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Vila Praia de Âncora

Casa de Agricultores vai tornar-se num albergue
e num centro do mundo rural e agrícola

Um casal de Vila Praia de Âncora herdou uma quinta ("Quinta das Quinhas") do avô do marido, localizada numa das travessas de acesso à Rua de Bulhente, e decidiu tornar aquele hectare num espaço virado para o mundo rural - como ele foi no passado - em que peregrinos e pessoas apostadas em praticar agricultura num ambiente tranquilo o possam fazer já a partir de meados (Abril/Maio) do próximo ano.

Pessoas procuram alternativas no campo

André Verde e Patrícia Labandeiro investirão cerca de 300.00€ neste projecto que "valorizará Vila Paia de Âncora e o concelho" e recuperando desta forma uma habitação, anexos de lavoura e uma quinta que "estava em muito mau estado", revelou o primeiro, ao iniciar a visita guiada a este espaço rural da vila.

Ambos são peregrinos e como a "Quinta das Quinhas", totalmente murada, se encontra a cerca de 800 metros do Caminho de Santiago, esta aposta coaduna-se com estes dois factores, acrescentou Patrícia Labandeira, embora não pretendam que se limite a um mero albergue, mas, essencialmente, "aproveitar ao máximo esta vida rural, de campo, e valorizar as potencialidades da região", preservando "todas as características da casa".

Trabalho no campo

Assim, um dos antigos estábulos da vacaria será transformado naquilo que chamam um "coworking" ou "cool-living", ao passo que a própria habitação será adaptada a alojamento das pessoas (nomeadamente estrangeiros) que pretendam desfrutar do contacto com a natureza e a lavoura, numa quinta servida por água encanada proveniente do Monte Bulhente, com cuja encosta a "Quinta das Quinhas" é paredes-meias.

A capacidade de alojamento é para 28 dormidas, existindo espaços para camaratas "de número reduzido", e diversos quartos, resultado do aproveitamento interior do edifício, contando "criar 15 postos de trabalho", incluindo os dos próprios proprietários da quinta.

Este projecto não conta qualquer apoio exterior, obrigando apenas os autores a "algumas mudanças de vida" a fim de "investirmos totalmente neste projecto", acentuaram.

A arquitecta Joana Carvalho, pioneira nestes projectos no Alto Minho desde 2007, foi a autora desta aposta e orientou a visita ao interior do imóvel cujas características tentou preservar e tirar partido "da própria família que aqui viveu" em referência às intervenções que foram sendo feitas e aos materiais utilizados.

Botas e mochilas dos peregrinos terão um espaço reservado à entrada da casa, onde todas as divisões serão adaptadas a camaratas (duas) e quartos com casa de banho. Esta arquitecta insistiu no máximo de integração possível das antigas dependências na nova realidade a criar, dando como exemplo o fumeiro (ainda se notava o cheiro característico dos enchidos por efeito do fumo), o qual, ao invés de ser demolido será adaptado a uma das casas de banho. Azulejos das paredes e dos pavimentos da cozinha deverão manter-se, levando que apenas tenham solicitado autorização à Câmara para obras de recuperação e manutenção do edifício.

"Integração na pacatez que a quinta proporciona"

O antigo estábulo também será adaptado para "coworking", através de "uma intervenção muito crua, deixando os materiais à vista", assimo como não esqueceram que um antigo palheiro também tinha servido com armazém agrícola.

As antigas pocilgas dos porcos servirão para zonas "mais privadas de trabalho", mantendo as portas, incluindo um escritório, e na zona superior, "criar um espaço de lazer", incluindo o próprio gabinete dos proprietários.

Vacas, burros e galináceos povoarão a quinta abastecida de água de mina proveniente do monte de Bulhente através de cantaria, agora com um tubo interior a fim de evitar perdas de água, o que permitirá criar um "lava-pés" para os peregrinos - uma das principais necessidades dos caminhantes, registe-se.

"Exploração sustentável"

Concluída a obra, a "Quinta das Quinhas" servirá para criar parcerias com outras unidades semelhantes, incluindo colaborações com empresas locais, podendo igualmente integrar-se "nestas dinâmicas agrícolas" e aprofundar a "qualidade de vida no trabalho", estando a pensar já na "Dinamo 10 Creative Business", de Viana do Castelo.

Esta horta agrícola foi criada com outra "coworking", a Despertar, que trabalha com pessoas "vulneráveis, portadoras de alguma insuficiência", pretendendo abrir as portas a outras entidades sociais, escolas ou ligadas ao ambiente, de modo a "aproveitar os recursos que nós temos aqui, e criar uma cooperação que poderá beneficiar a todos e viver esta dinâmica em comunidade".

A criação, futuramente, de uma sala mais ampla para convívios e experiências de formação mais alargadas, está de igual modo no horizonte deste casal ancorense.

"Passar esta mensagem de optimismo para a comunidade"

Miguel Alves, presidente do Município caminhense, acompanhado pelo vereador Guilherme Lagido, visitou as obras em curso, e manifestou o seu grado com este projecto que se enquadra "com a política de atractividade do nosso território sustentável".

O autarca acredita que todo o investimento realizado neste domínio "se encaixa para que a nossa terra se torne num sítio mais atractivo e melhor para as pessoas viverem e para que venham para cá aos fins de semana e nas férias".

Assim, adiantou o autarca, juntar o investimento público ao privado, cria condições para casos como este, em que "um casal jovem mude a sua vida, redefina objectivos à procura dos seus sonhos" e tornando-os realidade, enquanto família e negócio e valorizando o espaço, é uma coisa perfeita para nós", vincou.

"Um espaço que vai nascer no Ano Jacobéu"

A presença do presidente do Executivo nesta quinta pretendeu dar um sinal de aprovação e encorajamento a estes investidores "num momento muito difícil em que as nossas mentes e os nossos corações estão tomados pela pandemia, mas em que há ainda muita gente a trabalhar para o futuro", tentando "criar riqueza, albergando os peregrinos de Santiago, os nómadas digitais e criando postos de trabalho neste coworking e que é a primeira vez que acontece no concelho de Caminha".

Referiu que a Câmara se encontra, presentemente, "a divulgar e valorizar este trabalho, evidenciando o seu potencial", pretendendo prosseguir a colaboração, levando as escolas e crianças até aqui, confrontando-os perante uma realidade que muitos não conhecem, numa referência à "ruralidade de seus pais e avós" e "fazendo que aprendam como nascem as plantas e contactem com os animais".




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Edição: C@2000/Afrontamento
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