TRIBUNA
Espaço reservado à opinião do leitor
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HÁ QUEM GANHE COM O CORONAVIRUS
A China, o país onde surgiu o novo coronavírus e que o "exportou", dando assim origem à actual pandemia, começa a beneficiar da crise que criou, como o demonstra o enorme volume de exportações de material médico, desde máscaras até ventiladores. Para além disso, tem-se dado ao luxo de promover operações de charme diplomático, com diversos tipos de apoio, aos países europeus, em situação mais crítica. Dali, não esperem estados de alma, é tudo realpolitik!
Da cidade onde tudo começou, Wuhan, surgiram imagens da reabertura dos mercados, onde se continuam a vender animais selvagens mortos e vivos, em condições higieno-sanitárias deploráveis. Tendo em conta que as epidemias mais recentes também lá eclodiram e perante a reiterada negligência e falta de vontade em tomar medidas eficazes, não deveria a comunidade internacional, através das suas organizações, obrigar a China a indemnizar os países afectados? Não deveria a Organização Mundial de Saúde determinar o encerramento desses mercados e a proibição da comercialização de algumas espécies? Para que serve afinal a OMS?!
Faz alguma confusão que continuemos a importar da China milhões de euros em máscaras quando a indústria têxtil nacional tem mais que capacidade para abastecer o mercado interno. Há empresas portuguesas que reorientaram a sua produção e estão a exportar milhões de máscaras para a Alemanha e outros países. Mesmo que produzir em Portugal seja algo mais caro que na China, sai muito mais barato ao Estado, pois por cada empresa que evite o layoff ou o encerramento, poupam-se milhões à Segurança Social. Mais do mesmo.
Os hipermercados estão a vender como nunca e não são conhecidas doações de material médico das grandes cadeias ao Serviço Nacional de Saúde. Algumas dessas empresas até estão sediadas, na Holanda, para se furtarem ao pagamento de determinados impostos, em Portugal. Dá que pensar!
Determinados autarcas que pautam a sua gestão pela navegação à vista e sem obra estruturante que se veja, ficaram, de repente, em pé de igualdade com outros, tendo uma boa desculpa para continuarem a nada fazer. Alguns até aproveitam a crise para protagonizarem algumas acções "folclóricas". Com papas e bolos…
O ambiente. Não há memória de níveis tão baixos de poluição do ar e da água. Nunca as cidades e vilas estiveram tão limpas como agora, comprovando que os espaços urbanos mais limpos são aqueles em que há menos gente a sujar e não aqueles que têm mais gente a limpar. Mais educação para a cidadania, precisa-se!
ABRIL SEMPRE
Aquelas primeiras horas foram de grande confusão. Ninguém sabia esclarecer nada do que se ouvia na rádio, vizinhos e merceeiro da frente também nada sabiam de concreto. Só na escola percebemos que o tempo, o ambiente, estavam diferentes. Um Abril novo.
E veio um serviço nacional de saúde, e veio o direito à reforma, a férias, a libertação de presos políticos, o retorno dos exilados do livre pensamento, o travão da morte dos nossos soldados, o direito à liberdade de expressão, a alegria de se pertencer a um País livre da ditadura. E o povo cantou de alma lavada a conquista da Liberdade. Abril num país novo!
Depois os Abris começaram a perder os cravos, a canção da Liberdade já tem pouco de sol maior e hoje já muitos de nós sofremos um certo grau de desencanto. E perguntamo-nos algumas vezes: o que está a esmorecer? Para onde vai fugindo a alegria de viver?
Eu mesma que passei os melhores anos da minha vida seguindo a rota daquela gaivota que voava, voava, não sei muitas vezes onde é que fica essa rota.
Mesmo assim afirmo que valeu a pena e que continua a valer a pena. Os pais criam os filhos nos caminhos do bom e do bem e algumas vezes os jovens trocam-lhes as voltas, mas… o amor de pai não esmorece. Abril é o nosso filho e nem sempre se porta como nós o encaminhámos, mas é NOSSO.
O meu voto maior é que nunca mais seja preciso um novo Abril na nossa Pátria.
Viva o 25 de Abril sempre e para sempre.
