CONCELHO DE CAMINHA



UM MOSAICO DE PAISAGENS

Jornal Digital Regional
Nº 234: 23/29 Abr 05 (Semanal - Sábados)

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TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor


A Estrada de Marinhas, Vilar de Mouros e as prioridades orçamentais da Câmara Municipal de Caminha

Três anos depois de ter anulado um primeiro concurso, ainda da responsabilidade do anterior executivo camarário, e sete meses depois da abertura de novo concurso público, começou enfim a obra da Estrada de Marinhas, importante via municipal que estabelece a ligação entre a EN 13 e Vilar de Mouros pelos lugares de Coura de Seixas e Marinhas e que, tendo sido aberta pelos anos 50 do século XX, demoraria ainda algum tempo até ser revestida a blocos de granito e não beneficia de qualquer melhoramento significativo desde 1982 quando se corrigiram alguns abatimentos do pavimento.

Trata-se de uma obra há muito reivindicada pela populações e outros seus utilizadores que diariamente se confrontam com o mau estado do pavimento, o traçado perigoso e a pouca largura da via e que não se esquecem dos muitos acidentes que essas características causaram ao longo do tempo, com um destaque especial para aqueles em que estiveram envolvidos autocarros de transporte escolar em Dezembro de 1989 e em Maio de 1995, felizmente sem consequências de maior.

Como explicação para que uma obra que poderia ter sido realizada no início de 2002 tivesse que esperar a quase totalidade de um período de gestão municipal para finalmente ser iniciada, a Câmara Municipal de Caminha sempre adiantou que tal se deveria à existência de diversas falhas de projecto no primeiro concurso, nomeadamente a nível de infra-estruturas.
Três anos para ver rectificadas as referidas deficiências, muitos outros investimentos no concelho entretanto projectados, concluídos ou iniciados, somos agora informados que todo este tempo serviu para que em vez de um "tapete de semi-penetração" seja colocado um "tapete betuminoso" e que, simultaneamente, a rede de abastecimento de águas seja remodelada, presume-se que com a colocação de tubagem de maiores dimensões.
Não discutindo as vantagens destas alterações ao projecto, esperar-se-ia contudo que a longa espera fosse compensada com algo que trouxesse uma significativa mais-valia para os habitantes das freguesias abrangidas, maioritariamente de Vilar de Mouros.
Refiro-me, naturalmente, à rede pública de saneamento, uma premente necessidade ambiental e de saúde pública que, depois de um forte investimento municipal nos anos 80 e 90 que permitiu servir a orla litoral do concelho de Caminha, precisa de ser alargada decididamente a todo o interior do concelho, não se percebendo porque, a exemplo do que aconteceu (e bem) com Venade e a zona sul de Vila Praia de Âncora, não foi aproveitada esta oportunidade aberta pela remodelação da Estrada de Marinhas para incluir a freguesia de Vilar de Mouros na recente candidatura da Câmara Municipal de Caminha a fundos comunitários na área do saneamento público
(ver Informação Municipal de 1-4-2005).

Referindo-nos unicamente à temática em apreço, mesmo se não é fácil esquecer o sacrifício que implica a actual construção do IC 1, Vilar de Mouros tem contribuído com uma significativa quota parte para o bem público municipal e a qualidade de vida dos caminhenses nas últimas décadas, desde a captação de água na Cavada que abastece todo o concelho desde os anos 70 até à actual obra de construção de dois gigantescos reservatórios de água na encosta de Góios pelas Águas do Minho e Lima, passando pelo vazadouro de entulhos que em 1994 foi aberto em Chão das Ferreiras.
Como retribuição para esta evidente solidariedade municipal, a freguesia teve de esperar até aos anos 80 pela água canalizada, o vazadouro foi-se transformando numa imensa e vergonhosa lixeira que continua a aguardar um sempre anunciado e nunca concretizado projecto de requalificação e, pelos vistos, os vilarmourenses vão ter de continuar a abrir fossas sépticas privadas ou colectivas que, desgraçadamente, não impedem a progressiva contaminação de terras de cultivo e de lençóis de águas com as mais imprevisíveis consequências.

Dir-se-á talvez que temos de ter paciência, não somos afinal um país rico e não há dinheiro para tudo mas, então, como justificar o desperdício em obras obviamente não "estruturantes" ou urgentes, como os dois milhões de euros dispendidos na obra do Parque Municipal de Caminha ou os mais de quinhentos mil euros (sensivelmente o mesmo que o custo total da obra da Estrada de Marinhas S) que custa a requalificação das muralhas de Caminha?

Paulo Torres Bento

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