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REMO

Taça Lisboa regressa a Caminha

Regata empolgante em Shell/8

O Sporting Club Caminhense superou a Associação Académica de Coimbra na última prova do Campeonato Nacional de Velocidade de Juniores e Seniores disputado no passado fim-de-semana em Montemor-o-Velho, após um duelo intenso entre as duas embarcações de Shell/8, recuperando para Caminha a Taça Lisboa, um troféu cobiçado por todos os clubes e que já faltava há alguns anos na sede do SCC.

José Tiago Covinha (voga), Samuel Almeida, David Fernandez, Bruno Amorim, Virgílio Barbosa (conquistou a taça pela 10ª vez), Hélio Carvalho, Rui Seixo, Cristian Pumar e José Dias (timoneiro), tendo como técnico João Santos (Mami), inscreveram os seus nomes no livro de títulos do SCCaminhense.

Foi em 1939 que o Caminhense conquistou pela primeira vez a Taça Lisboa, quando este troféu se encontrava em disputa na prova de Shell/4 c/ timoneiro e permanecia durante a época seguinte na posse de quem o tinha vencido, voltando a ser colocado em competição no campeonato seguinte, prática que se mantém nos dias de hoje, agora, na regata de Shell/8, após o barco de quatro com timoneiro ter sido eliminado das provas seniores internacionais, e, por conseguinte, também em Portugal.

Nesse ano, os cinco atletas (incluindo o timoneiro) eram naturais de Lanhelas: José João Fernandes; Luís António da Cunha; José António Fernandes; António do Nascimento Fernandes; José Fernandes Andrade.

80 anos depois, quis o acaso que o voga (José Covinha) do Shell/8 que venceu no passado dia 11 este título, seja sobrinho-neto de dois desses atletas campeões de 1939, precisamente os irmãos José e António Fernandes.

Mas voltando à prova deste ano - foi das (poucas) mais renhidas dos Campeonatos -, perante a ausência do Fluvial Portuense (sete dos remadores, incluindo o treinador, encontravam-se infectados pelo Covid, não podendo participar). Ainda tentou adiar os Nacionais por esse motivo (depois de já terem falhado a participação no Encontro Nacional de Remo Jovem disputado duas semanas antes), mas tal pretensão não foi atendida. Assim, os principais candidatos à vitória eram o Caminhense e a Académica.

Joao Santos, técnico do Sporting Club Caminhense, evidenciou o seu contentamento pela vitória do título mais ambicionado na modalidade rainha de Caminha, ao falar-nos desta época e da situação do remo nacional.

"Balanço positivo"

A vitória do Shell/8 foi naturalmente o título mais valorizado por este treinador e ex-remador olímpico em Barcelona, seguindo-se o 4- e 2- veterano, a par do 2X e 1X Juvenil Feminino, as tripulações vencedoras nestes dois Nacionais de Velocidade que estiveram sob a sua orientação durante toda a época.

A demais equipas sob a sua responsabilidade subiram todas ao pódio, o que o levou a admitir ter sido "uma época bastante positiva", essencialmente pela vitória no Shell/8, "porque é essa a mentalidade dos caminhenses: pode-se ganhar tudo, mas se falhar o Oito, o balanço é negativo", concluindo que com esse título "salvou-se a honra do convento".

Salientou a veterania desta tripulação de oito remadores, em que um dos componentes já tem 42 anos - "mas ele diz que quando for veterano deixa de remar, porque ainda se sente um jovem no meio dos séniores", contou-nos, rindo-se, este técnico.

Oito confiante

Centrando-se na prova maior do remo em qualquer competição, João Santos disse-nos que "os remadores estavam muito confiantes". Contudo, após apreciar a primeira sessão de treinos, "apercebi-me que o título seria bem difícil de conquistar, logo que vi a equipa da Académica", apesar de o Fluvial não estar presente.

Alertou os seus remadores para esse facto, mas estavam convictos da vitória, e, por tal motivo, "a prova até poderia ter corrido melhor se eles não estivessem tão confiantes e tivessem tido um pouco mais de respeito pelo adversário".

Admitiu que "o ritmo não era o do nosso Oito e se tivéssemos remado como fazíamos nos treinos, a resultado teria sido mais favorável", referindo-se à distância de menos de um barco conseguida sobre os estudantes.

