TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
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IRRESPONSABILIDADE PODE MATAR
Há alguns dias, por pouco, uma mãe e os seus dois filhos não foram colhidos pelo comboio, ao atravessarem, de automóvel, a passagem de nível de Coura, no Pinheiro Manso, em Seixas.
Tiveram tempo de abandonar a viatura e salvaram-se, perdendo-se apenas o veículo.
A situação se não fosse demasiado séria, parece caricata, dados os contornos que rodeiam aquela passagem de nível.
Em todo o país, as populações e, principalmente, as autarquias (Juntas e Municípios) lutam pelo encerramento de todas as passagens de nível, por constituírem uma ameaça à vida das pessoas.
Enquanto não existem condições para a sua eliminação, são as mesmas dotadas de cancelas automáticas, com sinalização sonora e visual, para minimizar os riscos. Mesmo assim, por avaria, ou por inconsciência de alguns condutores, por vezes, acontecem tragédias.
Ao que se sabe, aquela P.N. esteve encerrada muitos anos, certamente porque os responsáveis entenderam que constituía um perigo e uma ameaça à segurança das pessoas e suas viaturas.
Como é possível que a mesma tenha sido reaberta, em Julho deste ano?
Como é possível que tenha sido aberta, sem cancelas automáticas e sem semáforos?
Como é possível que alguém tenha permitido e colaborado em tornar aquele local numa armadilha que pode ser mortífera para os seus utilizadores?
Nunca, como hoje, com a colocação de semáforos, no entroncamento com a EN13, foi tão seguro aceder à estrada nacional.
Por isso, parece inacreditável que se exponham as pessoas a duplo risco: atravessar a passagem de nível e entrar na EN13, numa zona de curva e onde os carros circulam a grande velocidade.
Parece-me que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia deveriam exigir o encerramento imediato daquela ratoeira.
Caso não o façam, serão co-autores de homicídio, por negligência, se alguém ali for vitimado.
Se a CP não fechar, de imediato, a P.N. do Pinheiro Manso, deveriam os seus responsáveis serem acusados de homicídio e pagarem, do seu bolso, (e não a empresa) as indemnizações à família das vítimas que eu espero que nunca venham a existir.
Por último, apelo aos potenciais utilizadores, principalmente os moradores do local, que, pela sua segurança e dos seus, não utilizem aquela P.N..
Vale muito mais perder 5 minutos na vida, do que a vida em 5 minutos.
A SAUDE ESCOLAR EM DIAS DE COVID
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A "Pandemia Covid" instalou-se na nossa Sociedade, e apavorou Povos, Nações e Continentes. Ceifou vidas, deixou marcas e mazelas em quem foi infectado. Paralelamente, a Economia parou e afundou, os aviões não levantaram voo, as fronteiras fecharam e as Famílias ficaram separadas. Os Profissionais de Saúde trabalharam horas e horas a fio, lado a lado com o "inimigo", com fatos EPI's (quando os havia e muitos demoraram a chegar e aparecer) a fazerem destilar rios de suor. Forças de segurança e Bombeiros tentaram manter a ordem e transportaram os doentes aos Hospitais. Tantos outros Profissionais mantiveram a alimentação e bens essenciais disponíveis para alimentar a população.
A agressividade do vírus SARS-CoV2 foi/é letal em muitos e infindáveis casos. Outras consequências, decorrentes desta infecção, ainda nem as conhecemos. Vão surgindo correlações.
As Escolas foram encerradas, transformando um ano lectivo em algo atípico. Projectos Educativos interrompidos. E a verdadeira essência da Escola e a sua socialização, foi transformada em algo abstrato, desconhecido e impessoal.
"Prepara-se", planeia-se e execta-se já um novo ano lectivo, abrindo as portas das Escolas. Mas em boa verdade, apesar das orientações da DGS e dos esforços dos estabelecimentos de ensino, ainda não se sabe muito bem como vai ser/correr e se vai resultar. Inúmeras dúvidas e receios se colocam: presença física, distanciamento social, circuitos novos nos edifícios, salas de aulas e recreios, refeitórios e cafetarias. Entradas alternativas e desfasadas para descongestionamento na entrada e saída das aulas/Escola. Toda esta logística vai implicar um esforço enorme de todos: docentes, não docentes, alunos e encarregados de educação.
Nesta "alteração forçada da escola" alguns projectos educativos terão, obrigatoriamente que ser adaptados ou não se realizarão. Haverá prejuízo para Todos.
A "Educação para a Saúde" e a "Saúde Escolar" têm um grande desafio pela frente. O "Gabinete de Informação e Apoio ao Aluno (GIA)" vai ter um papel preponderante. A Saúde Escolar vai ter inevitavelmente uma nova dimensão de intervenção. A Saúde Mental vai ter que ser/passar a ser um aliado muito próximo.
