos os nossos leitores das vantagens de se tornarem assinantes do C@0000, pois, no caso de surgirem notícias a meio da edição semanal que o justifiquem, receberão um e-mail de aviso.

RETIRADOS PELOUROS AO VICE-PRESIDENTE BENTO CHÃO

É O SEGUNDO VICE-PRESIDENTE QUE SAI
EM RUPTURA COM JÚLIA PAULA

Júlia Paula, presidente da Câmara de Caminha, retirou na terça-feira (dia 24) os pelouros (incluindo o das obras públicas) ao vereador Bento Chão, o autarca que a acompanhava na vereação em regime de permanência desde as eleições de 2001.

Igualmente cessaram todas as mordomias inerentes ao cargo que exercia, nomeadamente viatura própria, gabinete de vice-presidente (cargo que passará a ser ocupado por Flamiano Martins), telemóvel (agora na posse da sua antiga secretária) e cartão de crédito destinado a despesas de representação.

MAU ESTAR LATENTE

Recorde-se que de há uns tempos a esta parte, Bento Chão, vereador que a partir deste mandato tinha ficado sem o pelouro das obras particulares que passou para a responsabilidade da presidente ("para experimentar", conforme Júlia Paula justificou então), assumia, no entanto, o das obras públicas mas vinha evidenciando bastante distanciamento perante os actos públicos realizados pela Câmara, sendo prova disso o sucedido na última sessão da assembleia municipal, quando a abandonou a meio, acompanhado pela família que presenciava o acto.

LOTEAMENTOS, ALVARÁS, INFRA-ESTRUTURAS E ASFALTAGEM

Aliás, nesta sessão, Serafim Cubal, presidente da Junta de Freguesia de Vilarelho, colocou o dedo na ferida ao fazer pedidos de esclarecimento sobre dois loteamentos nesta freguesia, aos quais a presidente não deu resposta, optando por convidá-lo a consultar mais tarde os respectivos processos de obra.

Um deles prendia-se com a asfaltagem da R. da Sª do Amparo, depois de Serafim Cubal ter confirmado junto do empreiteiro que ele apenas se responsabilizaria pela colocação do tapete betuminoso no troço confinante com os seus lotes, deixando de fora o da R. da Urraca.

Sendo assim, o problema da ligação da R. do Amparo à Urraca continuaria sem solução, uma vez que se encontra em terra batida há seis anos, recordou Cubal.

Um segundo loteamento tinha a ver com a publicação de um edital de alvará de licenciamento aprovando a operação de loteamento confinante com a R. do Coto da Pena, loteamento este que pertence ao pai do vereador demitido

O presidente da Junta de Vilarelho pretendia então saber se o alvará de loteamento se relacionava às obras de infra-estruturas já realizadas há tempos ou, eventualmente a outras intervenções a levar por diante nesse sítio.

SEIXAS FICOU SEM RESPOSTA

Ainda no decorrer desta sessão, Aurélio Pereira, presidente da Junta de Freguesia de Seixas, interpelou o Executivo sobre as deficiências que persistem no piso de diversas artérias, derivado à obra de remodelação da rede de águas.

Júlia Paula tentou que o vereador Bento Chão, detentor até então do pelouro das obras públicas, lhe respondesse, mas este referiu apenas que já estava tudo explicado.

NOVO CHEFE DE GABINETE

Entretanto, na passada Segunda-feira, Mário Patrício é apresentado como novo chefe de gabinete de Júlia Paula, confirmando-se o que o C@2000 já previa na edição de 7 de Junho passado.

Mário Patrício é engenheiro civil, podendo dar uma boa ajuda técnica a Júlia Paula no pelouro das obras particulares e, eventualmente, nas obras públicas que agora passarão para a alçada da presidente, como veremos mais adiante.

Ultimamente, também nas reuniões camarárias, Bento Chão era o primeiro vereador a sair do salão nobre, logo que a presidente as dava por concluídas.

Temos tentado ouvir Bento Chão sobre este caso mas sem resultado.

"REDIFINIR ESTRATÉGIAS E OBJECTIVOS"

Quanto a Júlia Paula, comparou a sua decisão à de um treinador que tem de mudar a equipa quando não se está em sintonia.

