A Terra que é a única casa que o homem tem para habitar. De há algumas décadas, até ao presente, muito se tem esforçado por convertê-la num lugar inabitável, através de políticas de desenvolvimento que sempre olharam ao lucro e pouco à sustentabilidade. A concupiscência tem-se sobreposto à solidariedade. A cegueira do lucro, a qualquer preço, tem ignorado os valores humanos e a responsabilidade social.
O mundo é cada vez mais desigual. Como é possível que apenas 10 pessoas acumulem mais riqueza que 1.000.000.000 (MIL MILHÕES) de (sub)-pessoas, todas coabitando a mesma morada?
Temos "esticado a corda" até aos limites do impensável?
Nos últimos tempos, a natureza tem-nos enviado sinais e queixas, cada vez mais frequentes, cada vez mais devastadores e com ruído ensurdecedor. Ninguém pode dizer que desconhecia. Ninguém pode dizer que não foi avisado.
Foram terramotos e tsunamis. Foram tufões, cada vez mais destrutivos. É o degelo das calotes polares e a subida do nível da água dos oceanos. Foram os terríveis incêndios na Califórnia, na Austrália e na Amazónia.
Apareceram os "profetas"- Al Gore e Greta Thunberg - e zombaram deles.
Nada tem sido bastante para provocar uma mudança imediata. Porquê? Talvez porque, num tempo de emergência, o mundo tem lideranças medíocres e até anedóticas, em alguns casos.
Que saudades de Winston Churchil, Charles de Gaulle, Olof Palm, Helmut Schmidt!
E como o homem não deu ouvidos a avisos ruidosos, decidiu a mãe natureza que a ameaça seria silenciosa, global e democrática (atinge todos, mesmo aos ricos e poderosos).
E está a resultar. O mundo está a parar. O tempo deixou de contar. A poluição está a diminuir drasticamente. O silêncio é assustador. O "suspense" é angustiante.
Está a sobressair a impreparação dos Estados e egoísmo dentro das organizações. Os líderes mais medíocres não conseguiram disfarçar como são ridículos e vazios.
Salva-se a solidariedade dos povos e da sociedade civil.
Salvam-se a coragem, o saber e o espírito de missão dos heróis da linha da frente que, a todo o custo, com risco de vida, tudo fazem para salvar vidas e minorar o sofrimento.
Mas será que aprendemos a lição e estaremos determinados a mudar?
O desafio é gigantesco. À crise sanitária, seguir-se-ão as crises social, económica e política. Nada será como antes.
Sem qualquer dúvida, tem que surgir um novo paradigma.
Tem que ser valorizado o que é realmente importante e premente.
Apostar fortemente na ciência e no conhecimento. Apoiar o desenvolvimento dos países miseráveis e criar condições para cessar as guerras que são alimentadas pela indústria do armamento, eliminando-se assim a crise das migrações e dos refugiados. Combate determinado às alterações climáticas, etc, etc..
Teremos líderes à altura desse desiderato ou emergirão novos protagonistas?
Será que isto é o princípio do fim ou o princípio de uma verdadeira mudança?
O aproveitamento popularucho de Sua Excelência o Presidente da República, no telefonema ao Sr. Enf. Luís Pitarma, é uma demonstração menor do uso da política.
Realmente, é um orgulho para os Enfermeiros Portugueses, haver um membro desta nossa Classe Profissional que serviu, cuidou e tratou o Sr. Primeiro-Ministro Inglês, Sr. Boris Johnson no próprio Hospital Inglês, e este num acto de reconhecimento e muita nobreza, em directo e formalmente, na sua comunicação ao País, tenha agradecido o profissionalismo e dedicação deste Enfermeiro.
Perante este reconhecimento, o que nos enche de orgulho, motivou o Sr. Presidente da República, Prof. Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, a telefonar-lhe, segundo a imprensa. Caracterizo este acto, como um acto de cinismo, populista, aproveitador e exibicionista.
