Os protestos dos munícipes face ao atraso verificado no recebimento das facturas de água e respectivos pagamentos neste início de ano, em que a gestão deste bem de consumo passou para as mãos de uma empresa pública-pública (a designação utilizada por Miguel Alves, presidente do Município caminhense), a Águas do Alto Minho, abrangendo sete dos dez municípios, chegaram à Assembleia Municipal.
"Caminha vendeu-se"
Celestino Ribeiro, deputado municipal da CDU, foi de opinião de que "Caminha vendeu-se" a fim de privatizar a água e pediu explicações sobre a nova empresa de água e as confusões iniciais do seu funcionamento, atendendo a que não tinham sido realizados acertos de consumo, a par de à data da realização da assembleia ainda não terem enviado as respectivas facturas aos consumidores, gerando incertezas e receios de aumentos do preço a pagar, ao ser posto em vigor um novo tarifário, com o qual "ganha a nova empresa", acusou.
Por fim, perguntou sobre "quem ganha neste negócio" e quais os ordenados da sua administração.
"Resposta vodka-laranja"
Miguel Alves aproveitou esta intervenção para referir que iria responder a diversas interpelações feitas pelo social-democrata Taxa Araújo e à da água, criando como que um cocktail "vodka-laranja".
Acusou os Correios do atraso verificado na entrega das facturas aos consumidores, embora algumas delas já tivessem chegado nessa data, frisou, porque a última tinha sido depositada nos CTT a 14 de Fevereiro, prevendo que na semana seguinte (a partir de 2 de Março) "todas as facturas chegassem a casa das pessoas".
Porém, atribuiu estas situações ao início de actividade da nova empresa, admitindo a existência de "ajustes e acertos" que vão acontecer.
Tentou explicar a trapalhada resultante deste arranque da nova empresa, dizendo que iriam surgir "facturas distintas", isto é, facturas com 15 dias de facturação, com 30 e com 40 dias, e " não serão acertadas mês a mês", admitindo que "uns pagarão menos e outros mais, mas com o tempo, as pessoas "acabarão por pagar igual".
O presidente do Município adiantou que no meio deste arranque tumultuoso, será possível aferir "do valor que as pessoas vão pagar".
Acrescentou que algumas facturas possam apresentar um volume de água e respectivos custos de que "as pessoas não estivessem à espera", quer pagando mais, quer pagando menos.
Falar de "forma clara"
Assumiu que iria falar de uma "forma clara" sobre este assunto que baralhou os consumidores: "Alguém que consome 5 m3, com a nova empresa vai pagar cerca de 40 cêntimos mais e quem consome 10 m3 - o que é a média, na sua opinião -, pagará cerca de 60 cêntimos mais".
Referiu ainda que nos casos de Caminha e Viana do Castelo, acontecerá "uma subida de actualização anual", acrescentando para quem conseguiu perceber, "porque aquilo que são as nossas tarifas são a indecência das tarifas de água". Acrescentou que noutros municípios, as tarifas aumentaram cerca de 57%, mas, anotou, "nós já passamos esse tempo do ajuste" e, agora "iremos pagar de acordo com aquilo que são as Águas do Alto Minho"."
Respondendo à pergunta sobre os ordenados dos administradores da Águas do Alto Minho, disse desconhecer totalmente o seu valor, mas, assinalou, "ao contrário dos vaticínios do maior partido da oposição, nem o presidente da Câmara nem ninguém de Caminha faz parte do conselho de administração
Mais adiante, Miguel Alves voltou a referir-se a este "susto inicial" das facturas, neste arranque do processo da água, em que as leituras não são simultâneas, mas garantiu que "as pessoas não serão prejudicadas".
Reduções e isenções serão revistas
Anotou, contudo, que certas coisas irão mudar, atendendo a que a Câmara suportava 250.000€ de custos de água respeitantes a consumos de instituições (juntas de freguesia, IPSS, igrejas, clubes e associações), a par de casos de privados que beneficiam de reduções ou isenções.