Remadores juvenis e juniores do Sporting Club Caminhense dirigiram-se ao posto náutico ao fim da tarde de ontem, mas recusaram treinar.
Exigem que o seu treinador João Santos volte a orientá-los.
Nesta época, o Shell/8 Juvenil (a única tripulação de 8 que o SCCaminhense possui actualmente) tem arrasado em todas as provas em que tem participado, estando agora focado na conquista do Campeonato Nacional de Velocidade, tal como o Double-scull júnior feminino, igualmente vencedor na prova de Fundo, composto por duas jovens de valor de Vila Praia de Âncora.
Contudo, esta crise pode pôr em causa este e outros objectivos.
Remador prestou declarações, mas depois recuou
Pedro Silva, natural de S. Lourenço da Montaria, rema há cinco épocas no Caminhense e vem treinar com os demais atletas seis dias por semana (com excepção da Segunda-feira), incluindo as provas que se realizem aos fins de semana. O voga deste Shell/8, explicou-nos a razão desta posição conjunta, mas horas, depois, enviou-nos um e-mail a dizer que não autorizava que publicasse as suas declarações, porque "posso pegar neste e-mail e fazer queixa na GNR".
Contudo, outro remador do Shell/8, Duarte Braga, confirmou-nos que nessa manhã, todos os remadores tinham recebido uma mensagem do treinador João Santos informando que ia abandonar essas funções, porque estava doente e existia mau ambiente com a Direcção. Este remador elogiou o trabalho de João Santos, pretendiam que ele se mantivesse em funções, "pelo que era fundamental para a nossa equipa" e que não voltariam a remar, caso ele não regressasse, porque ele tinha sido o responsável pela preparação da equipa de Shell/8 Juvenil vencedora.
Refira-se que que os remadores pagam 20€ mensais por praticarem remo olímpico - não pela ficção do remo de mar introduzido no SCC há oito anos - e mais 15€ para o transporte para os treinos.
Diana Alves, 16 anos, e Mariana Matias, 17 anos, campeãs nacionais de Fundo em double-scull júnior, embora já tivessem conquistado outros títulos nos escalões inferiores, manifestaram a sua admiração pelo trabalho do seu técnico, referindo a segunda que "não me sinto capaz de continuar sem o treinador", insistindo ambas que pretendem prosseguir esta modalidade desportiva, caso João Santos volte.
Tudo "pacífico"
Na altura em que os atletas se encontravam concentrados junto ao posto náutico, a direcção (ou parte dela) estava no interior do posto náutico. Falamos com Pedro Fernandes, presidente da direcção, questionando-o sobre a eventual recusa dos remadores em continuarem a treinar face à ausência do treinador João Santos, respondendo-nos que "não tenho conhecimento de nada", dizendo que estava tudo "normal", apenas confirmando que o treinador apresentou a carta de demissão nos grupos sociais". Mas em concreto com a direcção, "não veio falar connosco", o que o levou a dizer que "não posso opinar" sobre a eventual demissão, "sem falar com a pessoa em concreto", reforçando que "eu tenha conhecimento", não tinha existido qualquer problema concreto com ele.
"Calmíssimo"
Insistindo perante esta recusa dos miúdos em treinarem, Pedro Fernandes disse-nos que "o melhor era perguntar aos miúdos porque é que não querem vir treinar", e que se pretendem que ele se mantenha, "vão a casa ter com ele", aconselhou, porque da parte da Direcção "não sabemos o que se passou", acentuando que tudo se encontrava "calmíssimo".
Referiu ainda que ca be aos pais decidirem se os filhos vêm treinar ou não
Questionamo-lo sobre a compra de um frota, referindo-nos que a Direcção já encomendou um barco, embora não quisesse referir qual, apenas dizendo que "chegará brevemente".
"Suspense"
Embora não pretendesse responder sobre o barco em ca usa, dizendo que "é segredo da direcção" e desejarem "fazer suspense até ao dia em que chegar", no entanto o C@2000 sabe que se trata de um Shell/8 em segunda mão, para remadores com peso entre 80 e 90 kg.
Restrições no acesso ao posto náutico
Desde há uma semanas, foram colocados uns avisos à entrada do posto náutico, restringindo o acesso às instalações, situação nunca vista até agora.
Segundo Pedro Fernandes, "é a nossa forma de trabalhar", tendo colocado tal informação "para toda a gente, em letras bem visíveis", e qualquer pessoa pode entrar cá "com autorização, como é lógico", incluindo os próprios sócios.
Questionado sobre esta medida tomada depois de estarem na direcção há alguns anos, respondeu-nos que "é um espaço onde estão menores, mulheres, miúdas, atletas, sendo um espaço reservado para atletas, treinadores e directores", devendo ser pedida autorização (incluindo os sócios) à direcção ou ao funcionário, no qual depositam confiança, asseverou.
Contactado João Santos, até ontem treinador do clube, referiu-nos que se encontrava doente, facto que já tinha comunicado à direcção, além de "ter vivido este clube de outra maneira", lamentando apenas pelos miúdos ("foi o que me custou mais", sublinhou).
Referiu que os jovens atletas tinham falado com ele e que lhes tinha dito para irem treinar.
Assumiu, por último, que "chocámos" (ele próprio e direcção), pelo que "se o ambiente fosse outro", este desenlace poderia não ter acontecido.