Sem desvalorizar a importância do desempenho do Enf. Luís Pitarma, dizer ao Sr. Presidente da República, que há muitos Enfermeiros que em Portugal e pelo Mundo, que todos os dias estão no seu mais alto desempenho. Simplesmente, trabalham no anonimato, com a qualidade e desempenho que todos lhe reconhecem. Mesmo quando, logo e num primeiro momento, assistem os Presidentes da República, quando desmaiam. Mas aqui em Portugal, com certeza, com algumas diferenças. Nos outros Países do Mundo, Os Enfermeiros Portugueses, são reconhecidos, bem remunerados e com condições de trabalho. Em Portugal, os Enfermeiros são desvalorizados, mal remunerados e muitas das vezes sem condições de trabalho dignas. Mas o Sr. Presidente nunca se interessou em avaliar, ouvir e escutar as reivindicações dos Enfermeiros. E quando os Enfermeiros estavam em luta pelas melhores condições de trabalho e remuneração, o Sr. Presidente nunca teve agenda para receber os seus representantes. Mas em igual circunstancias, recebeu outras Ordens Profissionais.
Esta declaração do Sr. Primeiro-Ministro Inglês, Sr. Boris Johnson, deveria ter feito corar de vergonha o homólogo Português, Dr. António Costa e já agora a Srª. Ministra da Saúde, Doutora Marta Temido, que passa o tempo, sempre que a oportunidade surge, a minimizar e desvalorizar a Classe de Enfermagem, para além da perseguição e insultos que proferiu.
A grandeza deste elogio de Boris Johnson tem até mais valor, face ao historial do "Brexit", onde o Primeiro-Ministro Inglês foi protagonista.
Já agora a titulo de prevenção Sr. Presidente da República, Prof, Doutor Marcelo Revelo de Sousa, se ligar para algum Enfermeiro em Portugal e ele não atender, a razão é simples, este Enfermeiro está a trabalhar e muito, a cuidar de pessoas, embora não reconhecido e mal remunerado.
Fui o que se pode chamar de zero à esquerda no que respeita a números. As tabuadas da quarta classe foram à conta da régua e da cana da Índia, as operações básicas também, mas para o resto, como não havia reguadas no Liceu…
Equações, raízes de qualquer grau, problemas piores do que os das torneiras ficaram pelo caminho, melhor dizendo, nem pelo caminho. Mandei-as mesmo para a berma da estrada. Em adulta fizeram-me falta, mas o marido que era contabilista colmatava amavelmente a minha ignorância.
As pessoas, a questão social, os afectos, os sem lar, sem pão, sem amor, isso é que me interessava. Os números, pouco. E mesmo tentando o euromilhões esqueço quase sempre de verificar se fiz algum número certo. Mas sou feliz assim.
- Morreu o vizinho do quarto andar? Coitadinho. E de quê? Quando é o funeral? Tenho que ir comprar um raminho…
Ouvia-se isto a miúde na nossa rua e na outra, e na outra, na padaria, no talho. Abraços, lágrimas, carícias na cabeça dos familiares, um pousar leve de mão na tampa do caixão não traziam o falecido de volta, mas dava um calorzinho bom ao frio da lágrima.
Hoje procuro no écran da televisão o número de mortos no meu país, a percentagem dos mortos na minha cidade, mas nem sei os nomes, nem me lembro que há famílias a sofrer nem sei por quem, parece que só os números me interessam. Mas não sou eu que passo ao lado dos números e que só me interesso pelas pessoas? Algo mudou em mim e não gosto. Como não gosto de saber que a maior parte daqueles que o vírus apanha, não vão sentir um último afago, um último adeus da família.
Detesto os números.
Detesto as percentagens e cada dia me angustio mais perseguida por elas.
A mulher e o o homem português têm que, face aos poderosos meios científicos e técnicos ao seu alcance, assumir a sua cultura, com tudo o que ela comporta, sem vergonhas, nem complexos, retirar do esquecimento as suas seculares tradições, recapitular o mundo antigo, antecipar para o futuro o classicismo greco-romano, do qual, e de resto, nasceram valores inestimáveis, nomeadamente: a Honra, o Respeito, o Humanismo, o Direito, a Justiça, a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade, entre muitos outros, hoje tão ignorados, ou ridicularizados, ou pelo menos, não assumidos.
Neste caso, todos aqueles grandes princípios, valores e sentimentos que, o Cristianismo, entre outras religiões, encerra, consubstanciados no Amor, na Verdade, na Solidariedade, na Lealdade, na relação antropológica do "Eu-Tu", sob a Luz de um Ser Absoluto e Supremo, que de facto tudo fundamenta, é que dão esta dimensão inigualável da pessoa verdadeiramente humana.
