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Sporting Club Caminhense

"Vão buscar o Mami!"(…)"É o melhor treinador para o clube!"

A polémica instalada desde Quarta-feira no seio do Sporting Club Caminhense, após o treinador João Santos ("Mami", como é conhecido no mundo do remo) ter anunciado nesse dia aos atletas que deixava de ser o técnico principal, teve repercussão imediata na assembleia geral já convocada previamente para o dia seguinte, com a finalidade principal de aprovar o relatório e contas do ano passado.

Vários sócios interpelaram a direcção sobre a demissão do treinador que tinha conseguido formar uma tripulação juvenil de Shell/8 vencedora em todas as provas em que participara esta época, incluindo o Nacional de Fundo, e que tem como objectivo no início do próximo mês de Julho conquistar o Nacional de Velocidade.

Sem possibilidades de formar tripulações juniores e seniores de Shell/8 para competir nos Nacionais de Velocidade de Julho, o Oito Juvenil acabava por ser a grande aposta da época, a par de outros barcos curtos, como é o caso, por exemplo, da dupla feminina (2X) igualmente juvenil, candidata número um a arrecadar a primeira posição neste tipo de barco nos mesmos nacionais.

Antes que o assunto do treinador fosse aflorado por algum sócio, Pedro Fernandes, presidente da direcção há oito anos, deu a sua versão da polémica existente, confirmando que tinha falado com o João Santos na Quinta-feira de manhã, inteirando-se do seu estado de saúde e sobre eventuais desentendimentos com a direcção, garantindo que este lhe negara existirem problemas com os elementos directivos. Acrescentou que o treinador demissionário lhe dissera que estava doente e que tinha pedido desculpa aos atletas, além de lhes pedir que regressassem aos treinos. Adiantou que ainda não havia um técnico substituto e que mantinham o plano de treinos delineado pelo João Santos, após o que lhe propôs um voto de louvor.

Um associado, Miguel Braga, pediu ao presidente que "rectificasse" as suas palavras porque também tinha falado com o treinador, tendo-lhe este confirmado que se encontrava doente e "desgastado", mas que era adorado pelos jovens remadores, e de um dia para o outro, a maioria dos miúdos passaram a odiá-lo, e vir agora a propor-lhe um voto de louvor, "isso dói-me muito, porque aquele homem merece mais respeito", vincou.

Miguel Braga acentuou que 20% dos problemas do técnico eram de saúde, mas os restantes 80% eram motivados por problemas com a direcção. Sem pretender dizer que um ou outro estava a mentir, o sócio insistiu com o presidente da direcção para que rectificasse o que tinha afirmado, após o que desejou muito sucesso para o clube, nomeadamente na captação de atletas juniores e séniores, porque "estamos há anos e anos a viver da formação", devido à inexistência de um plano desportivo.

Insitiu na necessidade de manter os seniores no clube, não entendendo porque iam comprar um Shell/8 se não existiam remadores neste escalão etário "em quantidade suficiente" para formar um oito, embora, hipoteticamente, o novo barco pudesse atrair atletas, admitiu.

Considerou que o actual presidente é melhor como técnico do que no actual cargo, atribuindo essa falha às suas múltiplas ocupações ("está em muitos cargos ao mesmo tempo", assinalou), o que trouxe como consequência que durante muitos períodos o João Santos se encontrava sozinho no posto náutico.

Miguel Braga recordou à direcção que os estatutos do Sporting Club Caminhense apontam o remo olímpico como a sua modalidade fundamental, e não o remo de mar, natação ou ténis, devendo os responsáveis pelo clube "ser cuidadosos" com este pormenor, porque se não houver atletas, este clube não faz sentido", nem os sócios se vão deslocar para ver remo de mar ou natação.

Este sócio teme pelo futuro do clube se esta situação não se inverter, sugerindo que façam deslocar os miúdos à sede para que constatem a sua história e apreciem presencialmente os troféus conquistados ao longo de décadas.

Perante a divergência de interpretação das razões aduzidas pelo técnico demissionário, Pedro Fernandes insistiu que ele tinha centrado a sua decisão no facto de estar doente, e quem quiser acreditar que acredite, quem não quiser que não o faça.

Contudo, a controvérsia prolongou-se, após outro associado, José Manuel Gomes, ter aconselhado a direcção a ir embora, "se não conseguem" atingir os objectivos, lamentando que o seu filho esteja a remar num clube muito pior do que no tempo em tinha sido remador.

Criticou que ninguém tivesse telefonado ao João Santos no dia em que não compareceu no posto náutico, fazendo-o apenas no dia da AG, dizendo que ele deveria ter sido mais respeitado porque tinha sido um remador olímpico e "o quanto ele vive este clube", relevou, tal como os atletas.

O desempenho de João Santos no clube foi também elogiado por Jofre Pinto, recordando que ele próprio o tinha auxiliado no posto náutico. Afirmou que o João Santos (seu antigo atleta, tal como outros que citou), tinham dado o máximo pelo clube e que não estava doente, mas alguém o tinha posto doente, o que seria diferente.

"Pôr os atletas a remar à Caminhense"

Deu como exemplo a arrumação que ele dera ao posto náutico, incluindo a instalação de um elevador, ideia desvalorizada por alguém que a classificou depreciativamente como uma "árvore de Natal". Referiu que o João Santos tinha conseguido reunir um grupo de juvenis que se tornou num Shell/ vencedor e perguntou como tinha sido possível vender dois oitos sem autorização, tendo no entanto elogiado a direcção por ter comprado uns remos holandeses que o treinador adaptara com mestria.

Reconsiderem

Assim, pediu à direcção para ir buscar o Mami, porque ele tinha arrumado o posto náutico, tinha conseguido "pôr os atletas a remar à Caminhense"(…)"e com a sua calma, tem modificado aquilo, tem ensinado e posto muitas coisas a funcionar", além de não ter sido tratado devidamente pela direcção, quando o que ele pretendia era ter "poucos barcos, mas bons", dando como exemplo um Shell/2- levado ao Nacional no ano passado que não agradou.

"Vão buscar o homem. Vocês não têm melhor nesta altura!", acentuou Jofre Pinto, e peçam-lhe desculpa, se pretenderem ganhar alguma coisa, um desejo expresso igualmente por José Manuel Gomes.

A questão da saída do treinador foi abordada também pelo remador Joni Santos (filho do treinador), dizendo que concordava "plenamente" com o que tinha sido dito pelos sócios Miguel Braga, Jofre Pinto e José Manuel Gomes, reconfirmando que "a degradação psicológica do treinador — que é o meu pai —, deve-se a alguns membros da direcção do Caminhense que de há dois anos para cá, sistematicamente, levam uma pessoa ao ridículo, incluindo na sua apreciação o próprio funcionário por não ajudar o treinador, ao abandonar o clube "e ir tomar café onde quer", além da falta de higiene existente no balneário, "por estar a feder a urina" durante uma semana.

Este foi um dos temas fulcrais da reunião, em que muitos outros pontos foram discutidos, muitas vezes acaloradamente, a relatar proximamente.

Refira-se que, entretanto, os remadores retomaram os treinos — correspondendo assim ao próprio pedido do treinador demissionário.

Ucranianas no SCC

O acolhimento no concelho de Caminha de refugiados, nomeadamente da Ucrânia, poderá permitir que duas atletas da seleção desse país venham a integrar o lote de remadores do Sporting Club Caminhense.



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