| Camipão
Trabalhadores denunciam retirada de material das instalações
Câmara reuniu com desempregados
Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora manifesta "descontentamento e repúdio" pela reunião
Miguel Alves rebate acusações
Deputados socialistas questionam Governo sobre encerramento da empresa
Os trabalhadores da empresa Camipão denunciaram que estão a ser retiradas indevidamente diversas máquinas utilizadas na confecção desta fábrica, encerrada inesperadamente no passado dia 24 de Março, tendo publicado fotografias que dizem comprovar o que afirmam. Esta situação terá levado à realização de piquetes, de modo a tentar evitar o esvaziamento das instalações.
José Presa em silêncio
Tentamos novamente contactar José Presa, gerente da indústria de panificação, a fim de confirmar a acusação de que a gerência é alvo, mas sem resultado.
José Luís Lima, delegado sindical da Camipão, e a quem coube subscrever o pedido de insolvência em nome dos cerca de 60 funcionários que pediram a suspensão do contrato por salários em atraso e fecho ilegal da laboração, confirmou ao C@2000 esta situação que já estava a ser denunciada nas redes sociais.
Reunião com medidas de segurança
Este sindicalista comentou ainda a reunião mantida ontem à tarde no Cineteatro dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora, entre a Câmara Municipal de Caminha, a coordenadora do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal e cerca de 50 trabalhadores da Camipão, realçando que tinham sido tomadas todas as medidas de segurança de modo a salvaguardar a saúde dos participantes.
Câmara prometeu apoios
José Luís Lima revelou-nos que o presidente da Câmara se mostrou solidário e disponível para auxiliar os trabalhadores agora no desemprego, prometendo apoio às famílias em dificuldades, tanto no campo social - através da Rede Complementar de Apoio criada por efeito do Coronavírus -, quer do ponto de vista alimentar, quer no pagamento de rendas de casa. O autarca prometeu ainda empenhar-se na procura de trabalho para os funcionários com maiores problemas económicos.
"Fachada"
Estando agendada para o próximo dia 11 uma assembleia geral de sócios da Camipão, José Luís Lima desvaloriza a sua importância, considerando-a "uma fachada".
"Só falo de coisas sérias"
Sendo conhecedor da posição do presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora sobre a realização da dita reunião no cineteatro, José Luís Lima disse simplesmente que "só falo de coisas sérias", considerando "sem valor" esse comunicado.
Carlos Castro considerou um "risco" reunião
Nesse comunicado da autoria do presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, são vertidas críticas à realização da reunião e apontando mesmo contradições entre as recomendações das autoridades de saúde e a decisão do presidente da Câmara, responsável pela Protecção Civil.
Miguel Alves lamenta mas não surpreendido
Tendo solicitado ao presidente da Câmara uma apreciação ao posicionamento de Carlos Castro à convocatória da reunião, Miguel Alves disse-nos que "é lamentável mas já não surpreende".
Deputados socialistas questionam Governo sobre encerramento da empresa Camipão em Caminha
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Os deputados do Partido Socialista eleitos pelo círculo de Viana do Castelo pediram hoje esclarecimentos ao Governo sobre o encerramento, sem qualquer aviso prévio, da empresa Panificadores Unidos do Concelho de Caminha, conhecida por Camipão, considerando a decisão de "duvidosa compreensão", num momento em que o Governo está a adotar medidas de apoio às empresas e trabalhadores para contrariar os efeitos da crise de saúde pública derivada da pandemia por Covid-19.
Recorda-se, na pergunta dirigida à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que a Camipão é "uma empresa com décadas de atividade e com uma importância inquestionável para a economia do concelho de Caminha", mas também para o concelho de Vila Nova de Cerveira, para onde a empresa expandiu a sua atividade, "contando hoje com 11 lojas e mais de seis dezenas de trabalhadores".
"Apesar das diversas dificuldades financeiras que a empresa foi alegando ao longo dos anos, nada fazia prever este encerramento, sem aviso prévio aos trabalhadores e sem salvaguarda dos muitos clientes que diariamente eram fornecidos por esta empresa e ainda mais numa fase em que o país se enfrenta a uma pandemia sem precedentes com evidente impacto no desenvolvimento económico e social do país", criticam os deputados Marina Gonçalves, José Manuel Carpinteira e Anabela Rodrigues, assim como o deputado Tiago Barbosa Ribeiro, também subscritor da pergunta.
É, por isso, de "duvidosa compreensão que, num momento em que o Governo está a desenhar apoios para salvaguarda das empresas e dos seus trabalhadores, por forma a contrariar os efeitos da crise de saúde publica que tem levado à inatividade de muitos setores, uma empresa responsável por tantos empregos tome esta decisão", consideram.
Para o Partido Socialista, "é determinante perceber se o alegado incumprimento laboral se verifica, nomeadamente quanto ao pagamento atempado da remuneração e outros valores legalmente devidos, à salvaguarda dos requisitos legais quanto ao aviso prévio ao despedimento coletivo ou aos motivos que levaram ao encerramento desta importante empresa".
Nesse sentido, os deputados socialistas pretendem que a Ministra do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social esclareça se "face às denuncias dos trabalhadores quanto ao procedimento da empresa, foi promovida alguma diligência por parte da ACT" e, em caso afirmativo, "que irregularidades foram identificadas e que procedimentos foram empreendidos junto da empresa".
Os parlamentares querem também saber "que medidas podem ser empreendidas com vista à salvaguarda de uma empresa tão importante para a população e economia local e para a estabilidade profissional dos trabalhadores que ainda pertencem a esta empresa".
Gabinete de Imprensa GPPS
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