Trabalhador: a força reivindicativa do progresso
O "Dia do Trabalhador", comemorado no primeiro de maio, principalmente nos países democráticos, constitui um marco histórico na libertação da mulher e do homem: da escravatura salarial, da prepotência patronal e da reivindicação por melhores condições de trabalho, com garantias de uma velhice tranquila e materialmente confortável, porque ninguém deve iludir-se quanto ao futuro que, salvo alguma situação imprevisível, a maioria deseja atingir idade provecta, e usufrui-la com dignidade.
É normal que os trabalhadores lutem por melhores dias laborais, em todos os sentidos e, independentemente das profissões e estatutos que possuam, sejam: intelectuais, científicas, liberais, operários, agricultores, pescadores, mineiros, funcionários públicos, militares, policias, entre outras profissões.
É justo, e será legítimo e legal, que recorram a todos os meios para fazerem valer as suas pretensões, porém, e sempre que possível, minimizando os prejuízos aos colegas de outros setores, principalmente quando optam pelo instrumento mais incisivo, a grave que, sabendo-se o seu objetivo, é precisamente, causar danos e demonstrar que aquele grupo de profissionais faz falta à sociedade.
Neste "Dia do Trabalhador", convém recordar que ele, em qualquer atividade profissional, é parte da máquina do progresso, cada um contribuindo com a sua quota-parte de tempo, de conhecimentos e de experiência, sem o que: cada empresário, patrões, chefias e outros interventores de topo, não teriam sucesso, ou então não continuariam a progredir numa determinada carreira.
Talvez interesse aqui referir que, por vezes, afigura-se existir algum afastamento, e até mesmo insensibilidade por parte dos trabalhadores no ativo, quando desencadeiam greves, para conseguirem melhores condições gerais pelo trabalho que realizam e, raramente, se lembram daqueles que, estando agora na reforma, já contribuíram para manter a empresa, onde os atuais têm os seus postos de trabalho, e até em melhores condições.
Verifica-se que nem sempre haverá solidariedade dos trabalhadores no ativo, para com os colegas reformados. Raramente ocorre uma greve, ou uma qualquer outra forma de luta, dos trabalhadores ainda em funções, a favor daqueles que, atualmente, aposentados, vivem com magras reformas. Esta mentalidade, que poderá revelar falta de solidariedade e desconsideração pelos ex-colegas, em nada favorece a imagem de quem está no ativo que, afinal, também descartam aqueles que, eventualmente, no passado os tenha ajudado a entrar para a sua empresa, para a função pública, enfim, os tenha apoiado para obterem um emprego., na gíria popular, aqueles que em tempos "meteram a cunha".
O "Dia do Trabalhador" também deve ser aproveitado, não só para manifestações, como também para refletir na situação que tendo sido trabalhadores, agora, grande parte, estão votados ao ostracismo. Neste dia, feriado nacional, consagrado ao trabalhador, não se pode ignorar, pelo contrário, quem trabalhou uma vida inteira e contribuiu para um país melhor, sofrendo na pele, quantas vezes, a humilhação, a repressão, a perseguição, para que hoje se possa comemorar este dia. Seria bom que nenhum trabalhador esquecesse o passado de seus avós, pais, parentes, amigos e conhecidos.
Neste primeiro de maio, deseja-se que a população: quem trabalha; quem está a chegar ao mundo do trabalho e os que já deram décadas das suas vidas, deem as mãos para que haja mais união, mais solidariedade e mais reivindicações globais, para que possamos usufruir de melhores condições de vida. Na verdade, não pode haver portugueses de primeira e de segunda classes.
A comunhão intergeracional, agora mais do que nunca, é essencial para se revelar respeito, carinho e consideração por nos entes queridos que tanto nos ajudaram, quantas vezes, a sermos alguém na vida. Nós, os "velhos", ou mais suavemente, os da "terceira idade" ou, ainda, diplomaticamente, os "seniores", tal como dizia o Papa Francisco, não podemos ser "descartáveis".
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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento Apoiado pela Fundação EDP
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Da Monarquia à República no Concelho de Caminha Crónica Política (1906 - 1913)
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Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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O Estado Novo
e outros sonetos políticos satíricos
do poeta caminhense
Júlio Baptista (1882 - 1961)
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Organização e estudo biográfico do autor
por Paulo Torres Bento
Edição: C@2000
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Rota dos Lagares de Azeite do Rio Âncora
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Autor: Joaquim Vasconcelos
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Memórias da Serra d'Arga
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