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Três semanas depois do confinamento, juntas de freguesia concluem a sua visão do momento actual

Todas as juntas de freguesia do concelho de Caminha destacaram perante o C@2000 a situação que passou a vigorar nas suas terras após esta pandemia que alterou a nossa forma de (con)viver e obrigou as autarquias a adaptarem-se a um novo tipo de apoio aos seus fregueses.

Neste edição, completamos este périplo pelas 14 freguesia do município de Caminha:

Moledo/Cristelo

"Cumprem e é óptimo", assim se expressou Joaquim Guardão, presidente da Junta de Freguesia, em relação ao comportamento que os moradores desta freguesia têm vindo a adoptar perante as exigências e conselhos que todas as entidades vêm lançando, incluindo a sua autarquia e a própria Câmara Municipal.

Admitiu a presença de pessoas com segunda habitação em Moledo e Cristelo, mas que se mantêm em casa, muitas delas possuidoras de pequenos jardins que permitem "descomprimir-se", sem furarem as regras.

Os emigrantes não têm regressado a esta freguesia, esclareceu-nos, para o que terá também contribuído as restrições à circulação impostas em muitos países.

Há já bastantes pessoas a recorrer aos hortos, adquirindo sementes de diversos legumes e outras verduras e produtos agrícolas, sinónimo de um "regresso à terra" e duma forma de ocuparem o tempo, prosseguiu Joaquim Guardão.

Numa terra de forte pendor turístico, há cada vez menos habitantes a passear no paredão ou na ecovia, e os que ainda o fazem, optam por caminhadas individuais e afastando-se uns dos outros. A presença assídua da GNR e Polícia Marítima contribuem igualmente para dissuadir eventuais tentações.

Analisando a componente económica, este autarca admite que "será complicado se isto não passar depressa", atendendo a que muito comércio e restauração espera ansiosamente pela época balnear a fim de "ganhar algo" e, se tal não suceder, "teremos um problema grave".

A sede da Junta de Freguesia encontra-se encerrada, completou este autarca moledense, e "apenas vou lá eu", quando as pessoas lhe ligam para passar algum atestado ou prova de vida.

Os cemitérios da freguesia encontram-se abertos, informou-nos, pelo facto de existirem dois, o que permite alguma "dispersão" das pessoas, mas, presentemente "encontram-se praticamente desertos".

Nestes dias de ansiedade e preocupação, as pessoas meditam a conversam sobre a situação actual.

Joaquim Guardão admite que "há uma ilação a tirar para todos nós: a terra está a dar-nos uma lição, porque ela própria agradece esta paragem".

"E já não sei se não haverá muita gente a pensar de outra maneira", passadas estas semanas, comparativamente ao que diziam no início daquilo que se viria a tornar numa pandemia aterrorizadora.

Dem

A Junta de Freguesia de Dem continua a manter as reuniões habituais às terças-feiras, entre as 19 e as 20 horas, a fim de receber os seus fregueses, embora apelem a que não se desloquem até às suas instalações, devendo optar por telefonar para os membros da autarquia em caso de necessidade, a fim de evitar aglomerações.

Clemente Pires, presidente da Junta, assegurou que se deslocarão a casa das pessoas, entregando-lhes a documentação solicitada, assim como bens de primeira necessidade e remédios. A autarquia deense encontra-se ainda integrada na Rede Social criada pela Câmara Municipal de Caminha, no apoio aos mais carenciados.

A autarquia local optou por não encerrar o cemitério, por temer que as pessoas não reagissem bem, decidindo colocar um aviso, aconselhando a que evitem ir substituir as flores naturais, devendo optar por artificiais enquanto durar este período e, acima de tudo, não se concentrarem neste local. Tendo-se realizado um funeral (o falecimento nada teve a ver com o vírus, registe-se) no dia em que contactamos a Junta de Freguesia, Clemente Pires revelou que tal como já tinha sucedido dias antes, foram seguidas as determinações de restrição emanadas das respectivas autoridades de saúde, não havendo velórios, actos religiosos habituais neste momentos, e o acompanhamento foi restringido.

Em Dem, a exemplo de outras decisões tomadas em diferentes autarquias, incluindo a Câmara Municipal, a utilização de fontes e fontanários encontra-se interdita.

