A Assembleia Municipal (AM) de Caminha aprovou com sete votos a favor, 28 abstenções e zero contra, uma moção apresentada pela CDU que reclama "do Governo e da Assembleia da República, as medidas legislativas necessárias para reposição das freguesias extintas (no Governo PPD/CDS chefiado por Passos Coelho) contra a vontade das populações e dos respectivos órgãos autárquicos" apontando para a conclusão deste processo antes das próximas eleições autárquicas de Outubro do próximo ano.
Uma proposta de lei avançado pelo actual Governo previa esta situação, mas ao colocar um limite mínimo de 1.000 eleitores para que as freguesias pudessem ser repostas, inviabilizava a maioria das situações.
ANMP e ANAFRE têm pugnado pela reversão da Lei Relvas - como ficou conhecida -, mas sem resultado.
A CDU, na justificação da apresentação da moção, referiu que se tinha "perdido a proximidade dos eleitos (menos mil) com as populações", bem como a "identidade de cada freguesia" e a capacidade reivindicativa dos eleitores e das juntas e assembleias de freguesia.
Diversas iniciativas parlamentares para que fossem restabelecidas as freguesias extintas (seis, no concelho de Caminha) esbarraram com os votos do PS, PPD e CDS, denunciaram os comunistas.
Na Assembleia Municipal de Caminha, o PS, apesar de não ter concordado com a Lei Relvas, justificou a sua posição abstencionista pelo facto de discordarem das "considerações" da moção apresentada pela CDU, mas entendendo que deve ser dada a palavra às populações, explicou Paula Aldeia, porta-voz deste partido.
Uma das freguesias arrasada pela Lei Relvas, foi a de Cristelo, embora o relacionamento com Moledo sempre tivesse sido o melhor. Com a agregação forçada, Cristelo perdeu a identidade de séculos e a tristeza e inconformismo da população foram notórios.
Voto coerente
Ernesto Veiga, o último presidente de Junta de Freguesia desta aldeia caminhense extinta em 2012, representando o Executivo de Moledo/Cristelo (socialista) nesta AM do passado dia 25 de Setembro, fez uma declaração de voto em que justificou o seu voto a favor da moção da CDU, em coerência com a sua posição de "indignação" sempre tomada contra a eliminação da sua freguesia (Cristelo).