Em Caminha estão a ser preparadas 100 camas para receber infectados pelo Coronavírus em caso de necessidade, anunciou Miguel Alves, presidente do Executivo camarário, no decorrer da reunião desta tarde, realizada por videoconferência por precaução face ao risco de contágio.
Algumas unidades hoteleiras, e o próprio pavilhão gimnodesportivo municipal de Caminha será a primeira opção, embora não seja descartada a de equipamento semelhante em Vila Praia de Âncora se as condições de agravarem, o que ninguém deseja. O vereador da oposição social-democrata Paulo Pereira referiu o apoio que o abergue de peregrinos de Caminha poderia dar nessa circunstância, embora funcionasse com o sistema de beliches, tendo Miguel Alves sublinhado que só aproveitariam uma cama por beliche, se tal for necessário, realçou
Este complemento à informação do reforço da retaguarda surgiu após a vereadora Liliana Silva ter sublinhado que seria "pertinente" que ambos os pavilhões estivessem disponíveis para esse fim, insistindo Miguel Alves que já se encontram a acautelar esta possibilidade "há duas semanas".
Região de Turismo do Porto de Norte de Portugal teme pelo verão
Os 10 municípios do distrito de Viana do Castelo decidiram por unanimidade cancelar todos os eventos ao ar livre em toda a região, atendendo a que não é possível prever a evolução da pandemia.
Mas o receio da promoção de concentrações já levou o Município de Ponte de Lima a prolongar a anulação de todos os eventos públicos até Agosto, ao mesmo tempo que o presidente da Região de Turismo do Porto e Norte de Portugal já aponta como possível que estas medidas se prolonguem por todo o verão, assinalou Miguel Alves.
Nesta reunião, foram aprovadas medidas de apoio à população caminhense e o PSD avançoucom mais nove sugestões, insistindo na criação de uma linha de apoio informativo no campo da saúde, sugestão não comungada por Miguel Alves, por entender que tal missão cabe às autoridades nacionais de saúde.
Empréstimo para contribuir no apoio social
Nesta sessão camarária sui generis (apenas Miguel Alves, Guilherme Lagido e Liliana Ribeiro marcaram presença no Salão Nobre) e cujo formato se deverá repetir dentro de 15 dias, foi aprovada (rectificada) a contracção de um empréstimo de curto prazo para que o Executivo pudesse adiantar as verbas às juntas de freguesia (já despachadas) e com esse dinheiro acudir às situações de emergência social.
A questão social com origem na pandemia vírica absorveu a prática totalidade desta reunião da vereação, com Miguel Alves a justificar esse leque de medidas, como forma de "valorizar o tecido social do concelho", porque "não sabemos quanto tempo vai demorar a crise".
O presidente da Câmara sublinhou que no mês de Março tinham pago 1,3 milhões de euros a fornecedores, referentes às facturas dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro. Acrescentou que até ao presente já tinham sido servidas 700 refeições a alunos carenciados e aos Bombeiros de Caminha e Vila Praia de Âncora, confeccionadas na cantina da sede do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, e distribuídas pelos funcionários camarários nas carrinhas do Município.
"Repensar o futuro"
Toda esta situação levou os vereadores a pensarem o futuro colectivo do concelho - até ao presente, intensamente direccionado para o turismo -, agora posto em causa no futuro imediato por esta crise inimaginável que colocará em causa muitas pequenas indústrias e comércios extremamente dependentes dos turistas.
Foi dentro desta perspectiva que o PSD também apresentou as suas propostas, vincando Liliana Silva a necessidade de atrair empresas e indústrias para o concelho no futuro.
Câmara voltará a reunir com trabalhadores da Camipão
O caso da suspensão laboral da Camipão suscitou uma análise neste plenário, tendo Miguel Alves referido que este tema "tem-nos mobilizado na procura de soluções" para o problema social gerado, após ter sido "estabilizado" o abastecimento de pão, cujo consumo é "diário", recordou.
O autarca lamentou que não tivesse ainda havido resposta da parte da entidade patronal que lançou no desemprego 62 trabalhadores que se encontram em "situação difícil", e que levou a ACT a deslocar-se hoje à empresa, de modo a averiguar em que modos é que a laboração se encontra suspensa. Na posse desta informação, será possível perceber qual a situação dos funcionários para que seja possível conceder-lhes apoio através do Fundo Social da Segurança Social. A Câmara, através da Rede Social, tem vindo a colaborar no pagamento de rendas e alimentação das famílias agora em dificuldades.
O presidente da Câmara admitiu que esta falência terá um impacto maior do que o fecho da Ancorensis, porque os trabalhadores não têm perspectivas de emprego, ao invés do que sucedeu com essa escola e avançou que voltará a reunir com os seus representantes ainda durante esta semana.
"Não nos compete julgar a decisão da gerência"
A forma como o fecho da empresa de panificação se processou e num "altura complicada" como a actual, foi relevado pela vereadora social-democrata Liliana Silva, embora tivesse sublinhado que nada tinham a ver com a gestão privada da empresa.
A vereadora (ex-colega de bancada de José Presa, gerente da Camipão e que suspendera o cargo há uns meses) evidenciou a sua tristeza pelo fim desta indústria (a maior do município), a qual já possuía uma "história" em Vila Praia de Âncora e no concelho, tendo sido o "motor" de muitos eventos e iniciativas, frisou. A edil disse que concordava com "todos os apoios" que a Câmara de Caminha conseguisse para os trabalhadores agora desamparados e a quem expressou solidariedade.