Jornal Digital Regional
Nº 285: 15/21 Abr 06 (Semanal - Sábados)
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FESTAS, FEIRAS E ROMARIAS / 2006

Correspondendo ao apelo da RTAM, mesmo em tempos difíceis, o Alto Minho prepara a época de Verão com muita animação e tendo como vector promocional as já tradicionais Festas, Feiras e Romarias’2006 compiladas em brochura que acaba de ser apresentada hoje, dia 11 de Abril, à Comunicação Social.

No corrente ano, entre Maio e Setembro, a região de Turismo do Alto Minho conta com um total de 1097 eventos, a realizar nos 13 concelhos que enformam a RTAM, dos quais 283 são Festas e Romarias Marianas, assim distribuídas: Abril - 19 ; Maio – 37; Junho – 16; Julho – 41; Agosto – 127; Setembro – 43. Outras Festas e Romarias: 430, assim distribuídas: : Abril – 48; Maio – 24; Junho – 120; Julho – 94; Agosto – 116; Setembro – 28.

Por concelhos e de uma forma global os totais são os seguintes: Viana do Castelo – 134; Barcelos – 131; Esposende – 128; Arcos de Valdevez: 123; Vila Nova de Cerveira – 85; Monção – 75; Melgaço – 74; Ponte da Barca – 74; Ponte de Lima – 70; Paredes de Coura – 70; Caminha – 50; Terras de Bouro – 45; Valença – 38.

A FESTA E A TRADIÇÃO

Já tentamos uma definição (SAMPAIO, 1991): FESTA – meio de expressão religiosa da comunidade; FEIRA – Lugar de troca , de mercado de compra, de medida e do preço; ROMARIA – Lugar de peregrinação.

A origem da Festa tem um carácter agrário. Está ligada ás quatro estações do ano – Primavera, Verão, Outono e Inverno. Aos solstícios e aos equinócios. Aos "quatro" elementos que dão significado á vida: Fogo ... sol, luz e amor; terra ... árvores, , raizes, chão e casa; Água ... chuva, fontes, rios e mar; Ar ... vento, ideias, folhas, golpe de asa.

Chegaram até nós desde o Neolítico, altura em que o Homem aprendeu a domesticar tudo, a ele próprio e ao grupo com normas, com leis.

São os Maios– para afugentar o feitiço, a entrada das bruxas, para afastar a fome, para não matar o "menino". O Maio não se retira no dia seguinte: deve murchar. São as fogueiras de S. João (solstício de Verão), as orvalhadas, as virtudes das ervas, os banhos matinais, os linhares, as moiras encantadas, os folguedos, o alho porro, os manjericos, os namorados; a Festa das Colheitas, as desfolhadas, os serões, as vindimadas; S. Martinho, o Magusto; a lareira e o reizeiro do Natal; as "aluminadas" e os "fachoqueiros"; as janeiras e o S. Silvestre; o entrudo e o Pai Velho; a Serração da Velha; "Ana, Magana, Rebeca, Suzana, Lázaro, Ramos na Páscoa estamos: o Compasso pascal, o lanço da cruz; os clamores; as rogações; os "misereres", a queima do Judas, o testamento do Galo.

A Páscoa da Ressurreição

Atapetam-se as ruas e os caminhos de palmas, espadanas e flores. E aquela amálgama de gente corre, de casa em casa, não esquecendo um vizinho, pobre ou rico, um amigo.

É um reboliço! Há risadas e gritos, "trocas" de conversados. Beijos e abraços. Alguns mesmo, já não cabem na "sala grande" e espalham-se por outros compartimentos. A dona da casa aflita, já não sabe a quem atender, se ao rapazio que mexe em tudo, se aos amigos e familiares que, por tradição, ali vão beijar a Cruz.

