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Ferry-boat é tema actual

BE pediu explicações

Rui Lages diz que ponte, "a curto prazo não resolveria nada"

OCP emitiu comunicado acusando presidente da Câmara de mentir

AECT-Rio Minho inclina-se para um ferry eléctrico e descarta hovercraft e túnel

O ferry-boat agoniza há mais de dois anos sobre o lodo concentrado no cais de atracação de Caminha, depois de o pontão existente na Pasaje ter colapsado, impedindo o prosseguimento das viagens entre A Guarda e Caminha.

Portos da Galiza anunciaram a recolocação da plataforma para 18 de Agosto, o que não sucedeu. Mesmo assim, a retoma do serviço não poderia ser feita porque o barco se encontra inoperacional apesar de a Câmara de Caminha ter gasto 10.000€ para a sua manutenção em 2022, conforme alertou a OCP em comunicado em que acusa o presidente Rui Lages de ter mentido, e se insurge com este gasto que reputou de desnecessário perante o estado actual da embarcação.

Na última Assembleia Municipal de Caminha (Setembro) o tema foi reaberto pela oposição.

O BE, pela voz de Abílio Cerqueira, criticou o impasse na recuperação desta ligação fluvial, nomeadamente pela inércia demonstrada pelas autarquias para preparar o desassoreamento, estranhando que se invoque agora este problema, "como se fosse uma novidade" que o canal de navegação ficasse intransitável nestes "três anos".

Assim, decidiu perguntar ao presidente da Câmara de Caminha por que razão não tinham tratado do processo do desassoreamento durante o período em que o barco esteve (e está) imobilizado, tendo deixado a sua solução para depois da reinstalação do pontão no cais galego.

Pretendeu ainda saber se durante o período de imobilização da embarcação tinham sido realizadas operações de manutenção, se ainda existia a tripulação que compunha a sua dotação e se lhe era possível adiantar uma data para que o transbordador chegado ao Rio Minho em 1995 pudesse voltar a navegar.

A terminar, o bloquista recordou uma promessa eleitoral socialista, a da substituição do actual ferry-boat por outro eléctrico, pedindo, por conseguinte, que fossem prestadas informações.

Embora sem fazer qualquer referência ao ferry-boat, Ricardo Cunha, líder da OCP nesta sessão, manifestou o seu apreço pela realização de um encontro entre os dois alcaides, de A Guarda e Caminha, conforme constava da informação do presidente Rui Lages prestada aos 35 membros da AM - e que também serviu de pretexto para as questões colocadas pelo deputado municipal que o tinha precedido -, por entender ser importante "colaborar com a outra margem do Rio Minho".

"É mentira"

Em resposta à temática do ferry-boat, Rui Lages reconfirmou a reunião mantida com o novo alcaide de A Guarda, mas criticou a "pergunta fechada" feita pelo bloquista quando referiu que não tinham abordado o problema do assoreamento, quando deveria ter perguntado se este assunto fora objecto de conversações entre ambos.

Portanto, Rui Lages disse que era mentira que o caso da concentração de areias não tivesse sido analisado.

Aproveitou ainda o momento para esclarecer o deputado municipal do BE que no tempo do anterior alcaide António Lomba, já tinham subscrito uma "carta conjunta", a 26 de Outubro de 2022, dirigida à ministra da Coesão Territorial, fazendo-lhe ver a importância da manutenção desta ligação fluvial entre as duas margens.

Justificou a data do envio da missiva à ministra, pelo facto de ir ocorrer dias depois em Viana do Castelo uma cimeira ibérica entre os dois governos, determinando que fosse exercida alguma pressão sobre os ministérios de ambos os países com tutela na matéria.

Acrescentou que, posteriormente, os dois presidentes de câmara continuaram a contactar os respectivos governos, de modo a "articular" entre ambos, ou em alternativa de uma forma individual, quem poderia "fazer o desassoreamento do rio", atendendo a que nenhum dos municípios possuía "capacidade financeira" para o levar por diante.