"Regata arrancada a ferros"

Por todas estas circunstâncias, salientou que "a vitória foi arrancada a ferros e porque a tripulação tinha muita experiência", tendo considerado uma boa aposta a escolha do voga (embora pormenorizasse que o Virgílio Barbosa também pudesse ocupar perfeitamente esse lugar, "porque ambos marcam bem e têm bom ritmo"). Contudo, a alteração não se quedou por aqui. David Fernandez também passou para sete, considerando as alterações introduzidas muito importantes.

O Caminhense participou na pista 6, o que à priori poderia ser uma desvantagem, tendo em conta o vento lateral predominante, mas nesse dia "apanhámos revessa e o vento não estava favorável a essa pista", o que permitiu que "quase toda a gente tivesse remado de igual para igual".

Barco atraiçoou Shell/2-

Comentado a prestação do Shell/2- (2º classificado), referiu que os dois remadores verdes e brancos dominaram até aos mil metros, altura em que tocaram nas bóias e a partir daí deixaram de ter hipóteses de vencer. Frisou que o barco AVE adquirido em Vila do Conde, "tem alguns problemas que eles têm de resolver, nomeadamente o patilhão pequeno que possuem, sendo consideravelmente mais reduzido do que o de outras marcas mais conhecidas (Filipi e Empacher), o que provoca perda de estabilidade", nomeadamente "quando há vento". Este técnico não garante que com outro barco mais competitivo poderiam ter ganho, mas, seguramente "seria uma regata mais estável".

Sport foi imbatível em Femininas

O Shell/2- Feminino remou contra o clube que arrecadou todos os títulos em séniores femininos - o Sport. O técnico verde e branco já temia que seria difícil vencer a prova (ficaram em 2º lugar), tendo em conta a forma como as atletas do clube portuense venceram a Regata de Gondomar, formando uma equipa "muito bem constituída e muito forte".

"Subjectividade juvenil"

Contudo, no desporto, as surpresas saltam, como aconteceu com o Shell/2 - Feminino Juvenil duas semanas antes, em que havia dúvidas sobre a capacidade das duas remadoras conseguirem ganhar, frisou João Santos, mas "surpreenderam-me pela positiva porque foram campeãs nacionais", tal como sucedeu no 1X Feminino. Já o 2X Masculino Juvenil, com o qual esperavam que se classificassem em primeiro ou segundo lugar, "a prova correu mal", atendendo à própria "subjectividade" deste escalão etário jovem, que "tanto podem correm bem de manhã e pior à tarde". Deu como exemplo a tranquilidade com que venceram a eliminatória, controlando a equipa de Cerveira que tentou superá-los para conseguirem o apuramento directo para a final, mas "à tarde perderam com esse mesmo Cerveira, porque se descontrolaram totalmente".

Repetir em 2021

Pensando já na próxima época, João Santos acredita que terá de voltar a prestar a sua colaboração ao SCC, "porque eles não têm mais ninguém, embora me sinta um bocado cansado e necessitasse de descanso. De forma a apoiar o seu trabalho técnico, a direcção pretende colocar outro treinador, José Manuel Gomes, antigo atleta do SCC, na coordenação destes escalões.

"Política (desportiva) diferente"

Pedimos-lhe que realizasse uma apreciação ao futuro do remo em Caminha, uma vez que o Shell/8 possuía remadores muito veteranos e não há praticamente juniores. João Santos pensa que "as coisas estão más", aconselhando o clube a "seguir uma política diferente", na tentativa de "aliciar mais jovens para o remo olímpico", chamando a atenção para a importância do protocolo celebrado com o Agrupamento de Escolas, o que permite que "todos os alunos passem pelo SCC".

Da sua experiência recolhida no ano passado com os jovens que tiveram aulas de remo no posto náutico, admitiu que todos gostaram desta inovação, mas a dificuldade surge com a captação para a modalidade, porque já praticam outros desportos, uma vez que "há uma grande diversidade de modalidades no nosso concelho".

E, acrescentou, "o remo é uma modalidade bastante exigente, o que leva a que os miúdos procurem outros deportos com mais competição".