Quando chega o compasso é o Pároco que saúda todos os presentes dizendo: "Paz a esta casa e a todos os seus habitantes, Aleluia", enquanto asperge com água benta a "sala grande" onde, por hábito, está colocada a "mesa". Depois, o mordomo dá a cruz a beijar ao dono que, depois de beijar a cruz, a dá a beijar aos presentes. O dono da casa ou a pessoa mais velha convida, então, o senhor Abade a sentar-se um bocadinho (que a caminhada é grande), oferecendo-lhe da "mesa" onde nada falta, desde o arroz doce até ao "sortido", passando pelo vinho da última colheita que graças a Deus, era de estalar … até ao vinho "fino", gerupiga ou algum licor conventual. Entretanto, o mordomo deixou a cruz a descansar em cima da cama do casal. As pessoas abeiram-se, ordeiramente, da mesa e tudo come sem cerimónia, distinguindo, no entanto, o dono da casa, o pessoal do "compasso" a quem, depois, entrega o "folar" do senhor Abade (actualmente dinheiro num sobrescrito fechado) e outras esmolas para as Almas e o Senhor, não esquecendo, também, o folar do rapazio da campainha e da caldeira.

XV Feira de Requesón e o Mel – Concello de As Neves

Dr. Francisco Sampaio – Juíz da Confraria dos Gastrónomos do Minho foi convidado pelo Alcade-Presidente do Concelho de As Neves (D. Raúl Emilio CastroRodríguez) para participar na XV Feira de Requesón e o Mel como Pregoeiro no próximo dia 14 de Abril. Este evento tem como objectivo valorizar os produtos autóctones de maior qualidade e mais ligados à cultura gastronómica local: o Requesón e o Mel.


Apresentação do Livro XVI Congresso
de Gastronomia do Minho
IV Congresso Luso-Galaico

No passado dia 08 de Abril, pelas 16 horas no Salão Nobre da Câmara Municipal de Guimarães e com a presença da Drª Francisca Abreu, Vereadora da Cultura; Mordomo-Mor da Confraria – Dr. Nuno Lima de Carvalho e Francisco Sampaio – Juíz da Confraria e autor dos Subsídios para a História da Alimentação do Concelho de Guimarães, foi feita a apresentação do Livro das Actas do Congresso e que se segue a apresentação já realizada em Dezembro último da Carta Gastronómica de Guimarães. Presentes, ainda, o Confrade Adegueiro João Leite Gomes; Drª Sofia Ferreira – Assessora para o Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, Sócios Honorários da Confraria Prof. Doutor Abílio Lima e Carvalho e Dr. Paulo Sá Machado; Técnicos da Zona de Turismo de Guimarães; membros da Equipa Técnica da RTAM (Carta Gastronómica de Guimarães); restaurantes seleccionados, Comunicação Social.

Francisco Sampaio explanou como está estruturado o Livro do Congresso: I Parte – Os Actos do XVI Congresso de Gastronomia com cinco painéis; II Parte – Os Subsídios para a História da Alimentação do Concelho de Guimarães com ênfase para as Inquirições de 1220 e 1258, o Livro de Cozinha da Infanta D. Maria de Portugal (filha de D. Duarte – Duque de Guimarães – Séc. XVI); As Velhas Casas Vimaranenses; Memórias Paroquiais (1758); Guimarães na pena fotográfica de Ramalho, Camilo, Eça, Aquilino e Júlio Dinis; Relatório da Exposição Industrial de Guimarães (1888); Culinária Portuguesa OLLEBONA (1928); Nicolinas e Conclusões.

