"A Câmara partiu fragilizada para as negociações" com a Santa Casa da Misericórdia de Caminha, admitiu Miguel Alves, presidente do Executivo camarário, ao apresentar o novo contrato de arrendamento do edifício onde estão instalados desde 2003 os serviços camarários a celebrar com a Sana Casa da Misericórdia de Caminha.
"Não tínhamos alternativa"
O autarca reconheceu a situação de dependência perante o senhorio, porque não possuía outro espaço para albergar as diversas secções do Município, o que contribuiu para que a Santa Casa tivesse "a faca e o queijo na mão".
A vereadora da oposição Liliana Silva não comungou da teoria da dependência em que a Câmara ficou, porque "tiveram tempo para preparar uma alternativa", atendendo a que com o tempo devido (Julho de 2017, registe-se) a Santa Casa tinha notificado a autarquia caminhense de que denunciava contrato assinado em Junho de 2000 - o qual registava nesta altura um valor baixo (2.000€), porque a Câmara se comprometera a realizar obras -, embora se mostrasse disponível para negociar um novo acordo.
O contrato tinha sido estabelecido no ano 2000, por um prazo de 20 anos por um preço inicial de 1.500€. Já com Júlia Paula no poder, foram iniciadas as obras de adaptação do antigo Hospital, concluídas em 2003.
A intervenção da vereadora social-democrata causou estranheza a Miguel Alves, comentando que não compreendia os interesses que estaria a defender enquanto vereadora, insistindo que a sua obrigação como presidente de câmara seria defender o Município e não a Misericórdia.
Acrescentou ainda que a vereadora ficaria sozinha na votação, se os outros dois colegas de bancada tivessem marcado presença na reunião, porque ambos faziam parte dos corpos sociais da Santa Casa da Misericórdia, assinalou, o que os impediria de participar na votação. Registe-se que Liliana Silva tinha justificado a sua ausência, conforme referimos na notícia anterior.
"Insinuações deploráveis"
Esta análise à ausência dos demais elementos da oposição irritou Liliana Silva, lamentando "as insinuações deploráveis", garantindo que ambos não poriam em causa os interesses da Câmara Municipal de Caminha.
A vereadora rejeitou que a Santa Casa se estivesse a aproveitar da situação e voltou a acusar o Executivo de ter demorado demasiado tempo a responder à proposta de renovação apresentada.
Apoio a uma família de Lanhelas
Uma casa de uma família lanhelense "colapsou", revelou a vereadora Liliana Ribeiro, responsável pela área social no Executivo caminhense, e houve necessidade de apoiá-la.
Os técnicos camarários elaboraram os projectos de especialidades e a Câmara isentou essa família do pagamento de taxas respeitantes à reconstrução da habitação. Através do programa Caminhabita, foram disponibilizados 10.000€ de apoio a este agregado familiar, do qual foram descontados 2.000€ correspondentes aos referidos apoios directos.
Perante alguns pedidos de esclarecimento da vereadora Liliana Silva, o vice-presidente Guilherme Lagido precisou que através desta possibilidade de serem os serviços técnicos camarários a acompanharem e definirem os projectos, as regras de licenciamento estariam a ser necessariamente seguidas, evitando-se situações como as do passado em que a implementação das construções sociais ainda hoje não se encontram devidamente legalizadas.
Apoios a associações
Nesta reunião, foram ainda aprovados dois apoios monetários ao Âncora-Praia Futebol Clube e Associação Triatlo de Caminha.
O primeiro receberá 31.000€ destinados à realização da Festa da Sardinha deste ano e a associação de Triatlo 10.000€ para a organização da VI Meia Maratona Sunset de Caminha e III S. Silvestre Caminhense. A Associação Triatlo viu ainda sancionado um protocolo que envolve igualmente a Federação de Triatlo de Portugal.