A verdade é que esta "Pandemia" veio demonstrar que as Escolas não são só turmas, edifícios alunos, professores e funcionários. "Hoje", outras questões se colocam e levantam, no pensar a Escola:
" Sociais, educacionais, sociológicas e económicas;
" Saúde Mental e gestão do stresse de alunos, famílias e professores;
" Como será o ensino e a educação num futuro próximo? Presencial? À distância? Um mix? Que implicações na qualidade e aproveitamento da formação? No adquirir e assimilar competências?
" Que impacto na normalidade da Escola, agora e no futuro?
" A importância da Saúde/Educação na Escola e as questões e trabalho da/na "prevenção, como disciplina major".
Parece-me ser um momento que exige muita reflexão, muita ponderação e medidas concretas e exequíveis no terreno, face às características de cada Escola/Agrupamento e Comunidade.
O que não poderá ser descuidado é a higienização dos espaços e superfícies, sabão nos WC's das Escolas, sistemas de disponibilização de "solução antissética de base alcoólica" (SABA) à entrada da escola, recintos e locais estratégicos e a sensibilização para a permanente lavagem das mãos, arejamento e desinfecção de espaços e utensílios, etiquetas respiratórias e distanciamento social e, o uso de máscara (essa veio para ficar).
Todos temos um papel importante a desempenhar, como cidadãos de corpo inteiro e agentes de saúde pública, activos, num respeito pelo próprio, pelo próximo e pelo ambiente.
Humberto Domingues
Enf. Espec. Saúde Comunitária
Concretização de Desejos
Ao longo da vida, muitas pessoas, ainda que por poucas vezes, têm desejos: dos mais simples, aos mais complexos; dos mais ambiciosos aos mais humildes; uns com uma componente mais materialista; outros com uma vertente mais espiritual; todavia, sempre somos acometidos por desejos, eventualmente, alguns, até serão inconfessáveis, e/ou que se tornam autênticos segredos para a vida e, por fim, desejos que, a serem divulgados, conduziriam a pessoa a uma situação, provavelmente, degradante.
É fácil compreender que para a maioria das pessoas o primeiro desejo que pretendem ver realizado é possuírem boa saúde, sempre felizes e, logo a seguir, fazerem fortuna material, precisamente, através de bens concretos, objetivos, palpáveis, dinheiro, porque: "Todo o ser humano, quando chega à idade em que passa a entender a finalidade do dinheiro, passa a querer possuí-lo. Querer não faz riquezas. Mas desejar riquezas com um estado de espírito próximo à obsessão, em seguida planejar caminhos e maneiras específicas de gerar riquezas e finalmente, apoiar estes planos com a persistência que não aceita o fracasso, isto sim, é o que conduz à riqueza." (Napoleon Hill, in: MANDINO, 1982:301).
Querer ser rico com legitimidade, legalidade e transparência, é um desejo que se pode e deve elogiar, não constitui nenhum "pecado" e, por outro lado, quanto mais pessoas ricas existirem numa sociedade, mais possibilidades haverá para aqueles que necessitam, de beneficiarem, mais um pouco, da generosidade dos que possuem. Seria, incompreensivelmente, mesquinho ter-se inveja de quem angariou fortuna, à custa de trabalho intenso e digno e, também, de imensa poupança e investimento.
Poderá haver diversas teorias, como também algumas boas práticas para converter os desejos em fortuna, importando, agora, referenciar algumas medidas que podem ajudar: "1. Grave na memória a quantidade exata de dinheiro que deseja. (…). 2. Determine exatamente o que pensa dar em troca pelo dinheiro que deseja. (…). 3. Marque uma data específica para se apoderar do dinheiro que deseja. 4. Conceba um plano meticuloso para realizar seu desejo e comece já, esteja pronto ou não, a colocar o plano em ação. 5. Faça uma declaração por escrito, clara e concisa, da quantidade de dinheiro que pretende adquirir, do tempo necessário para tanto e do que está pronto a dar em troca. (…). 6. Leia sua declaração, em voz alta, duas vezes ao dia, antes de deitar e depois de levantar-se." (Ibid. 301-02).
Há desejos que todos os dias são analisados, que se concebem projetos para os concretizar, como também diversos sonhos se transformam em desejos, estes em planos, estratégias e metodologias, para se tornarem realidade. É por demais evidente que alguns desejos nunca vão passar disso mesmo, porque, praticamente, são impossíveis, embora, não necessariamente: um doente terminal, seguramente, terá o desejo de se curar, mas raramente isso acontece; também a vontade de obter a "sorte grande", não sendo impossível de se realizar, ela não acontece, só porque uma determinada pessoa deseja muito, de contrário haveria tantos ou mais milionários do que pobres.
