Três anos depois de ter anulado um primeiro concurso, ainda da
responsabilidade do anterior executivo camarário, e sete meses depois da
abertura de novo concurso público, começou enfim a obra da Estrada de
Marinhas, importante via municipal que estabelece a ligação entre a EN 13 e
Vilar de Mouros pelos lugares de Coura de Seixas e Marinhas e que, tendo
sido aberta pelos anos 50 do século XX, demoraria ainda algum tempo até ser
revestida a blocos de granito e não beneficia de qualquer melhoramento
significativo desde 1982 quando se corrigiram alguns abatimentos do
pavimento.
Trata-se de uma obra há muito reivindicada pela populações e outros seus
utilizadores que diariamente se confrontam com o mau estado do pavimento, o
traçado perigoso e a pouca largura da via e que não se esquecem dos muitos
acidentes que essas características causaram ao longo do tempo, com um
destaque especial para aqueles em que estiveram envolvidos autocarros de
transporte escolar em Dezembro de 1989 e em Maio de 1995, felizmente sem
consequências de maior.
Como explicação para que uma obra que poderia ter sido realizada no início
de 2002 tivesse que esperar a quase totalidade de um período de gestão
municipal para finalmente ser iniciada, a Câmara Municipal de Caminha sempre
adiantou que tal se deveria à existência de diversas falhas de projecto no
primeiro concurso, nomeadamente a nível de infra-estruturas.
Três anos para
ver rectificadas as referidas deficiências, muitos outros investimentos no
concelho entretanto projectados, concluídos ou iniciados, somos agora
informados que todo este tempo serviu para que em vez de um "tapete de
semi-penetração" seja colocado um "tapete betuminoso" e que,
simultaneamente, a rede de abastecimento de águas seja remodelada,
presume-se que com a colocação de tubagem de maiores dimensões.
Não
discutindo as vantagens destas alterações ao projecto, esperar-se-ia contudo
que a longa espera fosse compensada com algo que trouxesse uma significativa
mais-valia para os habitantes das freguesias abrangidas, maioritariamente de
Vilar de Mouros.
Refiro-me, naturalmente, à rede pública de saneamento, uma
premente necessidade ambiental e de saúde pública que, depois de um forte
investimento municipal nos anos 80 e 90 que permitiu servir a orla litoral
do concelho de Caminha, precisa de ser alargada decididamente a todo o
interior do concelho, não se percebendo porque, a exemplo do que aconteceu
(e bem) com Venade e a zona sul de Vila Praia de Âncora, não foi aproveitada
esta oportunidade aberta pela remodelação da Estrada de Marinhas para
incluir a freguesia de Vilar de Mouros na recente candidatura da Câmara
Municipal de Caminha a fundos comunitários na área do saneamento público
(ver Informação Municipal de 1-4-2005).
Referindo-nos unicamente à temática em apreço, mesmo se não é fácil esquecer
o sacrifício que implica a actual construção do IC 1, Vilar de Mouros tem
contribuído com uma significativa quota parte para o bem público municipal e
a qualidade de vida dos caminhenses nas últimas décadas, desde a captação de
água na Cavada que abastece todo o concelho desde os anos 70 até à actual
obra de construção de dois gigantescos reservatórios de água na encosta de
Góios pelas Águas do Minho e Lima, passando pelo vazadouro de entulhos que
em 1994 foi aberto em Chão das Ferreiras.
Como retribuição para esta
evidente solidariedade municipal, a freguesia teve de esperar até aos anos
80 pela água canalizada, o vazadouro foi-se transformando numa imensa e
vergonhosa lixeira que continua a aguardar um sempre anunciado e nunca
concretizado projecto de requalificação e, pelos vistos, os vilarmourenses
vão ter de continuar a abrir fossas sépticas privadas ou colectivas que,
desgraçadamente, não impedem a progressiva contaminação de terras de cultivo
e de lençóis de águas com as mais imprevisíveis consequências.
Dir-se-á talvez que temos de ter paciência, não somos afinal um país rico e
não há dinheiro para tudo mas, então, como justificar o desperdício em obras
obviamente não "estruturantes" ou urgentes, como os dois milhões de euros
dispendidos na obra do Parque Municipal de Caminha ou os mais de quinhentos
mil euros (sensivelmente o mesmo que o custo total da obra da Estrada de
Marinhas S) que custa a requalificação das muralhas de Caminha?