"Houve necessidade de reformular para que os projectos e obras no concelho de Caminha prossigam", disse a autarca, perante a abertura de um "novo ciclo" que se lhe apresenta.

"ELE DECIDIRÁ"

Não comenta o distanciamento revelado nos últimos tempos -nomeadamente na assembleia municipal da passada Sexta-feira-, pelo vereador demitido dos seus pelouros e ignora qual será a sua decisão: Se se mantém como vereador sem cargos -tal como sucede com os da oposição socialista- ou se renuncia ao lugar, dando lugar a outro. "Ele decidirá!", acentuou.

No entanto, não teme que a eventual permanência de Bento Chão na vereação signifique um risco para a maioria social-democrata, acreditando que "o sentido de elevação" se sobreporá a tudo, tal como tem sido a actuação dos vereadores socialistas, frisou.

Reafirmou que a "democracia é isto mesmo", dando como exemplo as remodelações que os próprios governos realizam e negou que a coincidência da entrada de Mario Patrício com a demissão de Bento Chão tivesse qualquer relação com o sucedido.

QUINTA CANDIDATA DESCONHECIA

Contactada Celeste Araújo, a quinta candidata à câmara pelo PSD e que poderá ser a substituta de Bento Chão, caso ele renuncie ao cargo, disse-nos (ao fim da tarde de hoje) que desconhecia totalmente o que se estava a passar, pelo que não se poderia pronunciar.

Este é o segundo vereador em regime de exclusividade que entra em ruptura com Júlia Paula, tendo já sucedido situação idêntica a meio do mandato anterior, quando Humberto Domingues, responsável entre outras áreas pela da cultura, pediu a demissão.

MILITANTES DO PSD
ADMIRADOS COM DEMISSÃO DE BENTO CHÃO

HUMBERTO DOMINGUES
DISSE TER SIDO UMA "SURPRESA ABSOLUTA"

A maioria dos militantes do PSD foi colhida de surpresa com a demissão do vereador Bento Chão verificada ontem de manhã, depois de Júlia Paula o ter notificado oficialmente que lhe retirava todos os pelouros e mordomias inerentes ao cargo de vice-presidente da autarquia caminhense que exercia desde Julho de 2003.

Temos tentado em vão ouvir a opinião do edil visado por esta medida que o afastou do poder autárquico social-democrata, e a manter-se tal silêncio, cresce a expectativa em relação à reunião camarária da próxima Segunda-feira, no decorrer da qual, de um jeito formal, será clarificada muita coisa.

Outros responsáveis social-democratas têm sido contactados pelo C@2000, mas o silêncio tem imperado.

"ATENTO"

Quem falou foi Humberto Domingues, o vereador afastado (muito embora oficialmente tenha sido ele a resignar ao cargo) no decorrer do primeiro mandato do Executivo liderado por Júlia Paula.

Humberto Domingues reconheceu que "fui apanhado de surpresa com a demissão de Bento Chão" e desconhece "as motivos" de tal decisão.

Igualmente não se pôde pronunciar sobre uma eventual similitude de fundamentos que ditaram a sua saída há cinco anos, apenas referindo que já notara as ausências de Bento Chão nos actos públicos em que a Câmara se fazia representar.

Mais não quis acrescentar, alegando que se encontra afastado da vida partidária e municipal local, mas "atento", frisou.

PSD REUNIU

Entretanto, já ontem elementos da Comissão Política Concelhia do PSD estiveram reunidos a fim de analisar as razões e repercussões da decisão da presidente do Executivo.

Segundo revelou Flamiano Martins, foi aprovado um voto de solidariedade para com a presidente da Câmara e sua equipa, por se apreciar "o trabalho que vem desenvolvendo", compreendendo ser uma prorrogativa dela conceder ou retirar pelouros e competências e pelo facto de muitos militantes terem ficado surpreendidos com este desenlace súbito, referiu que alguns já se tinham apercebido de algum mau estar existente.

Negou que a forma como decorrera a última reunião da assembleia municipal e toda a sua envolvente tivesse precipitado os acontecimentos.

Sobre o futuro do vereador agora sem cargos, disse desconhecer qual poderá vir a ser a sua atitude, ignorando, contudo, se já tinha pedido a demissão.

ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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