Receituário com identidade do Concelho de Guimarães:

Antepastos e Pastos

Raia cozida com algas; polvo; sardinha; cação (frito), pescada, peixes do rio; cabidela de frango, engordado a milho e resteva bravia com o sangue do dito, rodelas de salpicão / paio, tassalho de presunto; rojoada leva rojão, fígado, sangue e farinheira; o cabrito obriga a arroz enriquecido com miúdos; vitela de raça barrosã, minhota ou cruzada com o nispo, costela mendinha / picadouro; chispalhada com feijão vermelho; tripas... como El Rei (o falso Rei) se bate em Casa do Abade de San Gens de Calvos (Capelão Mor d’El Rei e D. Prior eleito de Guimarães): tripas com feijão branco e chispe (e não à moda do Porto); cabidela de cabrito com os miúdos em refogado abundante com chouriço; estando cozido deitam-se os temperos (bazulaque), recordação da feira do gado reixelo da Madre Deus. Bacalhau racheado, não frito, antes cozido lentamente com azeite e cebolada em sertã ancha e que racha em lascas planturosas. Bacalhau recheado com presunto ou toucinho entremeado com cobertura ou cama de couves orelhudas e viçosas. Bucho recheado, quer quando o recheiam de farinha; quer ao surgir na mesa prenhe dos rojões com batatas salteadas no mesmo pingue; rodelas de língua estufada de vitela com ervilhas; massa à lavrador (o prato mais representativo da cozinha étnico/popular/familiar).

Naipe Doceiro das Gulodices Vimaranenses

(Servidos nos Restaurantes) – Doçaria Conventual: toucinho do céu e tortas de Guimarães, pudim caseiro e pudim de ovos, sopa dourada. Doçaria Tradicional - aletria, formigos, leite creme, leite creme torrado, leite creme com compota de maçã, rolo da avó, arroz doce e rabanadas de ovos, de vinho e de mel; Doçaria Popular: doces de romaria, roscas, doces brancos, bate, pão-de-ló.

Propostas

Ao nível dos proprietários dos Restaurantes:

Disponibilidade de colaborar no projecto da "Carta Gastronómica de Guimarães" para dinamizar a cidade, o concelho e a região (92%);

Aceitação para que sejam considerados como restaurantes recomendados nos anos 2007 a 2009 com a garantia de manterem o receituário tradicional agora publicado, respectivamente, Adega dos Caquinhos, Batista, Carreira, Casa de Sezim, Clube Industrial de Pevidém, D. Mafalda (Pousada Santa Marinha); Dan José, Doce Parque, El Rei, Fentelhas, Florêncio, La Coupole, Nora do Zé da Curva, Pousada Senhora da Oliveira, Quinta de Castelães, São Gião, Solar do Arco e Valdonas.

Os Restaurantes Recomendados poderem participar nas Feiras e Mostras de Gastronomia declaradas de interesse para o Turismo, não só a nível interno como na vizinha Galiza, Espanha Verde e Castela Leão.

Ao nível da Cultura e do Ambiente - Um Portal / Três Corredores Turísticos:

Considerando que no XVI Congresso de Gastronomia do Minho "Guimarães, Berço da Tradição e do Desenvolvimento" foi incluído a elaboração de uma Carta Gastronómico e ainda a Historia da Alimentação do concelho de Guimarães; considerando que nas conclusões, quer da Carta Gastronómica, quer do estudo da Alimentação foram diagnosticadas questões, sobretudo ligada à gastronomia (O que se come, quem come, quando come, onde come e como se come);

Proponho que:

1. Os corredores culturais e os corredores ambientais, lugares âncora já existentes no concelho de Guimarães sejam transformados em três corredores turísticos, concretamente:
corredor turístico ... nos passos da Rainha D. Mafalda, esposa de Afonso Henriques (Guimarães – Felgueiras, Lixa - Amarante);
corredor turístico ...nos passos de Camilo seguindo o conto Como Ela o Amava e que se passa em Cavêz (Guimarães – Fafe – Cavez – Cabeceira de Basto);
corredor turístico do litoral... recordando a vinda do sal e do pescado para os mosteiros e conventos do Concelho (Guimarães – Mosteiro de Landim – S. Pedro de Rates – Laúndos – Póvoa de Varzim.

2. Que seja criado o Portal de Turismo no Centro Histórico – Património da Humanidade como local onde se concentra a entrada e/ou saída de turistas de uma zona turística.