Pedido levantamento batimétrico

Tentando esclarecer todas as démarches realizadas por si, Rui Lages deu conta ao deputado bloquista que "continuei a trabalhar", tendo solicitado a 28 de Abril de 2023 ao director-geral dos Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos que os informasse da quantidade de metros cúbicos de areia necessários dragar para que o barco voltasse a navegar, cuja resposta ainda não chegou, "não por falta de insistência", atalhou.

O presidente da Câmara Municipal aproveitou a deixa do BE para esclarecer todo este processo durante os últimos tempos, indicando que a autarquia tem vindo a efectuar pequenas intervenções, através dos técnicos camarários "afectos ao ferry-boat" e "investimentos pontuais de manutenção", embora reconheça ser "um trabalho inglório".

"Assente num banco de areia com lodo"

Contudo, estas intervenções desanimam o autarca, atendendo a que o ferry se encontra "assente num banco de areia com lodo" nas marés baixas, o que origina um apodrecimento "célere" num barco "com a minha idade, ou não anda longe", pormenorizou, significando que "a sua vida útil já foi", apesar dos cuidados que os manobradores e técnicos do barco fazem periodicamente, pondo os motores a trabalhar.

Perante este cenário, a Câmara tem procurado outras soluções através das verbas do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), cujo financiamento poderá viabilizar a compra de um ferry-boat eléctrico "semelhante ao de Aveiro", com custos na ordem dos nove milhões de euros, sendo possuidor de "menos calado, mais curto, transportando menos pessoas e um número mais reduzido de viaturas".

PRR será solução…

Logo que o PRR esteve em discussão pública "aproveitamos e fizemos a discussão pública deste documento", adiantou o autarca, porque detectaram que numa das suas rubricas existia a possibilidade de "aquisição de veículos eléctricos para carga e transportes oceânicos". Por entenderem ser "redutora" a exclusividade oceânica, no decorrer dessa discussão pública a Câmara de Caminha fez notar que se tinham esquecido de outras situações, nomeadamente as fluviais, vincando nessa reclamação a "especificidade do nosso rio": "troço internacional, efectivação de uma ligação transfronteiriça entre Portugal e Espanha e a necessidade de termos essa ligação regular e permanente", o que não sucede actualmente, completou.

...para linha de financiamento para compra de um ferry

Rui Lages aproveitou ainda para avançar que o AECT-Rio Minho (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial) já apresentou o ante-projecto relativo às viabilidades de ligação entre Caminha e A Guarda", após terem procedido ao estudo de várias hipóteses (ferry, hovercraft, ponte).

Segundo adiantou, o hovercraft foi descartado por ser "muito dispendioso a nível de combustível e ruidoso" e que quanto a uma ponte, "a curto prazo não resolveria nada" por ser morosa toda a tramitação, quedando-se pela solução do ferry-boat, como "a mais indicada, com um calado mais curto".

No decorrer desta explanação, Rui Lages sossegou Ricardo Cunha, ao dizer que o relacionamento com o concelho de A Guarda se manteria, independentemente da cor política de cada um.

Ferry eléctrico como melhor solução a curto prazo

No seguimento deste debate estabelecido na AM, a OCP viria mais tarde a emitir um segundo comunicado baseada no estudo da AECT-Rio Minho sobre as ligações entre as duas margens na foz do Rio Minho.

Nesse estudo, teriam sido consideradas inviáveis as hipóteses de travessia por hovercraft e construção de um túnel, e quanto à ponte, além de dispendiosa (80 milhões de euros) só poderia concretizar-se dentro dos próximos 15-20 anos.

Assim, restaria como alternativa a curto prazo a continuação da ligação por ferry-boat (eléctrico), com capacidade para 50 a 70 passageiros, apenas 5/6 viaturas ligeiras e 2 autocaravanas, ficando descartada a hipótese de transportar viaturas pesadas como sucedia até aqui, referindo que entre os dois países deveriam ser estabelecidos acordos regulares de desassoreamento do leito do canal de navegação, pese embora o novo transbordador possua um calado menor. Nas duas margens deveriam ser colocados postos de abastecimento eléctricos.


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