Apesar do que fica escrito, a cultura portuguesa não está, ainda, completamente degradada, porque os cidadãos, inseridos numa civilização do tipo ocidental, conseguem, não obstante os vários movimentos supernacionalistas, manter uma certa referência ao passado, e uma distinção em reação a outros tipos civilizacionais e, como que "renascendo das cinzas", mostrar aos parceiros internacionais um valioso património cultural, com base no sentimento emocional que carateriza a cultura portuguesa.
Esta cultura nacional é um processo de valorização do humano, mais de formação de caráter do que transmissão de saberes, dentro de um rigoroso conceito de humanismo, através da arte, da literatura, da filosofia e do vasto leque das outras ciências sociais e humanas. Naturalmente que noutras partes do globo, diria mesmo, que cada país tem a sua cultura própria. Num trabalho espetacular, citarei uma autora especializada nesta matéria. Assim: "No meu ponto de vista o que define cada cultura é a sua história, tradição, costumes, memórias… e o que as torna únicas são as suas especificidades.
Em Portugal o que o torna único são o calor das suas gentes, a sua enogastronomia, o fado - "a saudade", entre muitas outras especificidades.
A França o que a torna única são a sua indústria automóvel e outras, a moda, a vanguarda, os produtos de luxo, e também a sua enogastronomia, sem dúvida.
Se tivesse de caracterizar o povo português, diria que é um povo bem mais acolhedor que o Francês. O povo português é mais otimista e sonhador. Tem também uma enorme capacidade de adaptação a todas as coisas, ideias e seres, sem que isso implique perda de carácter. Foi esta faceta que lhe permitiu manter sempre a atitude de tolerância e que imprimiu à colonização portuguesa um carácter especial inconfundível: assimilação por adaptação.
O Português tem vivo sentimento da natureza e um fundo poético e contemplativo estático diferente do dos outros povos latinos. Apesar de ser caloroso, falta-lhe a exuberância e a alegria espontânea e ruidosa dos povos mediterrâneos. É mais inibido que os outros meridionais pelo grande sentimento do ridículo e medo da opinião alheia.
O povo português é também fortemente individualista, mas possui grande fundo de solidariedade humana, por exemplo quando sucedeu a derrocada na ilha da Madeira, muitas pessoas deram donativos para contribuírem a reconstrução/reparação das casas e outros locais destruídos.
Outro facto que caracteriza o povo português é o estado de alma sui generis que ele denomina de "saudade". Esta saudade é um estranho sentimento de ansiedade, a ânsia permanente da distância, uma espécie de sentimento poético de fundo amoroso ou até religioso, que pode tomar a forma panteísta de dissolução na natureza, ou se compraz na repetição obstinada das mesmas imagens ou sentimentos.
O povo Português também é um povo de emigrantes, espalhados pelo mundo, considerados bons trabalhadores por todos. O povo português tem uma grande coragem e espírito de sacrifício como poucos.
O povo português tem também uma enorme capacidade de adaptação, pois adapta-se a climas, a profissões, a culturas, a idiomas e a gentes de maneira verdadeiramente excecional. O Português foi sempre poliglota. Já os nossos clássicos escreveram quase todos em mais de uma língua, e mesmo as pessoas de pouca instrução aprendem e sabem com frequência falar um idioma estrangeiro.
Mas a capacidade de adaptação é geral; podia ilustrar-se com inúmeros exemplos. O Português adapta-se a outro ambiente cultural tão bem que parece ter sido assimilado. Já o francês parece sempre francês em qualquer lado, dificilmente perde o seu sotaque, pronúncia e hábitos
A capacidade de adaptação, a simpatia humana e o temperamento apaixonado são a chave da colonização portuguesa. O Português assimilou adaptando-se.
Ao longo da História também se verifica o temperamento expansivo e dinâmico do Português. Nos tempos em que a atividade era a guerra, os Lusitanos foram a expressão mais acabada da luta permanente e sem tréguas, que se prolongou pela Idade Média nas lutas da Reconquista contra os Mouros, para se transformar, finalmente, nas viagens de descobrimentos e de colonização.
Outra constante da cultura portuguesa é o profundo sentimento humano, que assenta no temperamento afetivo, apaixonado e bondoso. Para o Português o coração é a medida de todas as coisas.
