Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia de Riba d'Âncora, não hesitou em classificar a obra em curso de adaptação da antiga Escola Básica em Centro de Dia, como "a mais importante destes três mandatos".
A meio do seu terceiro e derradeiro mandato à frente dos destinos de Riba d'Âncora - a legislação eleitoral impede que os presidentes de junta e câmara se recandidatem por uma quarta vez -, Paulo Alvarenga encontrou neste projecto uma forma de substituir a falta de crianças na freguesia - e que ditou o encerramento da escola - pela criação de "todas as condições aos que que aqui trabalharam a vida inteira", em referência aos idosos que, presentemente, são acolhidos nas instalações do Centro Paroquial, as quais são manifestamente insuficientes para as necessidades actuais.
Apesar dos contratempos ("imprevistos") da obra, e que obrigaram à instalação de uma rede eléctrica completamente nova e que importará em 70.000€, assinalou o autarca, os trabalhos prosseguem "em bom ritmo", encontrando-se na fase de acabamentos, contando que estejam terminados entre Agosto e Setembro, embora gostasse que fosse inaugurada no Dia da Comunidade Ribancorense (15/Agosto).
Em paralelo, a Junta plantou 50 árvores de fruto no terreno envolvente, a pensar nos idosos que virão a desfrutar delas.
A consignação da obra ocorreu a 20 de Agosto de 2021.
Restauro da Capela de Stº Amaro
O que deverá ser inaugurado no Dia da Comunidade, será a obra de restauro da Capela de Stº Amaro, anunciou o presidente da Junta no decorrer da Assembleia de Freguesia do passado dia 27.
Toda a pedra necessária para a reabilitação do pequeno templo já se encontra no local e a Câmara Municipal vai disponibilizar mão de obra para os trabalhos.
Nesta igreja realiza-se a festa que "mais diz à população de Riba d'Âncora", assinalou o autarca, contando obter alguns fundos para o restauro através das inscrições para a Rota das Capelas, por exemplo, que se realizará no próximo dia 23 (Domingo) e terminará no Forno Comunitário onde decorrerá o convívio dos participantes.
"O que está feito, está pago"
A autarquia ribancorense tem ainda como projecto adquirir os terrenos ao redor da capela, tudo dependendo das negociações com os seus proprietários, respondeu Paulo Alvarenga ao morador Pedro Martins, acrescentando que os custos com a recuperação são difíceis de determinar, dado que a mão de obra é grátis. A pedra custou 5.000€ e é intenção da junta "reduzi-los", garantindo Paulo Alvarenga que "a Junta de Freguesia não tem dívidas, o que está feito, está pago".
Junta não utiliza herbicidas
A questão da limpeza das freguesias, nomeadamente nesta época do ano, merecem a atenção dos autarcas.
Vítor Lourenço, delegado da OCP, deu os parabéns ao Executivo local pela antecedência com que os trabalhos foram executados e sugeriu que este louvor constasse em acta, merecendo o tema outro comentário de Vitor Hugo (delegado eleito na lista apoiada pelo PS), sugerindo a contratação de uma empresa para reforçar esse serviço.
A contratação de mais pessoas já aconteceu, como sucedeu para a limpeza da estrada da Veiga, esclareceu o presidente, mas nem sempre há empresas disponíveis, acorrendo aos serviços dos sapadores dos Baldios, embora estejam presentemente com poucos homens no activo por se encontrarem de baixa.
Nesta matéria, Paulo Alvarenga garantiu que não utilizará herbicidas (aliás, registe-se que no próximo concurso aberto pela Câmara Municipal para limpeza dos espaços públicos fica excluído uso destes produtos químicos), porque escorrem através das águas pluviais para o rio Âncora, podendo afectar a estação de captação de Vila Praia de Âncora.
"Muitas coisas mudaram na freguesia" após a sua equipa ter assumido a Junta, precisou, após manifestar contentamento pelo reaparecimento de pirilampos, sardões e rãs, entre outras espécies desaparecidas.
Espelhos colocados
A Junta de Freguesia já colocou espelhos em vários pontos da freguesia, após terem chegado recentemente quatro destes equipamentos, elucidou o líder do Executivo local em resposta a uma insistência do delegado Vítor Lourenço, apenas estando a estudar o melhor local para o ponto da Fonte Susana.
A AdAM já se encontra a repavimentar os pontos onde se detectavam deficiências após a instalação da rede de saneamento, adiantou o autarca ribancorense à interpelação do delegado da OCP, como são os casos do Crieiro e Estrada Nova. Ainda respondendo a Vítor Hugo, assumiu que não existem condições para colocar calçada no caminho de Fontaínhas, enquanto que não terminarem a obra e equipamento do Centro de Dia.
O saneamento para Juía, Trás-o-Rio e Aldeia Nova depende de aprovação de candidaturas, porque "são obras caras", acentuou Alvarenga, implicando valores na casa dos cinco milhões de euros, podendo ser concretizadas "em duas fases", respondeu ao delegado da sua lista Vimané.
Paulo Alvarenga aproveitou para tecer críticas às opções tomadas no passado no tocante à colocação das estações elevatórias na freguesia, podendo afectar nascentes e o rio Âncora.
Instado igualmente pelo mesmo delegado, a Junta referiu que o programa do Dia da Comunidade ainda não se encontra completo, mas é sua intenção que mantenha as características habituais: cultura e inauguração de uma obra, contando que seja a da Capela de Stº Amaro.
O arranjo do piso em Vila Verde poderá ser uma realidade no próximo ano, assim espera o autarca, contando com a intervenção camarária para o efeito, explicou ao mesmo delegado. O crescente movimento no Forno Comunitário justifica-o.
ARA não é esquecida
As associações locais não são esquecidas, como é o caso da Associação de Riba d´Âncora, apoiada aquando das comemorações dos seus 40 anos, com o apoio do Conselho Directivo dos Baldios, pretendendo conceder um subsídio de 5.000€ destinados a apoiar a compra de fatos novos para o seu grupo cultural, a par de concederem transportes nas suas deslocações.
Um segundo freguês presente na reunião, lamentou a forma como tinham sido executados os arranjos dos pisos após a colocação da rede de saneamento, mas Paulo Alvarenga lamentou que a lei obrigue a entregar a obra à melhor proposta, embora os autarcas conheçam que a qualidade dos seus serviços não seja a melhor e, "depois dá asneira", respondeu a José Gonçalves.