A Câmara de Caminha e a empresa Unilabs Portugal chegaram a um acordo para a criação de um Centro de Rasteio Móvel à Covid19 a funcionar desde a passada Terça-feira no parque de estacionamento do Ferry-boat, espaço disponibilizado pelo Município caminhense para que sejam feitos testes PCR sem que as pessoas necessitem de sair das suas viaturas.
Logo pela manhã, cinco pessoas já tinham sido testadas pelas equipas instaladas na tenda gigante montada nesse parking, antes da apresentação realizada algumas horas mais tarde.
José Lima, director da Unilabs no Alto Minho, explicou a forma como funciona este posto móvel criado em Caminha devido ao aumento de casos no concelho, o que o colocou na lista dos mais afectados do país.
De segunda a sábado
As pessoas deverão realizar a marcação dos testes pela linha nacional do laboratório (222 401 401), de Segunda a Sábado, até às 19 horas, chegam de carro, realizam uma primeira triagem em que são recolhidos os dados pessoais por telemóvel, sem necessidade de qualquer contacto pessoal com os funcionários do laboratório, sendo "mais confortável e uma segurança para todos". Feito este registo, a pessoa avança no seu carro para um segundo ponto, onde uma técnica devidamente protegida procede à colheita através do vidro, podendo de imediato abandonar o local a aguardar que o resultado lhe seja enviado por mensagem de telemóvel ou e-mail.
Resultados em 24 horas
No caso de o teste ser requisitado pelo Serviço Nacional de Saúde estão isentas de qualquer despesa e, se for particular, pagarão 100€ através de multibanco, recebendo o resultado no prazo de 24 horas.
Este posto móvel, o primeiro no Alto Minho, está capacitado para testar 200 pessoas por dia, e, no total do país, vêm realizando diariamente 15.000. Depois de terem posto a funcionar este espaço em Caminha, "estamos a pensar em abrir outro em Viana do Castelo", embora possuam pontos fixos, mas onde a logística é diferente e obriga a outros procedimentos de higiene e desinfecção, com uma resposta mais complicada, admite José Lima.
"Combatemos para salvaguardar as nossas gentes e instituições"
Miguel Alves, presidente do Município caminhense, justificou o apoio a esta posto móvel, num momento em que Caminha "vive o pior momento desta pandemia", a exemplo do que sucede no resto do país.
O autarca disse à imprensa no final deste acto simbólico de apresentação do posto móvel que "temos vindo a fazer aquilo que nos compete: alertar as pessoas, criar regras, dar nota sobre aquilo que são as regulamentações sobre esta matéria e ajudando a população no combate a esta pandemia do ponto de vista sanitário, económico e social".
Miguel Alves considerou fundamental no combate a esta pandemia, saber o que se passa no terreno no que respeita ao número de infecções, o que obriga a "testar e realizar rastreios", o que já vem sucedendo com alguns laboratórios privados no município, mas que reputa de "insuficientes face ao nível de infectados que temos hoje no concelho de Caminha e em toda a região".
"Este equipamento é mais uma peça na estratégia que vimos fazendo"
Daí o terem agarrado a oportunidade de realizar um protocolo com a Unilab e "termos aqui um centro de rastreio móvel que permite ter algo mais do que aquilo que existe no concelho" em termos de unidades fixas, o qual permite "conforto, proximidade e muita segurança e se possa fazer testes dentro do próprio automóvel".
O autarca caminhense aproveitou a presença da comunicação social para referir o alto grau de contaminação que o concelho padece "e que é muito superior àquele que tínhamos para trás", pois apesar da "galhardia" com que a população está a combater o vírus, "a infecção tem vindo a ganhar terreno nos últimos dias".
"Está nas nossas mãos grande parte da solução"
Voltou a dar números, revelando que os casos tinham triplicado em Outubro, "relativamente a todo o acumulado de Março a Setembro", mas a meio do mês de Novembro, "já há mais casos maus do que teve todo o mês de Outubro", acentuou, levando a que o concelho de Caminha seja o 27º a nível nacional, equivalendo a 970 infecções por 100.000 habitantes.
Incluído no lote de rastreios a realizar à população, Miguel Alves frisou que "está nas nossas mãos grande parte da solução", porque, anotou, "os médicos de Caminha disseram que "70% das infecções no nosso concelho decorrem de convívios familiares, de encontros de amigos e tudo aquilo que é vida social, durante a qual nos relaxamos, tiramos a máscara e nos aproximamos das pessoas de quem gostamos, cantamos, rimos, falamos e beijamos". Acrescentou que "temos de reduzir ao mínimo estes encontros sociais, evitando festas de aniversário e jantares de famílias com muita gente, em que se juntam três ou quatro casas", ou de "partilha comunitária", as quais "não vão poder acontecer, tais como os "natais de empresa ou de amigos", a par de aconselhar a que todos tenham cuidado com as nossas tradições, como sucede com a matança do porco e magustos.
"Cada um de nós faça o seu trabalho"
Insistiu para que "cada um de nós faça o seu trabalho", de modo a evitar que "os nossos hospitais estejam totalmente apinhados, quer nas enfermarias, quer nos cuidados intensivos", porque "somos nós próprios os agentes de contaminação", alertou.