O Rio Minho constitui uma fonte de vida que ao longo dos séculos até aos nossos dias, fixou populações, criou riqueza e influenciou modos de vida.
Espécies piscícolas que promovem a gastronomia da região, como a lampreia, o sável, e a solha, ou a produção de um vinho único, que é referencia da mais alta qualidade a nível mundial, tornam o Rio Minho um viveiro de oportunidades, de desenvolvimento económico e de progresso para a região.
O Rio Minho é simultaneamente um dos cursos hídricos da Península, com maior índice de aproveitamento hidroeléctrico, dada a morfologia dos terrenos por onde passa. Estes empreendimentos, na sua maioria construídos nos anos sessenta e setenta do passado século, não tiveram em conta qualquer preocupação ambiental e social, sendo responsáveis pelo desaparecimento de espécies como o salmão e a diminuição drástica das capturas de sável, assim como, do assoreamento dramático que se verifica no estuário e barra do Rio Minho.
Quando em 1998 foi reprovada a construção da barragem de Sela, fruto das reclamações das autarquias, das associações e da maioria esmagadora das populações, consubstanciada no parecer negativo do ElA (Estudo de Impacto Ambiental), julgava-se que este problema estaria ultrapassado. Recentemente foi conhecida a intenção da EDP e União Penosa em construir três barragens, às quais camufladamente chamam mini hídricas, em substituição da original barragem de Sela.
Numa altura que o Concelho de Caminha, a par de outros Concelhos ,da região decidem e bem, apostar na produção de energia eólica, a construção de mais 'barragens no Rio Minho, independentemente das suas características, tal bizarra e inaceitável proposta constitui uma facada nas preocupações ambientais e um retrocesso no desenvolvimento e qualidade de vida dos cidadãos.
Estima-se que mais de 200 hectares de terras altamente produtivas serão inundadas, introduzindo alterações climáticas substanciais que poderão pôr em risco a produção do vinho Alvarinho. Também o efeito de assoreamento do estuário e foz será agravado, algo incomportável para o Município de Caminha, a braços com a delicada situação actual que impede a normal faina piscatória.
Os Vereadores do Partido Socialista entendem que o Município de Caminha através da Câmara Municipal, deve sem demora ou hesitações tomar uma posição clara sobre a matéria em apreço e veiculá-la às estancias competentes, nomeadamente os Ministérios do Ambiente de Portugal e Espanha ou em reunião do Conselho de Bacia onde o assunto será abordado .
Por estas e outras muito ponderáveis razões, propõe-se que a Câmara de Caminha exprima um voto de inequívoca discordância da construção de novas barragens no Rio Minho .