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Ex-músico e maestro da Banda de Lanhelas
contribui para o combate ao Coronavírus

"Proteger quem nos pode proteger"…"Estou sempre disposto a ajudar" Márcio Pereira

Márcio Pereira, um dos quatro irmãos músicos de Lanhelas formados nas escolas de música da Banda Musical Lanhelense, agora 1º Sargento da Banda da Marinha, deixou as pautas por alguns momentos e colocou-se no papel de criador e desenvolveu um "clamp" para oclusão do tubo orotraquial (tubo utilizado em pacientes com necessidade de ventilação assistida). Este dispositivo fecha totalmente o tubo evitando que o ar expirado pelos doentes com Coronavírus possa contaminar os profissionais de saúde nas diferentes unidades hospitalares onde este aparelho já está a ser utilizado.

Em final de Março, um amigo, Mário Gomes, da Ordem dos Enfermeiros, chamou-lhe a atenção para esta lacuna existente nos equipamentos dos serviços hospitalares na assistência aos doentes com ventilação assistida. Dado que Márcio Pereira se encontrava em casa, confinado, como a demais população do país, e face à sua experiência como técnico reparador dos instrumentos de sopro, correspondeu de imediato ao desafio desse enfermeiro e descobriu este tubo que é introduzido na traqueia do paciente, o qual, ao ser fechado, impede que os profissionais de saúde estejam a respirar o ar dos doentes infectados.

Até que a descoberta deste lanhelense fosse conhecida, testada e aprovada, os médicos e enfermeiros utilizavam uma pinça "que era mais parecida com uma tesoura e como era mais pesada num dos lados, fazia rodar o tubo e dificultava a respiração do paciente", justificou assim Márcio Pereira a importância da criação de ambos.

48 horas a trabalhar na descoberta

"Durante 48 horas ininterruptas", prosseguiu este músico-inventor, "conversamos muito, testando daqui e dacolá e à 13ª tentativa e após aceder às alterações que me foram pedidas o dispositivo tornou-se viável". Logo que comprovada a sua eficácia, "foi partilhado num grupo de facebook criado de propósito por mim com o objectivo de partilhar este modelo por todos os makers que possuem impressoras 3D e que não estavam ocupados a fazer viseiras - o que é outro mundo - para fazer chegar as peças aos hospitais onde precisam delas".

Produzidos já 15.000 dispositivos

Este dispositivo foi fabricado através da sua impressora 3D e já é produzido por muitos outros internautas que se associaram a esta iniciativa. "Tenho vindo a receber diversas encomendas de vários pontos do mundo", confessou-nos, depois de quase todos os hospitais do país já estarem a utiliza-los, embora "ainda não tenha recebido qualquer pedido do Hospital de Viana do Castelo", atalhou. Ele próprio se dirige aos CTT e despacha estes tubos para todo o país, frisou.

Márcio Pereira, ex-músico e director musical da Banda Musical Lanhelense, acentuou ter já recebido pedidos de muitos países, como o Brasil, por exemplo, mas, "como não tenho hipótese de os enviar por correio, forneci o desenho a quem mo pediu e disse-lhe para tentar encontrar um grupo de impressores que o posam reproduzir". Acrescentou que da Inglaterra, Bolívia e Venezuela surgiram igualmente pedidos, mas, "não sei se estão já a produzir".

"Proteger quem nos pode proteger"

Márcio Pereira, vincou ainda que "ninguém está a ter lucros com isto e só eu, sozinho, com as minhas duas impressoras 3D, no último mês, gastei 24/25 quilos de PLA, além de electricidade, etc."

Acentuou também que "o objectivo disto é proteger quem nos pode proteger, médicos, enfermeiros, porque sem eles, estamos mal encaminhados".

Este lanhelense encontra-se em teletrabalho, cumprindo com as suas obrigações para a Marinha, e com a colaboração de dois amigos que estão a produzir os tubos, vai "distribuindo" esta sua invenção pelos hospitais de Lisboa. Deu igualmente como exemplo o caso de Beja, onde não existe qualquer pessoa a produzir este invento, levando-o a dirigir-se aos Correios para enviar estas peças, quando solicitadas.

Considera ser um "orgulho muito grande" este seu contributo para a luta contra a pandemia, ao proteger os profissionais de saúde, além de que "se alguém da minha família ou meu próximo vier a precisar de algo no género, "a satisfação é grande", reconhece, por poder colaborar.

Incentivo de seu pai

Admite que os conhecimentos adquiridos com seu pai -"que foi o meu grande mestre e que acompanhava sempre" - na arte da carpintaria, electricidade, pichelaria, em Lanhelas, se revelaram extremamente valiosos neste momento, por terem sido um "incentivo para estar sempre a aprender, a investigar coisas novas", assegurando por outro lado que "estou sempre disposto a ajudar".

Este contributo foi objecto de uma nota de reconhecimento por parte da Marinha Portuguesa, mas este militar fez questão de frisar que não pretende qualquer protagonismo, mas tão só "contribuir neste momento tão difícil que a Humanidade atravessa", enquanto que se encontra retido em casa, tais como os restantes 107 elementos que compõem a Banda, fazendo gravações individuais para o facebook da Marinha, entre outros trabalhos.

"É lanhelense"

José Ramalhosa era presidente da Banda Musical Lanhelense quando convidaram Márcio Pereira para dirigir a filarmónica, porque "entendemos na altura que era a vez do Márcio dar os primeiros passos na direcção artística da Banda".

Este instrumentista, solicitado a comentar este contributo dado pelo seu conterrâneo na luta contra o vírus, exclamou que "é claro que é uma honra para Lanhelas e para qualquer elemento da Banda Lanhelense, que o Márcio não dê apenas cartas na música, mas também numa área que não é a dele", mas que está a ter tanto êxito nestes momentos difíceis.

"Já tive oportunidade de o felicitar, bem como a sua mãe", acentuou, com o orgulho de ser um "lanhelense" - o que muito os engrandece, frisou.

(Actualização: 23/4 - 18h40)



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