Os sonhos, alguns deles bem nítidos durante o sono, são possíveis de os levar à prática, sobre a forma de projetos, por isso: "Coloque os sonhos para funcionar e não se importe com o que "os outros" dizem quando você passa por reveses temporários, pois "eles" talvez não saibam que derrotas trazem consigo a semente de um sucesso equivalente." (Ibid.:303).
Salvo raras exceções, vencer na vida a "pulso próprio", respeitando regras morais, éticas, jurídicas, técnicas e científicas, não será fácil para uma pessoa normal, mesmo beneficiando de algum apoio familiar, e/ou institucional, porque a sociedade, no seu conjunto, é extremamente exigente, competitiva e, em muitas situações, "invejosa" e "aniquiladora", da concretização dos desejos de quem pretende obter sucesso, para além de outros entraves, desde logo, de natureza burocrática e administrativa, designadamente, quanto se torna imprescindível recorrer a serviços públicos mais especializados.
E, na verdade: "Lembre-se de que quase todos que venceram na vida, tiveram que passar primeiro por reveses e depois por provações suficientes para desanimá-los, antes de "conseguirem" finalmente. O momento de decisão na vida dos que vencem costuma ocorrer no auge de uma crise, durante a qual se vêem frente a frente e um "outro lado" de suas personalidades." (Ibid.:304).
Aceite-se, então, a ideia de que não é fácil transformar desejos em riqueza material, no entanto, para certas pessoas, dotadas com determinados meios pessoais como: conhecimentos, experiências, habilidades, alguns recursos financeiros para começar uma atividade, tais circunstâncias possam facilitar um pouco, e mais rapidamente a concretização de um ou mais desejos, todavia, ainda assim, não é garantido que o sucesso aconteça de imediato.
Qualquer pessoa pode desejar muitas coisas, ter condições mínimas para as obter, mas é claro que: "Há diferença entre querer uma coisa e estar pronto a recebê-la. Ninguém está pronto até que comece a acreditar que pode conseguir aquilo que quer. O estado de espírito tem de ser o de convicção e não apenas esperança ou anelo. Um espírito compreensível é condição essencial para se ter convicção. Mentes fechadas não inspiram fé, coragem ou convicção." (Ibid.:305).
Quem ignorar o poder da riqueza material, provavelmente, estará numa outra realidade, que não a do mundo terreno atual, em que vivemos. Podem muitas pessoas argumentar que a fortuna em dinheiro "não lhes diz nada", que apenas desejam: saúde, trabalho e felicidade, e estas posições devem ser respeitadas, contudo, tais pessoas, possivelmente, continuam a ter desejos, um dos quais, bem material, como é o trabalho, através do qual se ganha dinheiro, a fim de disporem das condições necessárias e suficientes, para cuidar da saúde, alimentação, vestuário, alojamento, educação e tudo o mais que é fundamental para uma vida condigna.
A fortuna é um bem indispensável, e nem sequer se deveria afirmar que é "um mal menor", porque isso não será assim tão evidente. Em bom rigor: "A riqueza é poder. Com ela muito se torna possível. Pode-se decorar a casa com os ornamentos mais ricos. Pode-se viajar a países distantes. Pode-se provar de iguarias vindas de regiões longínquas. Pode-se adquirir os belos produtos do ourives e do joalheiro. Pode-se erguer soberbos templos e dedicá-los aos deuses. Pode-se fazer todas estas coisas e outras mais que fazem o deleite dos sentidos e o encantamento da alma." (George S. Clason, in: MANDINO, 1982:314).
Também há quem afirme que a riqueza está mal distribuída! Sim, em parte pode-se concordar, designadamente: no que se refere a recursos naturais, verificando-se que alguns países, possuem imensa fortuna, precisamente, porque nos seus territórios existem, em abundância, produtos de primeira necessidade, de que o resto do mundo tanto necessita como: petróleo, minérios, fauna, flora, bens alimentares e outras riquezas que, não sendo consideradas de carência absoluta, proporcionam riqueza e outros meios financeiros importantes, nomeadamente: diamantes, outras pedras preciosas, madeiras, especiarias, enfim, matérias-primas que depois de trabalhadas geram mais abundância, prosperidade e bem-estar geral para a maioria de uma população. Em resumo, aumentam a riqueza de quem possui estes bens.
BIBLIOGRAFIA.
MANDINO, Og., (1982). A Universidade do Sucesso. 2ª Edição. Trad. Eugênia Loureiro. Rio de Janeiro, RJ: Editora Record.
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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento Apoiado pela Fundação EDP
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha Crónica Política (1906 - 1913)
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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O Estado Novo
e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense
Júlio Baptista (1882 - 1961)
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Organização e estudo biográfico do autor
por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora
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Autor: Joaquim Vasconcelos
Edição: C@2000
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Memórias da Serra d'Arga
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Autor: Domingos Cerejeira
Edição: C@2000
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Outras Edições Regionais
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