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Vila Praia de Âncora

Fecho da Camipão
deixa 60 trabalhadores no desemprego

Sindicalistas apanhados de surpresa

Rosa Silva, coordenadora do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, manifestou-nos o seu espanto pelo encerramento súbito da Camipão, depois de terem reunido com José Presa, gerente e sócio maioritário da empresa, na Sexta-feira passada, em que nada lhes foi comunicado.

Esta dirigente sindical explicou ao C@2000 que os trabalhadores tinham sido notificados verbalmente no dia de ontem (Terça-feira) de que a laboração iria parar a partir do dia seguinte, o que considerou ilegal, levando a que já tivesse sido participada a ocorrência à Inspecção-Geral do Trabalho.

Salários e subsídios em atraso

"Os trabalhadores já tinham motivos mais que suficientes para se despedirem", assegurou, mas quiseram aguentar na esperança de que a laboração da fábrica e os seus postos de trabalho continuassem assegurados. Consubstanciou esse argumento que assistia aos trabalhadores para se despedirem com justa causa, no facto de haver dois meses de salários em atraso (Janeiro e Fevereiro) e, eventualmente Março, além dos subsídios de férias e Natal do ano passado. Nessa reunião, tentaram aquilatar da possibilidade de os operários e funcionários de escritório e das lojas puderem vir a receber os ordenados e subsídios em dívida, "embora nós já soubéssemos que não", precisou.

Venda de lojas

Então, o sindicato questionou a gerência sobre a venda de algumas das 11 lojas de Pão Quente (Vila Nova de Cerveira (2), Viana do Castelo, as da Rua 31 de Janeiro - em troca da liquidação de uma dívida, precisou - e do Portinho, ambas em Vila Praia de Âncora, e a da Rua da Matriz, em Caminha) e de não ter amortizado as dívidas aos trabalhadores com o dinheiro conseguido.

Segundo esta sindicalista, o gerente terá dito que só não tinha vendido todas as lojas de venda ao público porque "não apareceu comprador" e que no dia 11 de Abril iria ter uma assembleia geral com todos os sócios, "para ver se eles queriam injectar mais dinheiro", além de estar a aguardar por um empréstimo do banco. Rosa Silva esclareceu ainda que um delegado sindical da empresa presente nesse encontro com o gerente, lhe dissera de imediato que isso seria inviável, devido às dívidas acumuladas.

Saíram desse encontro, convictos de que não lhes restaria outra alternativa que não fosse "suspender o contrato por falta de pagamento", mas "ontem mandou os trabalhadores para casa, de boca", confirmando-se assim que o único caminho será o pedido de suspensão dos contractos de trabalho por parte dos trabalhadores, reforçou.

Situação social de trabalhadores é grave

Esta responsável distrital CESP lamentou a situação de trabalhadores "já expulsos das casas por não pagarem as rendas ou ameaçados" de lhes acontecer o mesmo e, alertou, "logo estarão a passar fome".

Acrescentou que com a pandemia que grassa na sociedade portuguesa, isto será uma "catástrofe".

Rosa Silva recua ao início do ano passado, em que o problema financeiro se avolumou, tendo-lhe chegado a dizer que deveria ter "reestruturado" e "inovado" a empresa. Acentuou que a Camipão já tinha perdido clientes como o Pingo Dice e Intermarché, o que agravou a viabilidade da empresa.

(Atualização: Dia 25, 17h)



Camipão fecha portas
e deixa de fornecer a partir de amanhã

Casa de S. Bento considera "inadmissível" decisão repentina e procurou alternativas rápidas de abastecimento ao lar

Câmara também assegurou o pão em escolas

A Camipão vai encerrar a sua actividade a partir de amanhã, deixando de fornecer pão e outros produtos alimentares aos clientes habituais e as suas lojas estarão encerradas.

