Uma tragédia esteve iminente na manhã de ontem, sexta feira, na recém-aberta passagem de nível de Coura, no Pinheiro Manso, quando pelas 8 horas, uma viatura ligeira (marca Peugeot) foi colhida por uma automotora que se deslocava em direcção à Estação de Caminha, projectando-a alguns metros para fora da linha.
O acidente deu-se quando o carro proveniente do lugar de Coura se dirigia para a Escola C+S de Caminha, conduzido pela mãe e com os seus dois filhos no interior.
Na passagem de nível cruzou-se com outra viatura proveniente da EN13, através da Estrada do Pinheiro Manso, e ter-se-á encostado demasiado ao lado de fora, ficando com a roda da frente da viatura presa na gravilha da linha, e não conseguindo retirá-la do local.
Ocupantes tentaram empurrar carro para fora da via férrea
Terão tentado empurrar a viatura do local sem sucesso, quando se aperceberam de que chegava o comboio do norte, levando-os a fazerem sinal para que abrandasse a velocidade, mas a travagem nunca acontece imediatamente, o que tornou inevitável o choque, mas sem causar qualquer ferimento nos ocupantes do veículo sinistrado que já se encontravam no exterior e fugiram quando constataram que o embate seria inevitável.
Compareceram os Bombeiros de Caminha, sendo prestada assistência psicológica à condutora.
Esta reabertura da passagem de nível em Julho, sem a colocação de sinalização sonora, luminosa, nem barreiras foi desde logo polémica, atendendo aos precedentes do passado e que tinham ditado o seu fecho, temendo-se o que viria a acontecer esta manhã.
O C@2000 já se tinha referido a este caso, e o ex-deputado Jorge Fão também comentou a perigosidade desta opção, pedindo explicações à Infraestruturas de Portugal, cujo ofício publicamos na edição anterior.
Assunto debatido na véspera em Assembleia de Freguesia
Ainda na noite anterior (véspera deste acidente), o assunto foi debatido em Assembleia de Freguesia de Seixas, após o delegado eleito pelo PSD, António Rodrigues, ter interpelado a Junta de Freguesia sobre o que é que estava previsto para criar mais segurança neste ponto, incluindo a iluminação da estrada do Pinheiro Manso (com o piso deteriorado), criação de uma rotunda decente na intercepção com a EN13, além de pedir a colocação de barreiras e sinalização luminosa e sonora na passagem de nível.
Os acessos à passagem de nível foram asfaltados pela Câmara de Caminha, conforme o próprio Município informou em Julho, tendo investido cerca de 3.000€, mas o lancil ficou com pouca altura, o que propicia acidentes como este.
Em resposta, o presidente da Junta de Freguesia, disse ao delegado do PSD ser necessário "ter cuidado ao passar lá" e que as pessoas sempre atravessaram por lá a pé, além de todos terem pedido a reabertura da passagem de nível, frisou.
"Fiquei assustado quando vi que não havia barreiras"
Rui Ramalhosa realçou que pensava que a antiga CP iria proceder à electrificação da travessia, o que não sucedeu, temendo que só suceda no final da obra da Linha do Minho até Valença.
O autarca disse recear que houvesse acidentes (longe de pensar o que iria suceder algumas horas depois) e que tinham exposto o assunto à Câmara.
"Não quero que Coura fique sem passagem de nível"
O autarca seixense insistiu que não queria que o lugar de Coura ficasse sem passagem de nível, e que se procedessem à interdição da travessia, a empresa poderia voltar a encerrá-la definitivamente, pelo que optaram por lançar avisos à população para que evitassem passar por lá, o que pouco resultou, diga-se.
O presidente da Junta referiria ainda na AF que iriam "tentar que nada aconteça e que haja 90% de segurança", mas que havia sinalização estática no local.
Tema também debatido em reunião camarária
O tema também tinha chegado à reunião camarária da passada Segunda-feira, com a vereadora Liliana Silva a pedir explicações sobre a segurança desta passagem de nível e a colocação de lombas na Av. das Faias.
Mguel Alves explicou que a decisão da reabertura tinha partido da CP, depois de terem encerrado outra a norte, e que os tinham alertado para o risco de não terem instalado avisos eléctricos e sonoros, pedindo-lhes que o fizessem o mais rapidamente possível, tendo-se limitado o Município a realizar o acesso rodoviário à linha nos dois lados.
Acerca do arranjo do piso do caminho/estrada do Pinheiro Manso, apenas seria concretizado após resolverem a sinalização, garantiu.
Hipótese de encerramento temporário
Nessa manhã, o presidente da Junta deslocou-se ao local do acidente, adiantando como hipótese imediata a interdição da passagem de nível até que a ex-CP resolva definitivamente a situação da sinalização.
Na Assembleia Municipal de ontem (sexta feira), o PSD apresentou uma proposta de encerramento da passagem de nível até que estejam garantidas todas as condições de segurança de atravessamento da linha férrea.
Tanto o presidente da Junta de Freguesia de Seixas, como o presidente da Câmara alertaram de que se tal fosse aprovado, a passagem de nível nunca mais seria reaberta, avisando ainda Miguel Alves de que a sua autarquia não tinha competência para decidir tal postura.
Assim, a proposta do PSD foi rejeitada, informando Miguel Alves que "logo que levou um soco no estômago", na manhã de sexta feira, quando soube do acidente (felizmente sem danos pessoais), contactou a Infra Estruturas de Portugal a fim de solucionar este problema, mas responderam-lhe que estavam "confortáveis" e que a lei era assim, permitindo apenas a existência de sinalização vertical, a par de haver mais de trezentas travessias idênticas em todo o país. Contudo, garantiram que iriam colocar barreiras e avisos sonoros luminosos para o primeiro semestre de 2021.
O presidente da Câmara e da Junta de Freguesia insistiram que se a Infra Estruturas de Portugal encerrasse agora, sê-lo-ia definitivamente, e "seria dada uma alegria à CP".
Embora fosse reconhecido que a Câmara não tinha competência para fechar a travessia, poderiam tomar outras acções na rede viária de acesso, preveniu Miguel Alves.
Posta à votação a proposta de encerramento foi rejeitada com os votos do PS, CDU e um deputado do PSD de Seixas, Ricardo Cunha, argumentado este que os moradores de Seixas desejam esta travessia aberta, devido aos constrangimentos criados pelos semáforos do Alto da Veiga, embora exija mais medidas de segurança.
Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, lembrou o sucedido nesta vila, em que a CP não voltou a abrir as passagens encerradas, e das dificuldadas surgidas na construção de uma via pedonal desnivelada na Travessa do Teatro.
Celestino Ribeiro da CDU justificou o voto contrário dos dois eleitos por este partido, "tendo em conta a reivindicação da população" e que no caso de se permitir que ela feche, "dificilmente reabrirá".