Formação Profissional

Dada a Excelência da Cozinha Tradicional no Concelho de Guimarães, reconhecemos a necessidade urgente da instalação de uma Escola Profissional de acordo V Painel - Carta Gastronómica de Guimarães - Uma Orientação Clara e Forte a nível Regional - (Cinco Propostas para uma Nova Cozinha Portuguesa) em que se afirma o seguinte: necessidade de, na falta de recursos humanos (famílias) para as cozinhas étnica, familiar, caseira e tradicional, as artes culinárias passem para as Escolas do nível III e do nível IV (INFTUR / Politécnicos). É o que propomos para o Concelho de Guimarães.


A Galiza e o Norte de Portugal

Como vem sendo tradição as Mini-férias da Páscoa que os "Galegos" aproveitam para na sua maior parte as aproveitarem para virem a Portugal e, logicamente, ao Norte de Portugal e, concretamente, ao Alto Minho obriga-nos, também, uma vez mais a repensar no perfil do turista que vai estar entre nós durante este fim de semana prolongado: as gerações mais jovens dos turistas galegos são entusiastas das férias activas e/ou dos destinos de praia com animação e equipamentos desportivos e de lazer. Utilizam preferencialmente o seu automóvel particular para se deslocarem, já que gostam de explorar a região (arqueólogos e exploradores / alocêntricos) onde pernoitam e não pretendem permanecer no mesmo local durante todo o período de férias ou mini-férias, fins-de-semana. Quanto ao alojamento estes turistas preferem os hotéis de 3 e 4 estrelas.

Em resumo, podemos reforçar tudo o quanto vimos dizendo da prioridade sobre o mercado galego em termos promocionais:

Necessidade de estarmos presentes de uma maneira sistemática e organizada nas principais feiras e eventos da Galiza;

Necessidade de termos brochuras e folhetos especializados (não só ao nível de turismo com roteiros e circuitos, alojamento, restauração, animação, touring, pubs e discotecas), como de compras em geral se possível com preços (82% dos inquiridos);

Bons contactos personalizados a nível de Postos de Turismo e Associações Empresariais (não esquecer que as pessoas contactadas para informações são amigos e familiares);

Necessidade de se manter aberto o comércio aos Sábados e Domingos, e durante a semana de acordo com os hábitos galegos (66% dos inquiridos veio com o objectivo de adquirir algum produto ou serviço);

Necessidade de haver uma correspondência entre custo/benefício que transpareça na motivação preço (como principal razão de compra), para além da qualidade, design e variedade;

Necessidade de uma promoção genérica de vilas e cidades do Porto e Norte de Portugal, onde os galegos se possam dirigir para fazer Turismo e Compras, dadas as novas ligações transfronteiriças e as novas acessibilidades.

A indicação de Valença como grande balcão de comércio de todo o Norte de Portugal, julgo poderá ser tomado como referência por todos os centros históricos de Vilas e Cidades do Norte de Portugal onde, normalmente, está implantado o comércio tradicional. O mesmo direi em relação às feiras semanais, quinzenais ou anuais que os Galegos gostam de visitar, tornando assim como motivo de compras esse nicho de mercado, não só na época alta, mas também na época baixa, resolvendo muitos dos problemas graves, tal qual refere Isaura Rodrigues, Presidente da Associação de Comerciantes do Porto (ACP) ao "Comércio do Porto" (3/1/2005): «contrariamente ao número de pessoas que andavam nas ruas os comerciantes registaram quebras, que variam entre os 15 e os 40% entre lojistas do comércio tradicional, em plena época de Natal e da Passagem de Ano».

Boas Taxas de Ocupação nas Mini-férias do Alto Minho – Quadra da Páscoa

Vale do Minho – 13 Unidades Hoteleiras / TER num total de 1724 camas – taxa de ocupação 80% (igual/superior a 2005 ( + nacionais) com 5 unidades a 100% - Hotel Monte Prado Melgaço, Hotel Termas de Monção, Pousada S. Teotónio, Hotel Turismo do Minho, Estalagem da Boega e Hotel Porta do Sol.

