Um segundo projecto apresentado nesta sessão camarária, prendeu-se com o aproveitamento da designada popularmente como Quinta do Queirós (ou da Boa Esperança), na zona da Valada, e que abarca as duas margens do rio Âncora, um projeto de João Ferros - IDeas & Projects e do Arquiteto Luís Coutinho Ramos.
Conforme já foi assinalado em Assembleia de Freguesia, o projecto do aldeamento turístico permitirá conceder alojamento a 108 clientes.
Na parte alta deste terreno serão instalados 51 quartos, não colidindo com a zona agrícola, referiu Guilherme Lagido, razão pela qual foi de opinião de que deveriam reconhecer o interesse público do empreendimento turístico, conforme solicitaram os promotores.
Este espaço encontra-se em zona de reserva agrícola, mas a comissão da reserva agrícola mostra-se disponível para deferir a desanexação pretendida, precisou o autarca, atendendo a que na zona indicada para as construções (edifício central, quartos, parque de merendas e de jogos e balneários) nunca tinham sido realizadas plantações.
O vereador considerou que este empreendimento turístico "é de interesse para o concelho", estando previsto um investimento de quatro milhões de euros, criar 30 postos de trabalho e gerar um negócio de 1,5 milhões de euros/ano, atendendo a que prevêem 22.000 hóspedes. Dos 44.000 m2 disponíveis, os promotores apenas pretendem ocupar metade dessa área, completou.
No reforço da sua posição, o vice-presidente recordou que o número de dormidas no concelho tinha aumentado 40% entre 2014-2016. Comparando o volume (percentagem) de negócios no concelho com o PIB nacional, disse que em 2018 tinha subido 2.8, ao passo que no resto do país esse valor ficara nos 1.5. Contudo, o PIB caminhense, apesar deste aumento, ainda se encontra num plano inferior ao da média do país.
PSD recordou outros projectos inviabilizados pelo PDM
Este pedido de reconhecimento de interesse público não representou grande ilusão para a oposição que acabou por se abster, justificando a sua posição pelo desconhecimento de todos os passos do projecto e por não parecerem ser fiáveis os estudos económicos e ambientais da própria empresa, justificaram.
Liliana Silva referiu que estavam a beneficiar privados, embora não pusesse em causa as mais-valias que possam advir, mas recordou outros promotores que viram os seus projectos inviabilizados com o novo PDM. A vereadora assinalou que para este investimento "autoriza-se tudo - incluindo benefícios fiscais -, ao contrário do sucedido com outros projectos.
O seu colega Manuel Marques manifestou receio pela qualidade ambiental, temendo que venha a hipotecar a pesca desportiva e a qualidade da água. Recordou que outros projectos tinham sido indeferidos, igualmente próximos da Valada. Este edil lamentou ainda que não lhes tivessem disponibilizado os mapas.
"Afastada do leito de cheia"
Na discussão gerada, Guilherme Lagido considerou irrelevantes os estudos da empresa em termos ambientais, porque tinha de ser a comissão da reserva agrícola a dar a opinião final, embora cresse que não existiriam perigos de poluição, atendendo a que a zona construtiva se encontrava na parte alta e fora da própria quinta, afastada do leito de cheia.
Antes de a maioria socialista aprovar a proposta, Miguel Alves, presidente do Município, acusou o PSD de "dizer uma coisa e o contrário", com a intenção de responder a duas posições, no caso de ser confrontado por alguém.