A Câmara Municipal continua a dar importância ao turismo no concelho de Caminha, facto evidenciado na reunião do Executivo desta semana quando foram discutidas as normas de ocupação do espaço público nas praias no próximo Verão.
"Este ano vai ser diferente e há incertezas"
Miguel Alves, presidente do Município, após salientar que "as praias são a Auto-Europa desta zona", foi desde já alertando que "este ano vai ser diferente e há incertezas", numa alusão às medidas que virão a ser tomadas pelo Governo.
Pese embora a situação de excepção que o país vive, e ignorando, por conseguinte, a data do regresso da abertura, a Câmara procedeu "como se fosse tudo normal": candidatou todas as praias à Bandeira Azul, procede à avaliação da contratação dos nadadores-salvadores e dialogando com os concessionários dos apoios de praia sobre este assunto que poderá tornar-se problemático se não aparecerem interessados. Recordou as dificuldades já registadas neste domínio no passado e frisou que a agravar a situação, poderá haver receios da parte desses nadadores-salvadores em assumir estas funções
O autarca disse que já estão a ser preparadas medidas destinadas aos cuidados a ter nas praias, dando como exemplos acções de sensibilização, control de acessos, esplanadas condicionadas, espaçamento das barracas e preparação de serviços de take-away.
"Seremos implacáveis"
Miguel Alves anunciou que serão criadas equipas municipais complementares ao trabalho que a Polícia Marítima e os nadadores-salvadores terão em mãos no controle do distanciamento dos banhistas, levando-o a admitir, contudo, que "tememos o pior com a reabertura".
Perante um cenário de eventual desrespeito das medidas de segurança e falta de bom senso por parte dos turistas, o autarca garantiu que "seremos implacáveis", ao ponto de poderem vir a decretar o fecho da praia caso a situação se descontrole. O próximo verão já foi igualmente debatido com o Comandante da Capitania do porto de Caminha, referiu Miguel Alves.
PSD rejeita restrições nas áreas não vigiadas
Apesar de ainda não serem conhecidas as regras com que as autarquias e demais autoridades responsáveis pela segurança no litoral se regerão, Miguel Alves avançou com um palpite: "parece que não vão autorizar fazer praia fora das zonas concessionadas".
Esta eventual decisão de restrição da área de praia mereceu desde logo a rejeição da vereadora do PSD Liliana Silva, temendo problemas se tal medida vier a ser implementada.
Mais pontos de apoio às praias
A vereadora pediu uma "reflexão alargada" sobre a próxima época balnear, face à importância estratégica que o turismo representa para o concelho. Sugeriu a instalação de mais pontos de apoio à praia, apontando como exemplo a parte do mar da Duna dos Caldeirões, em Vila Praia de Âncora, ou o areal desde a Foz do rio Minho até Moledo, ou nos penedos, desde esta freguesia até Vila Praia de Âncora.
Dificuldades em recrutar vigilantes
"A época balnear será gerida com pinças", assegurou Guilherme Lagido, vereador com a pasta do ambiente.
Enquanto que aguardam que a APA (Agência Portuguesa do Ambiente) se defina quanto ao novo Plano de Ordenamento Costeiro (esta agência reuniu na passada Quinta-feira), a Câmara de Caminha procederá apenas a contratações anuais com os concessionários dos apoios de praia, quando deveriam ter uma duração de 10 anos.
O edil reconhece as dificuldades que assistem à autarquia e aos concessionários no recrutamento de nadadores-salvadores, dando como exemplo a praia de mar da Foz do Rio Minho e a fluvial das Azenhas em Vilar de Mouros, as quais, por não terem concessionários, obrigam a que a autarquia caminhense assuma os vigilantes de praia.
"As expectativas são negativas", portanto, assumiu o vice-presidente camarário, o qual mostrou ainda dificuldade em gerir a venda ambulante na Rua Cândido dos Reis, em Vila Praia de Âncora, o que o levou a justificar a proposta de manutenção deste negócio nesta artéria. De igual modo foram aprovados concursos para a exploração dos mesmos bares de praia de anos anteriores, tanto em Vila Praia de Âncora, como em Moledo.