Após várias peripécias que rodearam a legalização do edifício onde ainda funciona o Centro de Dia pertencente ao Centro Paroquial e Social de Santa Maria de Riba d'Âncora, bem como as tentativas frustradas para construir de raiz uma nova estrutura em terreno cedido pela própria instituição, nomeadamente perante a impossibilidade de conseguir candidaturas que assegurassem o financiamento da obra, eis que surgiu a hipótese de aproveitar a antiga escola primária para esse efeito, uma construção de 1982 e encerrada em 2014 devido à crise demográfica que fez regredir o número de alunos na freguesia.
Flamano Martins historiou o processo
Flamiano Martins, vice-presidente da direcção do Centro Paroquial, aproveitou o acto de consignação da obra à empresa "Baltor" que irá decorrer durante os próximos seis meses no edifício da antiga escola básica e jardim de infância presentemente sem utilização, para enumerar as vicissitudes de que foi alvo este processo, até que em 2015, numa visita ao local dos presidentes da Câmara e da Junta de Freguesia, foi delineada uma estratégia que possibilitasse uma comparticipação de fundos comunitários para o seu financiamento.
Nesse sentido, dado que o imóvel pertencia à Câmara Municipal, foi celebrado um contrato de comodato no ano seguinte que permitiu ceder o edifício da escola ao Centro Paroquial durante os 50 anos seguintes, "a título gratuito".
Nesse mesmo ano, entrou na Câmara Municipal de Caminha um pedido de licenciamento para um projecto de requalificação e ampliação do edifício, da autoria do arquitecto Pita Guerreiro.
Após vários ajustamentos de preços e do projecto, foi possível ultrapassar novo impasse, até que em 2020 o valor da obra rondaria os 255 mil euros, "aproveitando ao máximo a estrutura existente", sendo que o Conselho Directivo dos Baldios terá disponíveis 200.000€ (em tranches de 50.000€, caso seja necessário) anunciou João Gonçalves, vice-presidente deste órgão, beneficiando ainda de uma candidatura do Portugal 2030 no montante de 119.000€.
Flamiano Martins agradeceu a uma série de entidades e pessoas envolvidas neste processo, sem deixar de sublinhar que "durante 30 anos de existência do Centro de Dia", a Fábrica da Igreja disponibilizou gratuitamente as instalações onde ainda funciona, agradecimento esse comungado pelos trabalhadores e voluntários, ao permitir apoiar "centenas de utentes, a maioria já falecida, e os actuais que têm os olhos postos nesta obra que os vai acolher em breve", auspiciou.
"Uma casa que nos diz muito!"
No decorrer deste acto de consignação que decorreu na manhã do passado dia 20 de Agosto nas instalações da antiga escola primária, o pároco Manuel Joaquim manifestou a sua satisfação pelo aproveitamento "desta casa que nos diz muito".
"Todos unidos"
No entender de João Gonçalves, "Riba d'Âncora dá hoje um passo no seu desenvolvimento, de modo a "acolher os nossos idosos e de outras freguesias", elogiando o facto de "estarmos todos unidos" depois de passarem "tempos difíceis", recordou, que "ultrapassaremos", assegurou, fazendo votos para que a empresa se aplique na concretização da obra.
"Finalmente, vai ser uma realidade na nossa freguesia!"
As dificuldades sentidas no decorrer destes anos foram admitidas por Paulo Alvarenga, presidente da Junta de Freguesia, após o que elogiou o papel de Flamiano Martins neste processo, bem como o do arquitecto, porque acabaram por optar "por uma segunda escolha", mas que resultou, "ao conseguirmos baixar 300.000€ nos custos".
O papel da actual Câmara mereceu igualmente uma referência especial, atendendo a que "nunca nos negou nada" e, prosseguindo, "o que lhe peço (a Miguel Alves) não é para mim, mas sim para a nossa terra".
Considerou ainda uma "transformação" a que se vai operar em Riba d'Âncora, e, "eu já me estou a rever daqui a uns anos" a beneficiar dos seus serviços, porque "os anos passam", insistiu Paulo Alvarenga.
"É um gosto!"
Esta obra permitirá "servir a população mais fragilizada do Vale do Âncora"(…)"e os que aqui fizeram a sua vida", incluindo o apoio domiciliário, destacou Miguel Alves, presidente do Executivo caminhense, ao expressar-se no final da assinatura do acto de consignação de uma obra que demorou o seu tempo a alinhavar, por "ser complexa e haver necessidade de paciência" na busca de um espaço, um projecto adequado e o respectivo financiamento.
"É uma sorte tê-lo cá", ao referir-se ao papel do pároco Manuel Joaquim ao serviço da população, sem deixar de sublinhar igualmente o trabalho de Flamiano Martins em prol do "serviço cívico" e "comunitário", mesmo depois de ter feito o seu percurso de vida autárquica.
Miguel Alves não esqueceu de igual modo a intervenção do presidente da Junta de Freguesia que "tem um coração que bate forte e às vezes até muito", ao distinguir-se "na capacidade de unir", mesmo que haja diferenças de opinião.
Dirigindo-se a este autarca, observou que "contigo ninguém relaxa", inclusivamente nas suas funções como presidente do CD dos Baldios, contribuindo para que a própria população "saiba estar à altura das circunstâncias".
O próprio construtor que se prepara para arrancar com a obra, mereceu outro elogio do presidente da Câmara pelo seu trabalho no investimento público, dando como exemplos a incubadora de Argela, as redes de água e saneamento, a EB 1 de Vila Praia de Âncora - prestes a ser inaugurada, sublinhou - e a C+S de Caminha, o que o levou a mostrar-se convicto de que "eles vão cumprir" com os prazos.
Nesta maré de elogios, Miguel Alves não deixou de fora a capacidade revelada pelo arquitecto em "encontrar sempre soluções" perante a necessidade de reduzir custos, para que "este edifício venha a ter uma nova vida".
"Este é o nosso dever"
Reportando-se ao campo social, o autarca caminhense apelidou de "revolucionário" o que será feito no concelho nos próximos anos, com investimentos de mais de cinco milhões de euros de fundos comunitários, citando todos os projectos financiados, os quais "não aparecem no Facebook", lamentou.
Terminando, Miguel Alves asseverou que "temos de cuidar dos mais velhos e isto é um equipamento de futuro", porque, incidiu, "este é o nosso dever".
Plantada árvore
No final, foi plantada uma árvore e feita a bênção "simbólica" de uma pedra representativa do lançamento da obra com a presença do Conselho Paroquial presidido pelo pároco de Riba d'Âncora.