A sede do Sporting Club Caminhense acolheu no passado Domingo o momento mais significativo, até esta data, das comemorações dos 100 Anos que terá o seu ponto alto no próximo dia 14 de Dezembro, ao ser inaugurada uma exposição de mais de 600 fotografias colocadas nas paredes do edifício, evocando inúmeros protagonistas e momentos relevantes da sua vida desportiva.
Muitas destas fotos que poderão ser apreciadas nos períodos em que a sede estiver aberta, coincidindo com o horário de funcionamento do restaurante, pertencem ao arquivo do SCC ou foram cedidas para reprodução digital por antigos dirigentes, remadores ou seus familiares, sócios e amigos do Clube.
A comissão do Centenário e a Direção do Clube receberam os visitantes no átrio da sede, e, antes de abrirem a mostra às dezenas de pessoas presentes, foram tecidas algumas apreciações e esclarecimentos sobre "mais uma das atividades" desenvolvidas no âmbito das comemorações, conforme referiu Fernando Rodrigues.
Logo à entrada da sede, as fotografias centram-se essencialmente nos inícios do "nosso Clube", vincou, frisando ter havido uma atenção especial aos sócios fundadores (é exibida uma ata com as assinaturas dos que subscreveram a sua fundação), pretendendo deixar um "legado às novas gerações".
Agradeceu a todos os que contribuíram com fotografias para que "esta exposição seja uma realidade", tendo sido dada assim visibilidade a uma ideia lançada por um dos membros da comissão do centenário (Jofre Pinto), sem esquecer os três sócios (além de Jofre Pinto, também João Afonso e António Rodrigues) que "durante dois anos" procederam à limpeza, recuperação e visualização do riquíssimo espólio do Sporting Club Caminhense exposto agora em três salas do edifício.
Fernando Rodrigues fez uma referência especial a José Augusto Bouça Jorge, por ter sido o seu principal mentor e organizador, ao assumir de uma "forma ativa" a conceção e materialização da exposição, e agradeceu a diversas pessoas e entidades (Junta de Freguesia e Câmara Municipal).
"É muita gente"
José Augusto Jorge aproveitou para gradecer a todos os que cederam fotos nas que se basearam para a montagem da exposição e, por ser "muita gente" não poderia citar todos, reconheceu. Adiantou que ainda há muita "disponibilidade" de mais pessoas, para "no futuro" acrescentar mais-valia à mostra, sendo esta uma primeira fase, porque o site do Clube incluirá muitas mais que não foi possível divulgar agora, podendo ser feito de uma forma cronológica.
Referiu que foi possível recuperar muitas imagens que não se encontravam no melhor estado.
"Muito tempo" a recolher, escolher e preparar
Pedimos-lhe, no final, uma apreciação às mais de 1.200 fotografias reunidas, e que tiveram de ser selecionadas, a par de "muitas delas serem muito parecidas", optando, assim, por aquelas que reputaram de "mais relevantes".
Acentuou que "estou satisfeitíssimo" pelo trabalho desenvolvido, embora admita "algumas falhas".
"Objetivo cumprido"
O trabalho despendido por todos quantos participaram neste trabalho mereceu palavras de apreço da parte do presidente Direção, considerando "ter sido atingido mais um objetivo", permitindo desta forma que "os sócios regressem ao Sporting Club Caminhense".
A aproximação de toda a gente de Caminha ao Clube, foi pedra de toque das palavras do presidente José Manuel Gomes, no intuito de "termos um Clube cada vez mais forte", vincando que o "Caminhense já esteve lá em cima, ainda não está, mas é para lá que nós caminhamos".
Assinalou que na época finda tiveram 35 atletas campeões nacionais, conquistando 49 títulos.
"Isto não tem explicação"
Antóno José Gomes Lourenço, aos 82 anos, era provavelmente o remador mais antigo presente, revelando ao C@2000, emocionado, que "isto não tem explicação e era aquilo que eu esperava há mais tempo, mas sendo agora, ainda foi a tempo".
"Estão aqui muitas recordações minhas e dos meus colegas, dos que estão e dos que não estão", prosseguiu. Perguntando-lhe quantos títulos tinha conquistado, disse ser-lhe impossível quantificá-los. Admitindo apenas que que "se não tivesse ido para a guerra e depois para a França", seriam muitos mais.
A ânsia de vencer era tal, que embora não conseguisse apontar um título nacional que mais tivesse apreciado, retratou, contudo, com tristreza, um derrota registada num Campeonato Nacional, disputado no Rio Novo do Príncipe, em Aveiro, pelo facto de "o meu primo Churreta ter falecido - sendo substituído por outro primo meu, o "Casaca", o que influenciou no rendimento da equipa de Shell/4, embora tivéssemos perdido por pouco".
Além do mais, quem vencesse essa prova, teria acesso a participar nos Jogos Luso-Brasileiros, cabendo essa felicidade ao Fluvial Portuense.
"Sinto-me com orgulho de ser filho de meu pai"
O sócio Paulo Valença - referido antes da abertura da mostra fotográfica, por ter entregue ao SCC o enorme e valioso espólio de seu pai (o timoneiro olímpico Ruy Valença), parte dele colocado numa pequena sala anexa às dos troféus -, quando lhe pedimos que exprimisse o que sentia após apreciar este acervo fotográfico tão importante para o Clube de Caminha, começou por nos dizer que "em primeiro lugar sinto-me com orgulho de ser filho de meu pai".
Essa honra aumenta por "ter um pai que foi uma peça importante na história desta Casa que comemora agora 100 Anos, e que deixou aqui marcas, como se viu através das fotografias, e pelo espólio que eu próprio cedi há um ano".
Esse espólio foi organizado e "muito bem catalogado ao longo de décadas", acentuou Paulo Valença, o que tornou "fácil transferi-lo para o Sporting Club Caminhense".
Adimitiu ser "um orgulho maior por ver que a imagem e marca Ruy Valença estão aqui muito presentes", entendendo, por conseguinte, que "cumpri o meu dever de filho", correspondendo, seguramente, "ao gosto que o meu pai teria, quando deixou tudo bem arrumado para o futuro".