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Vila Praia de Âncora

Eurodeputado do PCP
contactou Associação de Pescadores

Assoreamento, redefinição do Portinho e venda de pescado de fora centraram preocupações

João Ferreira disse que substituição do secretário-geral do PCP "ainda não se coloca"

"A entrada de peixe que passa por nosso e não é", esta foi uma das preocupações deixadas por Vasco Presa, presidente da Associação de Pescadores Profissionais e Desportivos de Vila Praia de Âncora, no encontro que manteve com o eurodeputado comunista João Ferreira que se deslocou até ao Portinho desta vila na tarde do passado dia 15, inteirando-se de alguns dos problemas que afligem os cerca de 80 pescadores locais.

Tinha ficado estabelecido desde que as novas infra-estruturas de pesca em terra foram construídas há cerca de sete anos, que o pescado a vender na lota ancorense seria de proveniência local, assim como era intenção dos profissionais de pesca certificar este produto da sua costa.

"Não há fiscalização do peixe que vem de fora"

Contudo, a falta de fiscalização da Docapesca permite que os armadores de Vigo, Matosinhos e Viana do Castelo se antecipem à chegada do mar dos barcos dos pescadores ancorenses, inundando a lota com pescado.

Docapesca falhou instalação de rede de frio

Vasco Presa denuncia esta situação que "afecta as vendas aos profissionais de Vila Praia de Âncora", agravada pelo facto de não existir uma rede de frio (armazéns frigoríficos) que permitam manter o pescado durante algum tempo, caso não seja possível escoá-lo de imediato devido à presença para venda de capturas provenientes de outros pontos.

Este pescador aponta para os locais onde pretendiam instalar essa rede de frio, mas nada foi feito pela Docapesca, uma empresa decadente e sem capacidade de resposta, e quando se fala em passar a sua responsabilidade para as câmaras municipais.

Vasco Presa recorda que chegaram a pretender avançar com um projecto de criação de câmaras frigoríficas a subsidiar pelo programa PróMar, no montante de 56.000€, mas que obrigava a uma comparticipação de 6.000€ da parte da associação, verba de que não dispunham, nem conseguiram quem contribuísse para a obter, o que deitou tudo a perder.

Como resultado da inexistência de câmaras frigoríficas, a única solução "é deitar o peixe ao mar", lamentou-se o pescador.

Desassoreamento não será possível este ano

O desassoreamento do Portinho vem sendo sucessivamente adiado e com o aparecimento da pandemia, registou-se novo atraso que levou a que estejamos com o verão à porta e já não seja possível dragar os inertes que enchem o interior do porto, impedem a navegação durante largos períodos do dia e põem em perigo a circulação dos barcos.

Mas o presidente da Associação de Pescadores já sabe que se não dragarem no verão por causa das praias, vem de seguida o inverno e volta a não haver condições para o fazer e "andamos nisto".

Perante este cenário, exige uma reunião com todas as entidades, sugerindo que a empreitada seja concretizada "em duas fases, uma até ao inverno e outra antes do próximo verão".

"Nem sair, nem entrar"

Chama a atenção para a necessidade imperiosa de uma intervenção, porque, repisa, "isto está impraticável", atendendo a que "no mínimo, nas duas fases diárias de maré, há 10 de horas em que não se pode navegar", porque há alturas em "não podemos sair e outras em que não podemos entrar", além de dependerem ainda do estado do mar.

A frota ancorense conseguiu vendas de meio milhão de euros no ano passado, mas "tem possibilidades de atingir os dois milhões" se criarem condições para uma navegabilidade permanente e controlarem a proveniência do peixe.

Redefinição da orientação dos molhes do Portinho "já não é para mim"

Outro assunto exposto ao deputado do PCP, prendeu-se com a necessidade de reorientar a infra-estrutura portuária do Portinho, cujos erros de construção são a origem do assoreamento e impossibilitam que os cerca de 20 barcos grandes de Vila Paia de Âncora descarreguem aqui as capturas obrigando-os a fazerem-nos noutros portos, como é o caso de Vigo.

"Com a minha idade (60 anos), já não gosto muito de andar para aí a fazer aventuras", diz Vasco Presa, desiludido perante a possibilidade de ainda poder ver ser rectificado o Portinho, como todos desejariam.