Na história e literatura portuguesa também temos a presença deste sentimento de amor forte: basta relembrar a grande paixão de D. Pedro por D. Inês de Castro, que nem a morte conseguiu extinguir e que ainda hoje serve de motivo poético.
Na literatura basta lembrar a lírica de Camões, esse grande poeta, que nos dá exemplos da mais bela e mais repassada emoção.
Quanto à discrição física dos portugueses, antes eram morenos, de estatura baixa, sorridentes…hoje somos menos sorridentes (devido à crise financeira que atravessámos), somos morenos, louros, ruivos, mulatos, asiáticos…somos uma mistura de muitas nacionalidades que por cá se instalaram, casaram com portugueses e tiveram filhos.
Lá fora os outros associam Portugal a um país de férias, de calor. Palavras como mar, sol, calor, férias, festas e praia são referenciadas com muita frequência. Também nos associam ao Futebol e o nome de Figo e Cristiano Ronaldo são bastante nomeados.
Também somos conhecidos pelo Fado, atualmente Património Imaterial da Humanidade, assim como pelo o nosso Vinho do Porto ("Oporto"), embora lá fora ainda muitos pensem que é um produto inglês, principalmente nos Estados Unidos da América.
Também somos vistos como um povo que gosta de comer e beber bem. Associam-nos muito ao bacalhau e à sardinha.
Um ponto negativo que também nos caracteriza: a falta de pontualidade!!! Considerada uma falta de respeito para certas nacionalidades. No entanto não o fazemos por falta de respeito, aliás de um modo geral o povo português é respeitador e privilegia muito este valor. Digamos antes que chegar tarde, já nos vai no sangue…
Neste aspecto os franceses são pontuais e gostam muito da pontualidade nos outros. Neste ponto um trabalhador português em França terá de se adaptar rapidamente e cumprir os seus horários se quer preservar o seu emprego ( no nosso país também…).
Relativamente aos franceses, sendo umas pessoas menos acolhedoras que nós, são muito mais românticas que nós. Aliás a França é objecto de todo um imaginário romântico em torno da sua tradição artística e intelectual, da riqueza do seu património arquitetónico e da diversidade das suas paisagens resplandecentes. Cada país tem a sua especificidade.
Poderíamos também afirmar que a gastronomia francesa faz parte do património nacional. A gastronomia é, com efeito, uma das maiores referências de França no mundo. Delícias como o foie gras, as quiches, os crepes ou o camembert… são produtos franceses que se expandiram por todo o mundo.
Dependendo da cultura, podemos concluir que não existe cultura sem tradição. Pois esta institui uma relação entre o passado - a tradição, na medida em que nela se inscrevem actos culturais que ilustram as diferentes possibilidades do homem - e o presente, que num diálogo com essas produções é capaz de criar outras formas, outros modos de estar no mundo.
Podemos, então, admitir que não há cultura verdadeira sem uma atenção à tradição para a compreensão do presente e construção do futuro." (http://oquemevainacabecaagora.blogspot.com/2012/03/cultura-portuguesa-versus-cultura.html 12.04.2020)
Concluiria afirmando que se trata de um excelente artigo que revela, afinal, que ainda há pessoas que se preocupam com o nosso património nacional e, também, mundial, em todas as suas dimensões: cultural, turística, religiosa, monumental, arquitetónica, histórica, enfim, ecuménica. Realizou um trabalho que, do meu ponto de vista, é bem merecedor de enquadramento num capítulo de uma tese de doutoramento.
São trabalhos desta natureza que prestigiam a nossa investigação científica e que deveriam merecer mais atenção dos responsáveis pelas instituições: sejam governantes, professores ou a comunidade em geral. Continue com este esforço e conte comigo para o pouco que lhe poderei dar nesta matéria, mas gostaria imenso de para partilhar dos seus sucessos. Parabéns por um artigo de altíssimo nível científico. A comunidade científica portuguesa está em dívida para consigo.
Bibliografia
FERNANDES, Cecília Manuela Gil C., (2012), Cultura Portuguesa versus Cultura Francesa, in: http://oquemevainacabecaagora.blogspot.com/2012/03/cultura-portuguesa-versus-cultura.html 12.04.2020