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Trabalhadores avançam com pedido de insolvência
BE e PCP interpelam Ministério do Trabalho
Os cerca de 60 trabalhadores da Camipão que foram mandados para casa no passado dia 24 já entregaram um pedido de insolvência da empresa, como forma de tentarem recuperar os salários e subsídios em atraso e exigir indemnizações como resultado do despedimento que consideram ilegal.
Voltamos a tentar ouvir o gerente da Camipão, José Presa, possuidor de 52% do capital da empresa, mas sem sucesso.
"O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre o encerramento da Camipao em Caminha.
Numa situação de pandemia a situação desta empresa preocupa por deixar perto de 60 pessoas completamente desprotegidas.
A Panificadores Unidos do Concelho de Caminha, Lda. comercialmente conhecida por Camipão, fundada em 1973 através da fusão de diversos panificadores que exerciam a actividade no Concelho de Caminha no Distrito de Viana do Castelo. A empresa está sediada na Sandia, com 11 lojas nos concelhos de Caminha e Vila Nova de Cerveira e com 65 trabalhadores.
Segundo os relatos a empresa atravessava algumas dificuldades financeiras, tendo salários, subsídios de férias e de natal em atraso, contudo ninguém previa que a empresa encerrasse a suas portas de um dia para o outro.
Segundo informações numa recente reunião de acionistas realizada a 11 de março foi transmitido que a situação era estável e para ninguém se preocupar.
A administração desta empresa, não só decidiu avançar para o despedimento de todos os trabalhadores sem qualquer aviso prévio, como ainda se recusa a passar a declaração de situação de desemprego aos trabalhadores, colocando assim em causa a sobrevivência destes e das suas famílias. Este tipo de prática por parte da administração desta empresa revela uma crueldade para com os trabalhadores e desprezo para com os direitos laborais que é inaceitável numa sociedade do século XXI.
O Bloco quer saber se o Governo tem conhecimento da situação e com está a tutela disponível para analisar com a empresa, no quadro dos apoios extraordinários às empresas concedidos no contexto da pandemia, uma solução que permita a viabilização da empresa e a manutenção dos postos de trabalho.
Que medidas pretende o Governo adotar com caráter de urgência para que rapidamente estes trabalhadores tenham, no mínimo, acesso ao subsídio de desemprego ou outras medidas de proteção social consentâneas com a situação descrita."
PCP questionou Ministério do Trabalho sobre o encerramento ilegal da empresa Camipão
A deputada do PCP na Assembleia da República, Diana Ferreira, questionou hoje o Governo sobre o encerramento ilegal da Camipão, empresa com sede em Vila Praia de Âncora, que deixou cerca de 60 trabalhadores no desemprego.
Como se pode ler no documento em anexo, a deputada pergunta ao Governo que medidas vai tomar para que os direitos dos trabalhadores sejam integralmente respeitados e para tentar salvaguardar os postos de trabalho e a viabilidade da empresa
É neste contexto, marcado pelo facto da empresa ter praticado, ao longo de anos diversos incumprimentos dos seus deveres para com os trabalhadores sem que seja conhecida intervenção da ACT, bem como pela pela decisão prepotente e ilegal da Administração da Camipão em encerrar a empresa num período em que os trabalhadores estão com o salário e subsídio de Natal em atraso, facto que já havia originado sérios problemas, que o PCP questionou hoje o Ministério do Trabalho da seguinte maneira:
"1. O Governo tem conhecimento desta situação? Como a analisa? Que explicação dá para o facto da empresa ter praticado, ao longo de anos, incumprimento dos seus deveres para com os trabalhadores sem que seja conhecida intervenção da ACT?
2. Que medidas vai o Governo tomar no sentido de garantir que os direitos dos trabalhadores são integralmente respeitados?
3. Que medidas vai o Governo tomar para tentar salvaguardar os postos de trabalho e a viabilidade da empresa?
4. Que medidas vai o Governo tomar para garantir o urgente pagamento do subsídio de desemprego aos trabalhadores afectados?"
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