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Desbaste no Camarido preocupou vereadora

A vereadora social-democrata Liliana Silva considerou "um bocadinho exagerado" o corte de árvores praticado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas no Pinhal do Camarido, nomeadamente na entrada da estrada municipal de acesso à Foz do Rio Minho (cada vez mais esburacada e com lombas a crescer por efeito das raízes adjacentes, registe-se a propósito).

"Descaracterização"

Na reunião camarária (realizada por videoconferência) da passada Segunda-feira, esta vereadora interpelou o presidente da Câmara sobre este desbaste que provocou, no seu entender, uma "descaracterização" desta parte da Mata Nacional, levando-a ainda a temer que haja "erosão" nas zonas intervencionadas.

Esta intervenção irritou o presidente da Câmara, tendo manifestado "estranheza" que a vereadora da oposição seja "especialista" em florestas e que tenha utilizado as redes sociais para insinuar que o ICNF ("esta gente", como os apelidou) estaria a aproveitar o confinamento para "fazerem o que querem".

"86% das árvores derrubadas são acácias"

O autarca socialista disse que esta intervenção decorre há meses e que se tratava de "um trabalho de excelência", porque "86% das árvores derrubadas eram acácias".

Miguel Alves insistiu na valorização do trabalho do ICNF nesta Mata e na "indignação" que a expressão da vereadora lhe causara no face-book.

"Tenho direito a ter a minha opinião"

As palavras do presidente do Executivo suscitaram reacção da sua opositora, tendo-o aconselhado a manter a calma, ao ter "extravasado toda a sua raiva" contra os comentários que ela postara no facebook. Mas ficou contente, contudo, pelo facto de constatar que "são seguidores do meu facebook", comentou com ironia.

A forma como Miguel Alves se referiu à utilização da palavra "gente", levou Liliana Silva a recordar que foi em pleno período de confinamento que foi dada luz verde à exploração de lítio em Montalegre, insistindo que "esta gente aproveita-se de tudo".

"Imundice"

Acrescentou ainda que lhe parecia exagerada a percentagem de mais de 80% de infestantes eliminadas, avançada por Miguel Alves, porque "eu vi com os meus próprios olhos e nem todas eram acácias", o que teria sido comprovado por mais pessoas, assegurou. Denunciou ainda a imundice deixada pelo madeireiro na estrada e passeios, por não ter recolhido os sobrantes das árvores, e assegurou que se tinha deslocado ao local a fim de confirmar o que ouvira ("eu vi com os meus próprios olhos", vincou), apesar do período de confinamento existente.

Recordou ainda que a intervenção não era assim tão antiga, pois o edital publicado era de Março, e insistiu na "descaracterização" a que se assiste, apesar de Miguel Alves a acusar de apenas se ter reportado aos cortes junto à EN13, perto das bombas de gasolina.

"Gestão complexa"

"Não é exagerada, mas requer acompanhamento", atalhou o vereador Guilherme Lagido, responsável pela área do ambiente, ao analisar esta intervenção em curso na Mata Nacional do Camarido.

O edil considerou "complexa" a forma como se deve ordenar este espaço verde, que se encontra organizado em talhões, e em que a maioria dos pinheiros bravos tem mais de 100 anos, cujo perigo "premente" de queda é real "nesta zona ventosa", o que o levou a considerar que esta operação já deveria ter sido realizada há muito, pelo que não classificou de "exagerado" o que está a ser levado a cabo.

O vice-presidente recordou que entre 2010/12, a Câmara Municipal de Caminha promoveu umas jornadas sobre o Camarido, em que os especialistas presentes admitiram ser "complexa" a gestão desta mancha verde.

"Acompanhamento rigoroso"

A proliferação de acácias poderá ser um risco após a desmatação, sendo portanto conveniente um acompanhamento rigoroso ("de perto e regenerador") da reflorestação, aconselhou.

Anotou, no entanto, que tinha sido elaborado um plano de gestão "em xadrez" do Camarido a fim de intervencionar os diferentes talhões, com prioridade para aqueles em que a regeneração é natural, e disse que tinha visto sair de lá infestantes, na sua maioria.

Contudo, avisou que será "praticamente impossível antever o que vai suceder".

Entretanto, junto aos aceiros principais, estão a ser plantadas folhosas, como também constatamos.


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