Vale do Lima – 7 Unidades Hoteleiras / TER num total de 1908 camas – taxa de ocupação 80% - igual /superior a 2005 (+ nacionais/espanhóis), com 3 unidades a 100% (Hotel Flor do Sal, Estalagem Melo Alvim – Viana do Castelo; Hotel Golfe - Ponte de Lima); (Pousada Santa Luzia e Hotel Rural Quinta de S. Sebastião / Viana do Castelo - 80%).

Esposende / Barcelos / Gerês (Vale do Cávado) – 10 Unidades Hoteleiras num total de 2109 camas – taxa de ocupação 96% (mais espanhóis que nacionais), com 8 unidades a 100% (Hotel Ofir / Estalagem Zende / Club Pinhal da Foz / Hotel Suave Mar – Esposende; Hotel Universal / Hotel das Termas / Hotel Águas do Gerês / Estalagem S. Bento da Porta Aberta (Gerês – Terras de Bouro). Apúlia Praia Hotel e Estalagem Parque do Rio – 80%.

Aguarda-se que nos resultados finais todos os Vales atinjam os 100%. De acordo informação das Delegações de Turismo, as solicitações aos balcões nesta Quarta-feira provêm essencialmente da Galiza, Astúrias, Castela Leon, Madrid; a nível nacional, a Grande Lisboa, Centro e Grande Porto. Procura, também, de Ingleses e Franceses.

Nota: Dado o grande volume de turistas que vão chegar até nós, solicita-se que as Empresas que estão neste momento com obras, quer na EN 13, quer em outras vias dos treze Concelhos que enformam a RTAM (pese a necessidade urgente de avançar com os trabalhos), os suspendam nesta quadra da Páscoa, evitando-se, assim, demoras de tráfego. A RTAM agradece.

Bife da Páscoa – Monte de S. Silvestre – Casa dos Romeiros – São Tiago de Cardielos - Sábado de Aleluia - dia 15 de Abril - Tradição desde os anos cinquenta - Século XX

«A iniciativa teve origem nos anos cinquenta e foi levada a cabo pelo Grande Mestre de Cozinha Américo Correia, Proprietário ao tempo da ex-Pensão-Restaurante Rio Lima, na Av. de Camões n.º 3 - Viana do Castelo, em colaboração com alguns dos mais destacados comerciantes de carnes verdes como Adelino Cardoso, Canas, Evaristo, etc., etc., para só enumerar alguns que me recordo ver na minha infância, na Pensão-Restaurante Rio Lima.

Era então acontecimento marcante em Viana do Castelo, na 5.ª Feira Santa, haver exposição e concurso para atribuição de prémio, ao talho, que apresentasse a carcaça de bovino maior e de melhor qualidade, era uma disputa renhida, pois todos queriam ter o privilégio de ser o vencedor. As carcaças eram penduradas na porta principal do estabelecimento, decoradas com ramos de loureiro.

Como o Sábado de Aleluia marcava o fim da Quaresma, o Bife da Páscoa era devorado com grande apetite e imensa alegria. O melhor vinho verde tinto, saído em grandes canecas de porcelana, corria nas tigelas parecendo lágrimas de cataratas.

No fim várias guloseimas, entre as quais se distinguia o Pão-de-ló, feito em grandes alguidares. Dizia-se que era o mata-borrão para compor os anafados estômagos.

Em 1973 com a venda da Pensão-Restaurante Rio Lima, lindíssimo edifício do século XIX, para dar lugar a outro, que na minha opinião destoa da marginal e no local do antigo Convento de S. Bento e, também, onde possivelmente existiu o primeiro estaleiro de Viana - século XV – XVI.

Dizia eu que terminada a vida do Rio Lima, como vulgarmente chamavam à unidade Hoteleira, meus pais abriram em Cardielos, na casa onde nasceu minha mãe Rosalina o café Rio Lima, onde os amigos de Cardielos continuaram a tradição, agora com a colaboração de meus irmãos Mário e Luísa e respectivas famílias.