"É necessário haver mais competição"

João Santos entende que o desenvolvimento do Remo tem de passar pela própria Federação Portuguesa de Remo. "É necessário fazer mais competição, e já não digo todas as semanas, mas pelos menos fazer provas uma vez por mês na água".

Outra medida, "seria repensar o próprio Campeonato", no género de outras modalidades "em que o campeão é obtido pelos pontos que ganha durante toda a época". Classifica mesmo "injusto", julgar uma época inteira por uma única prova em Montemor-o-Velho, em que "devido aos ventos nortes predominantes são cometidas algumas injustiças".

Desta forma, adianta, será possível fazer dois campeonatos, de barcos curtos e longos, "como já existiu em Portugal", recorda, para que "mais gente reme", tudo sob a orientação da Federação, em que cada clube organizaria uma regata para a formação, juniores e seniores. As próprias regatas de inverno seriam menos longas, advoga, e as de verão seriam igualmente mais curtas (1.500 metros) para que os espectadores fossem mais atraídos pela competição, evitando-se os longos períodos de tempo em que nada há, surgindo uma prova de quando em vez.

"Foi horrível"

Este ano, pela primeira vez, os atletas jovens que subiram ao pódio não tiveram direito a uma medalha, recebendo apenas um saco como prémio, o que nada os motivou, admitiu, "e deixando uma má imagem nos miúdos, dizendo no final de que se isto é assim, não queremos remar mais, porque nos esforçamos toda uma época e nem sequer fomos ao pódio, nem recebemos uma medalha", lamentaram-se.

João Santos adianta ainda que os clubes tinham recebido uma circular da FPRemo em que anunciavam que todos iriam receber uma medalha de participação, mas nem isso aconteceu, sendo agraciados apenas os vencedores com umas mochilas que "ainda por cima não eram nada práticas bem bonitas, e tanto os miúdos como os pais ficaram bastante desagradados com a situação, tendo feito sentir por diversos meios os seus protestos junto da Federação", contou-nos João Santos. E, duas semanas depois, houve pódio e medalhas para juniores, seniores e veteranos.

"Uma ideia bastante boa"

Mas houve um factor positivo nestes Campeonatos Nacionais de todos os escalões, concordou João Santos, em referência à transmissão por You Tube.

Perante as dificuldades em visualizar as chegadas na bancada, devido aos condicionamentos impostos pela pandemia, esta opção foi bem acolhida, permitindo a todos os amantes desta modalidade "ver remo no conforto de suas casas", já que lhes era vedado "entrar na pista de remo".

Vírus também afectou o Remo

Todos os clubes se viram a braços com as restrições e medidas de higienização e distanciamento impostas pelo Covid nesta época e que acabaram por deitar os Campeonatos para Setembro/Outubro.

Na prova de Gondomar, os remadores do Infante foram impedidos de remar por estarem infectados, mais tarde foram os do Fluvial que nem sequer puderam defender o título de Oito em Montemor, "nem participando em qualquer regata" nos dois campeonatos.

Referiu ainda que após o fim do confinamento, os remadores apenas podiam treinar em skiffs obrigando a uma adaptação "nada fácil" de conseguir, tornando-se "saturante, cansativo, para dirigentes, técnicos e atletas", classificando a situação de "muito dura".

Comprar um Shell/8 novo ou não?

A direcção do SCC aponta para a aquisição de um Sell/8 novo em 2021.

João Santos reconhece que o barco do clube se encontra bastante desgastado e foi necessário pedir um barco emprestado ao Náutico de Vigo para competir nos Nacionais.

Contudo, "se fosse eu a decidir, não compraria um Oito novo".

E explica porquê: "A nosso equipa de Shell/8 já é bastante veterana e em termos de futuro ainda não temos jovens em escalões anteriores que possam incluir um Shell/8 dentro de três, quatro ou cinco anos".

Mas ressalva. "Como a gente sabe, em Caminha, o Sporting Club Caminhense é o Shell/8", e para repetir a proeza na próxima época é preciso possuir um bom barco.

Formação bem apetrechada de barcos

Quanto a barcos para a formação, entende que o SCC se encontra bem apetrechado para treinar, faltando apenas ter cascos competitivos "para que os remadores não se sintam inferiorizados".



Federação Portuguesa de Remo



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