A cerca de 300 quilómetros de Tbilisi, capital da Geórgia, fica uma cidade rupestre escavada nas rochas da Montanha Erusheti. Vardzia é um mosteiro que em tempos idos acolheu 2 mil monges. Atualmente um pequeno grupo de monges continua a viver aqui e cuida do impressionante complexo que conta com 13 andares, onde se pode visitar cerca de 300 salas, entre as quais uma farmácia, várias adegas e igrejas, e alguns dos túneis do antigo sistema de irrigação que continuam a funcionar e fornecem água potável.
A cidade de Vardzia foi erigida pelo Rei George III e concluída após 48 anos pela sua filha, a Rainha Tamara, no ano de 1185. Um forte como protecção das invasões mongóis esteve na base desta construção, mas Tamara, após a morte do pai, alterou a intenção inicial para fins religiosos. Surge assim o Mosteiro de Vardzia.
Em 1283, um século depois de ter sido construído, parte do complexo foi destruído por um terramoto. Nos dias de hoje pode ver-se apenas um terço do que existia há cerca de 700 anos. Após o terramoto, vieram os invasores mongóis, os persas, os russos, e Vardzia foi alternando momentos de abandono total com outros de escassa atividade religiosa. Até que, em 1999, voltou a ser um mosteiro. Desde 2007 o Mosteiro Vardzia está incluído na Lista do Património Mundial da UNESCO.
Das igrejas destaca-se a magnífica igreja da Dormição de Maria, onde se podem observar pinturas de cenas bíblicas, originais da época da construção de Vardzia, além de uma pintura onde a própria rainha Tamara aparece e que foi feita enquanto ela era viva.
À Geórgia é-lhe atríbuído o título de berço do vinho. Vestígios encontrados recentemente por arqueólogos apontam que os georgianos preparam a bebida há pelo menos 8 mil anos. No interior do Mosteiro Caverna é possível ver partes de talhas de barro enterradas no chão, os conhecidos vasos “qvevri” – recipientes de barro em forma de ovo utilizados para fazer, envelhecer e armazenar vinho. O primeiro “qvevri” remonta à idade de ferro (século VII a.C.). Em 2013 foi declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Para diversos povos o vinho desempenha um papel vital no quotidiano e na celebração de eventos e rituais seculares e religiosos. A Geórgia não é exceção. Aqui as adegas ainda são consideradas o lugar mais sagrado da casa da família. A tradição da produção de vinho Qvevri define o estilo de vida das comunidades locais e forma uma parte inseparável da sua identidade e herança cultural.
Curiosidade:
Reza a lenda que enquanto o rei George III caçava com alguns nobres georgianos e a sua filha, distraíram-se e ela desapareceu. Tamara estava brincar e não se apercebeu que estava perdida na cidade caverna. Quando se aperceberam do seu desaparecimento, o rei ordenou que parassem de caçar e começaram a procurá-la. Os caçadores gritavam: “Tamara, onde estás?”. Ela ouviu a voz e respondeu de volta com uma voz feliz: “Aq Var Dzia” que significa: “Eu estou aqui, tio.” Então, dessas palavras vem o nome deste lugar, “Vardzia”.