Com o passamento de meus pais e a transação do café, meu irmão Mário, a Deolinda e o Pedro, abriram o Café do Mário, perto do local do outro e mantiveram a tradição. Mais tarde os amigos de Cardielos liderados por João Afonso Oliveira e Luís Pereira resolveram dar maior dimensão ao acontecimento e começaram a organizar o evento no paradisíaco e de vista inigualável Monte de S. Silvestre:

Avistamos Santa Luzia
A Barra do Penedo Ladrão
O rio Lima outrora Lethes
O húmido sapal de S. Simão

Ano após ano, o número de convivas tem aumentado de outras paragens, sobretudo de todo o Minho. Este ano a tradição vai manter-se, apenas e para dar outra dimensão especialmente na inovação, vamos contar com as Gaitas Galegas (Galiza) e, ainda, com as concertinas e as desgarradas, pelos cantadores e tocadores João Cruz e Artur Agostinho. Uma última palavra para aqueles que colaboraram através dos tempos, nesta iniciativa e que a lei da vida, não permitiu que estivessem hoje na nossa companhia, que descansem em paz.» (Manuel Correia – Quinta Dom Sapo)

Organização – Amigos de Cardielos / Colaboração – Quinta Dom Sapo (Telef. 258 839080 / Fax 258 839089)


O Alto Minho no Compasso Pascal
Praça da Alegria – RTP - Sábado – dia 15 de Abril, a partir das 9,30 horas

A Páscoa da Ressurreição

Quando chega o compasso é o Pároco que saúda todos os presentes dizendo: "Paz a esta casa e a todos os seus habitantes, Aleluia", enquanto asperge com água benta a "sala grande" onde, por hábito, está colocada a "mesa". Depois, o mordomo dá a cruz a beijar ao dono que, depois de beijar a cruz, a dá a beijar aos presentes. O dono da casa ou a pessoa mais velha convida, então, o senhor Abade a sentar-se um bocadinho (que a caminhada é grande), oferecendo-lhe da "mesa" onde nada falta, desde o arroz doce até ao "sortido", passando pelo vinho da última colheita que graças a Deus, era de estalar … até ao vinho "fino", gerupiga ou algum licor conventual. Entretanto, o mordomo deixou a cruz a descansar em cima da cama do casal. As pessoas abeiram-se, ordeiramente, da mesa e tudo come sem cerimónia, distinguindo, no entanto, o dono da casa, o pessoal do "compasso" a quem, depois, entrega o "folar" do senhor Abade (actualmente dinheiro num sobrescrito fechado) e outras esmolas para as Almas e o Senhor, não esquecendo, também, o folar do rapazio da campainha e da caldeira.

A RTAM solicitou para a reconstituição do Compasso Pascal na Praça da Alegria os seguintes apoios:

Etnográfico da Areosa, incluindo o seu Grupo de Bombos e Gaita de Foles com a apresentação do Compasso Pascal e o tradicional folar;

Pastelaria Natário (José Natário e Regina Maria) que apresentam os folares da Páscoa, assim como a seguinte doçaria tradicional: Pão-de-Ló, Massapães, Doces de Gema, doce Sortido, Doces de Ovos (broínhas, castanhinhas, bolotas, charutos, delícias); Manjericos e Torta de Viana. Paróquia de Vila Praia de Âncora com a Cruz da Páscoa de Cristo Ressuscitado, campainha e caldeira e as diversas opas do Compasso, incluindo, o roquete bordado do Pároco;

Artesãs: Casa Sales que oferece o Palmito de Palma benzido em Domingo de Ramos, assim como, decorou com fios de trena e arte floral a Cruz Paroquial; D. Palmira e Tareca – caixas bordadas com amêndoas da Páscoa.

Informação RTAM
ROTA DOS LAGARES DE AZEITE DO RIO ÂNCORA
Autor
Joaquim Vasconcelos
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