Gerência incontactável

Tentamos contactar a gerência no intuito de saber as razões desta decisão inesperada que afectará lares, escolas e população em geral, mas não o conseguimos.

Miguel Alves, presidente da Câmara Municipal de Caminha, confrontado pelo C@2000 com a suspensão da laboração da empresa ancorense, confirmou-nos que o Município tinha sido notificado esta manhã de que as escolas já não seriam abastecidas, tendo sido interrompido unilateralmente o contrato estabelecido entre a empresa de panificação e autarquia.

Câmara garantiu que "já tinham sido tomadas medidas"

O presidente do Município assegurou-nos que "já foram tomadas medidas" para suprir a falta de fornecimento às escolas com quem existia esse contrato.

As dificuldades financeiras da Camipão já eram conhecidas há algum tempo, existindo salários e subsídios em atraso dos cerca de 100 trabalhadores, quer dos que laboram na fábrica na Sandia, quer nas 11 lojas de "Pão Quente" no concelho de Caminha (9) e Vila Nova de Cerveira (2).

O facto de a Camipão já não ter concorrido ao fornecimento de pão e outros produtos farináceos à Escola C+S de Caminha - e que vinha assegurando há anos -, e a rescisão do contrato com a Câmara Municipal, da exploração do Bar do Parque Ramos Pereira, em Vila Praia de Âncora a partir de final deste mês, já auspiciavam más notícias para a maior indústria do concelho de Caminha.

Pretendíamos igualmente saber junto da gerência desta empresa se pretendiam aproveitar a nova lei (Layoff) resultante dos apoios que o Governo aprovou como resultado da crise humanitária e económica provocada pelo Coronavírus, mas sem resultado.

Camipão fornecia lar há 10 anos

Manuel Vilares, presidente da direcção do Centro de Bem Estar Social de Seixas (Casa de S. Bento), cujo lar com 58 utentes era abastecido diariamente com 150/200 pães, disse ao C@2000 que "lamento imenso esta decisão - embora cada empresa trabalhe por si e sabe das suas dificuldades -, mas deve-se ser sério, porque temos 60 utentes,e já nem falo dos funcionários, que não podem ficar sem pão".

Referiu-nos que tinham sido informados telefonicamente esta manhã de que "amanhã (Quarta-feira) não dão pão, o que é muito complicado para nós e estamos já a tentar ver onde é que poderemos arranjar pão", quer no concelho, quer junto de outras empresas do distrito. Contudo, já foi encontrada uma alternativa.

"Irresponsabilidade e ingratidão"

O presidente da Casa de S. Bento deu "uma nota negativa às pessoas que gerem" esta empresa de panificação, "porque tudo tem princípios na vida e há questões que nós devemos precaver, mesmo que o prejuízo aumente".

Manuel Vilares insistiu que "não havia necessidade nenhuma, de um dia para o outro, pormos utentes do lar - numa situação de pandemia, como actual - sem pão", considerando tal atitude de "uma irresponsabilidade e ingratidão muito grande para quem teve a Camipão como fornecedor durante 10 anos".

Este responsável pelo lar seixense entende que a autarquia "deveria ter uma palavra a dizer" neste caso de urgência social, a qual, aliás, conforme já referimos, se encontrava a tentar uma solução.

Lar do Bom Jesus dos Mareantes teve de encontrar também alternativa

O Lar da Confraria do Bom Jesus dos Mareantes de Caminha era igualmente abastecido pela Camipão e teve igualmente de resolver rapidamente este imprevisto, tendo já assegurado o pão para amanhã.

(Atualização: Dia 24, 18h50)



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Do Coura se fez luz. Hidroeletricidade, iluminação pública e política no Alto Minho (1906-1960)"
Autor: Paulo Torres Bento
Edição: C@2000/Afrontamento
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Crónica Política (1906 - 1913)

Autor: Paulo Torres Bento
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Organização e estudo biográfico do autor por Paulo Torres Bento
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