Os bares encerraram, encontrando-se apenas de portas abertas o serviço de mercearia do Café Sobreiro, o qual é procurado inclusivamente por pessoas de outras freguesias, revelou Clemente Pires.

Embora ainda não tenha surgido qualquer caso nesta freguesia que a autarquia tivesse tido conhecimento, as pessoas mostram-se "apreensivas", não contactando muito umas com as outras, porque "estão muito recolhidas", cumprindo os avisos, esclareceu-nos.

No entanto, os trabalhos de lavoura prosseguem, agora com cuidados redobrados, mantendo-se uma distanciamento de segurança imprescindível.

Em termos de outras actividades na freguesia de Dem, a carpintaria e a serralharia estão ainda em funcionamento, com as reservas e distanciamentos imprescindíveis, de modo a garantir a segurança de funcionários e clientes.

Por fim, Clemente Pires desabafou, perante o receio e a incerteza que nos rodeia: "A ver se não é por muito tempo", porque depois do problema de saúde, virá o económico, vincou, igualmente receoso.

Seixas

"As pessoas estão calmas, permanecem em casa e aceitam a situação", revelou-nos Rui Ramalhosa, presidente da Junta de Freguesia, ao aceitar comentar para o C@2000 a situação actual nesta aldeia.

O autarca acredita que o encerramento das igrejas e cancelamento dos ofícios religiosos e da Festa de S. Bento de Inverno contribuíram para que todos se capacitassem que "a situação era mesmo séria".

A Junta de Freguesia tem vindo a acompanhar, por telefone, a evolução do Lar de S. Bento - e que se mantém sem problemas -, e louva as medidas tomadas.

Cafés e restaurantes aceitaram fechar as portas enquanto durarem estas medidas de combate ao vírus.

A Junta e o serviço dos CTT estiveram encerrados até ontem, Sexta-feira, devido a que as funcionárias têm miúdos pequenos, mas acederam agora a vir trabalhar, para que os vales postais das pensões dos reformados pudessem ser pagos.

Como o cemitério se encontra sempre aberto, Rui Ramalhosa entende que de nada valeria fechá-lo, escolhendo a via da informação aos seus fregueses, pedindo-lhes que "não se juntem e evitem aglomerados".

O autarca referiu-se ao primeiro caso surgido no concelho, precisamente na sua freguesia, tratando-se de "um amigo pessoal" e natural de Seixas, cuja evolução favorável da doença tem sido acompanhada pela autarquia, a qual tem igualmente apoiado a família, juntamente com a Câmara Municipal de Caminha. Todas as instituições seixenses tem vindo a prestar apoio aos mais necessitados, em todos os domínios da freguesia.

Argela

A Junta de Freguesia decidiu auxiliar os alunos com mais carências económicas, de acordo com as solicitações dos encarregados de educação, e que não dispõem de computadores para receberem e realizarem os trabalhos escolares enviados pelos professores.

Sandra Ranhada, presidente da autarquia argelense, disse-nos que na posse dos conteúdos de que os alunos necessitam, imprime-os e vai entregá-los a suas casas, evitando assim deslocações desnecessárias nestes tempos de contenção e confinamento.

A autarquia decidiu proibir a utilização de águas de fontes e fontenários e fechou as torneiras do cemitério, ao mesmo tempo que apelou aos moradores para não frequentarem este espaço público, de modo a evitarem aglomerações.

Em Argela, alguns emigrantes regressaram após ter cessado a laboração nesses países, encontrando-se sinalizados pela Protecção Civil que acompanha o acatamento da quarentena de duas semanas a que estão obrigados. Sandra Ranhada admitiu que estão a cumprir e a manter-se "isolados".

O Executivo local distribuiu pelas caixas de correio avisos sobre a forma como o Centro de Saúde de Caminha está agora organizado, nesta nova resposta ao combate ao vírus.

O ambiente em Argela mantém-se "calmo", frisou a autarca, mantendo-se aberta a mercearia duas vezes por dia e a própria Junta entrega mantimentos nos domicílios necessitados.

Sandra Ranhada tem vido a realizar deslocações pela freguesia, após ter decidido encerrar as instalações da junta, mas existindo sempre a possibilidade de os habitantes a contactarem em caso de necessidade.


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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
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Edição: C@2000/Afrontamento
Apoiado pela Fundação EDP


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Crónica Política (1906 - 1913)

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