Marco Domingues, Comandante Operacional Distrital da Protecção Civil, veio entregar na manhã de ontem um louvor a Vítor Silva, Comandante do Corpo Activo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Caminha, atribuído pelo Comando Operacional Nacional, por sugestão da estrutura distrital.
O empenho do comandante caminhense no combate aos fogos florestais do último verão e à pandemia espelhado neste louvor "significa muito", frisou Marco Domingues, porque simboliza o reconhecimento do Ministério da Administração Interna pelo desempenho altruísta deste bombeiro há já 20 anos e que agora exerce funções de chefia.
"Todos fazemos falta"
O Comandante Operacional Distrital admitiu que "todos fazemos falta", particularmente nesta época muito complicada, e considerou "fundamental a competência" demonstrada pelos Bombeiros ao longo dos últimos anos, logo, reputou de altamente meritório este louvor entregue por Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal de Caminha, no Salão Nobre do Quartel-Sede.
Explicou que após três anos de comissão de serviço, o Comando Distrital tinha decidido agraciar todos os comandantes do Alto Minho - com já tinha sucedido com o de Vila Praia de Âncora - e na figura de todos os bombeiros que "compartilharam connosco desde 2017".
Adiantou que durante este período consolidaram "tudo aquilo de que são capazes", apesar de críticas surgidas, por vezes.
"Nunca ficou uma chamada por atender"
Vítor Silva admitiu, em resposta ao louvor prestado, que "nunca ficou uma chamada por atender nos momentos mais difíceis, nem qualquer processo administrativo" por resolver, graças à ajuda do Comando Distrital e do presidente da Câmara Municipal de Caminha, Junta de Freguesia e da Direcção da associação, Comando e Bombeiros, resultando que "tudo isto seja possível" de concretizar.
"O corpo de bombeiros que o senhor formou, treina e dirige"
Este momento foi aproveitado por Luís Carlos Rodrigues, presidente da Assembleia Geral, em nome de todos os sócios, para felicitar o Comandante da Corporação pelo galardão "agora recebido", não esquecendo igualmente o Corpo de Bombeiros que "o senhor formou, treina e dirige, porque entendo", frisou, "que um Comandante forma a sua equipa e o corpo activo, e com o seu empenho, abnegação e dedicação, conseguem valorizar o trabalho e a missão do Comandante", levando-o a deixar "um grande abraço a todos".
"Este galardão não nos surpreende"
A Direcção da AHBVCaminha não ficou indiferente a esta distinção, mas "este galardão não nos surpreende porque o Vítor, desde muito cedo, iniciou esta carreira de Bombeiro", tendo chegado há três anos ao cargo de Comandante.
Casimiro Lages reconheceu que "em boa hora fizemos esta escolha, porque tem dado provas de que é um excelente Comandante, condutor de homens e de uma dedicação extrema ao Corpo de Bombeiros", e só não tem mais horas para se entregar ainda mais aos seus homens, vincou.
Por tais razões, "este louvor é mais do que merecido", reforçou, antes de agradecer à Autoridade Nacional da Protecção Civil "por se ter lembrado do nosso Comandante".
"É cada vez mais fácil exigir ao outro e dar menos ao outro"
Miguel Alves, presidente do Executivo, aproveitou o momento para felicitar de igual modo o Comandante homenageado "pelo teu empenho, trabalho e dedicação, como colocas no teu gesto de comando tudo o que aprendeste como homem e bombeiro", assim iniciou o seu discurso.
O autarca reputou de importante para a comunidade existirem exemplos como o do actual Comandante, em dias em que "é cada é mais fácil exigir ao outro e dar menos ao outro".
Mas o exemplo de Vítor Silva "é precisamente" o contrário da tendência actual, acentuou o autarca, em que vislumbra neste Comandante uma pessoa empenhada em conseguir sempre o melhor para a associação e seus bombeiros.
Além da justeza deste louvor, prosseguiu Miguel Alves, "ele representa precisamente a valia e o valor que a Autoridade Nacional e o Comandante Distrital dá ao teu trabalho", acrescentou ao dirigir-se sempre a Vítor Silva, "pela tua dedicação a esta causa".
"Vocés são a nossa Santa Bárbara"
"As corporações de bombeiros são fundamentais para a nossa vivência diária", nomeadamente naquelas "situações extremas e quando necessitamos de ser socorridos", embora os bombeiros sejam algo "de divino, porque só nos lembramos deles quando troveja", afigurando-se-lhe que "vocês são a nossa Santa Bárbara", porque, aduziu, "não precisamos de rezar. Vocês estão sempre lá".
Comparando com o passado, Miguel Alves assegurou que o corpo de bombeiros se encontra "hoje muito melhor preparado" do que antes, através da "grande capacidade de actuação, de estar no terreno e de resolver muitas situações", a despeito das muitas dificuldades, mas "com vontade de enfrentar os desafios e as dificuldades", porque são estas que andam atrás dos Bombeiros, enfatizou.
Nos tempos actuais, Miguel Alves considerou que o louvor atribuído "é um reconhecimento pelo vosso trabalho" e que importa sublinhar "nestes tempos tão difíceis e exigentes para quem está na linha da frente no combate à pandemia", apesar da existência de alguma "negatividade ao esforço desenvolvido aos meios colocados para encontrar soluções", como se vê nas redes sociais.
Mas "há sempre quem encontre o lado pior da Humanidade"
Reforçou que esta distinção recebida e que corresponde a todo o Corpo Activo, demonstra que "alguém está atento ao que os bombeiros fazem pela população", nestes tempos de "sinais negativos, de feridos e de mortos - e não estou a ser metafórico -, há sempre quem encontre o lado pior da Humanidade".
Miguel Alves reputou de importante dizer estas coisas, nomeadamente a certos agentes políticos "com responsabilidade", quando "temos hoje a oportunidade de ver alguém a louvar essa actividade e a agradecer" a homens e mulheres que "apesar de todas as dificuldades, das lágrimas que já choramos, apesar dos riscos que cada um corre na sua actividade, de todas as dúvidas que acorrem aos Bombeiros quando saem e vão acudir a alguém doente e que pode infectar", não hesitam em auxiliar quem necessita.
"Este gesto tem de ser distinguido"
"Este gesto tem de ser distinguido", vincou o presidente do Município, extensivo a todo o Corpo Activo, pedindo ao Comandante que o transmita a todos, incluindo a Direcção, pelos sete anos que "já temos vivido", em que já aconteceu quase tudo, desde cheias, dunas a cair, erosão de mar, incêndios, pandemias e já falta pouca coisa", em referência a outras catástrofes que ainda não sucederam e que deseja que nunca aconteçam, sinalizou, antes de frisar que "sempre soubemos estar à altura das circunstâncias e a tentarmos ser melhores".
"Orgulho enorme neste louvor"
"Não tenho nada a ver com este louvor, porque ele é teu e dos Bombeiros de Caminha", disse a terminar o autarca caminhense, orgulhoso pela sua entrega nessa manhã, pelo Comandante Distrital.
Referiu ainda que na véspera, na qualidade de responsável pela Protecção Civil a nível distrital, esteve com o Comando do Alto Minho (Comandante Marco Domingues e Vice Comandante Paulo Barreiro) "a instalar um centro de rectaguarda para doentes positivos - uma espécie de hospital de campanha que também poderá servir pessoas do concelho de Caminha -, e, no final dessa missão, sentimo-nos com o dever cumprido".
"E tu, Vítor, podes deitar-te todas as noites com a sensação desse dever cumprido", concluiu.