Falta dinheiro para LNEC fazer estudo estrutural do Portinho

Apesar deste pessimismo, ainda admite que seria uma "satisfação" que a obra fosse objecto de um estudo por parte do LNEC, desde que alguma instituição do próprio Estado o pagasse.

Com a crise pandémica a agravar a situação, perante a diminuição do movimento da restauração, o que faz também baixar o preço do pescado, Vasco Presa insiste na necessidade de eliminar os intermediários e deixar que os pescadores ancorenses fiquem livres para escoar directamente os seus produtos na lota da vila.

Vasco Presa reforçou que desde que a lota entrou em funcionamento, um dos propósitos dos pescadores ancorenses foi o de eliminar os intermediários.

"É necessário responder a estas duas necessidades"

João Ferreira, eurodeputado do PCP, neste seu contacto com a classe piscatória ancorense, constatou que o assoreamento e má execução do Portinho "estão relacionados um com o outro".

Perante as exposições da Associação de Pescadores, o eurodeputado e biólogo, admitiu desde logo a "necessidade de uma dragagem para que a classe piscatória posso operar em condições e segurança", conforme referiu ao C@2000. Contudo, "torna-se evidente", prosseguiu, que "há aqui um problema estrutural que também tem de ser resolvido, porque a própria sequência de dragagens que têm sido feitas, o recorrente assoreamento e as condições de entrada e saída do porto demonstram que há um problema estrutural mais profundo que exige estudo sobre uma possível reconfiguração dos molhes do porto".

"Operações atempadas, regulares e mais baratas"

Dragar o porto e resolver o problema "mais de fundo" resultante da sua má configuração, serão duas apostas que "continuaremos a tentar fazer", dando como exemplo a sugestão de "dotar o Estado de uma empresa pública com os meios públicos necessários para intervir regularmente nas manutenções nas barras e vários portos do país".

Não sendo assim, o Estado recorre "a terceiros", o que "torna mais onerosa a operação" para o erário público, além de não acontecerem na altura mais necessária.

"Pressionar"

Quanto à configuração do Portinho, propõe a "realização de um estudo que possa verificar quais as soluções do ponto de visa estrutural que podem ser projectadas para garantir melhores condições de operacionalidade" aos profissionais de pesca, que vêem como as suas capacidades de trabalho se encontram diminuídas pelas deficiências de projecção e construção do porto de abrigo.

João Ferreira promete "pressionar" para que "estes estudos se possam fazer", a par de ir "questionar a Comissão Europeia sobre que tipos de financiamentos podem apoiar estas intervenções", incluindo as de "manutenção".

Ficou ainda atento às exigências dos pescadores para que se venha a materializar a instalação de uma "rede de frio que permita uma outra gestão do pescado desembarcado e a sua valorização", através da "intervenção do pescador noutros elos da cadeia", garantindo "uma maior quota-parte do valor acrescentado do produtor".

Orçamento da União Europeia deveria apoiar

João Ferreira lamentou a falta de investimento neste domínio no quadro financeiro anterior, o que contribuiu para que se perdesse "toda a mais-valia que poderia estar associada", mas tem esperanças de que ainda no âmbito do quadro comunitário que está a terminar ou no que "aí vem, possam ser mobilizados apoios ao nível do orçamento da União Europeia para suportar este tipo de investimentos com grande interesse".

João Ferreira não quis comentar se poderia ser o secretário-geral do PCP

Aproveitando esta oportunidade da presença de João Ferreira no concelho de Caminha, perguntamos-lhe se não estaríamos na presença do futuro secretário-geral do Partido Comunista Português, face às previsões que indicam para essa possibilidade no decorrer do próximo congresso. João Ferreira, esboçando um sorriso, respondeu que "o secretário-geral do PCP presente e futuro é Jerónimo de Sousa, uma responsabilidade que está muito bem entregue".

Dizendo-lhe que Jerónimo de Sousa já teria manifestado a vontade de sair, João Ferreira respondeu simplesmente que "ainda não ouvi esse desabafo" e que a substituição do secretário-geral "ainda não se coloca".


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