O antigo futebolista ancorense Ibraim Verde da Silva foi a sepultar na tarde do passado dia 3, registando-se uma significativa incorporação de amigos, antigos atletas e seus companheiros de competição e ancorenses anónimos no seu cortejo fúnebre e ofício religioso.
O Vitória de Guimarães, clube para onde Ibraim se transferiu após a época de sucesso nos juvenis do Âncora-Praia Futebol Clube, esteve representado no funeral por Neno, pertencente à SAD vimaranense.
"Era um jogador extraordinário"
Carlos Pais era vogal da Direcção do Âncora-Praia presidida por Jorge Moreira, sendo vice-presidente e treinador José Meira, aquando da integração de Ibraim nessa equipa de jovens atletas alvinegros. Marcou presença na derradeira homenagem a este conterrâneo de 66 anos encontrado sem vida no seu domicílio no passado dia 29.
Contou-nos que o Ibraim tinha aparecido nessa época no Âncora-Praia "como aparecem muitos miúdos", após o que se formou logo uma equipa de juvenis, "da qual ele era o expoente máximo, embora tivesse grandes jogadores", destacou.
Após jogar dois anos como juvenil no clube da sua terra, transferiu-se na época seguinte para o Guimarães, após ter dado nas vistas desde logo porque era um jogador "fantástico, extraordinário e que desequilibrava, embora fosse bem apoiado pelos colegas".
Recordou a sua estreia na selecção nacional, num jogo contra a antiga Iugoslávia ou Checoslováquia, não se recorda com exactidão, após ter ingressado no Benfica.
"O Shéu mandava-lhe sempre cumprimentos"
Carlos Pais referiu que quando conversavam com ele sobre o seu passado desportivo, costumava contar muitas histórias e piadas relacionadas com os companheiros de então, como o Vítor Baptista e Shéu.
Assinalou que quando a Casa do Benfica de Vila Praia de Âncora ia a Lisboa, "o Shéu perguntava sempre pelo amigo Ibraim e mandava-lhe cumprimentos", porque ele raramente se deslocava lá, após ter contraído uma doença.
Este antigo dirigente que acompanhou de bem perto o percurso desportivo de Ibraim, não teve dúvidas em reconhecer que o seu desaparecimento representou "uma grande perda para Vila Praia de Âncora", porque "era um rapaz alegre que se dava com toda a gente, nunca se zangava com ninguém e muito brincalhão", presença diária na zona do Portinho de Vila Praia de Âncora que o viu nascer, no seio de uma família de pescadores.