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Caminha

Lampreia de excelência do Rio Minho
cozinhada por pescador

"Lampreia, lampreia, não há como a nossa!", Manuel Alexandre Silva

A exaltação da Lampreia do Rio Minho como prato de excelência, integrada no período da sua captura (15-Janeiro - 15 Abril), veio este ano até à Foz do Rio Minho degustar esta espécie confeccionada por um pescador e sua esposa.

"Estava integrada nas jornadas gastronómicas da "Lampreia do Rio Minho - Um prato de Excelência", levadas a cabo anualmente pela ADRIMINHO e por seis municípios do Alto Minho em cujos rios (Minho e Coura), este apreciado petisco é pescado.

Convento de Santa Clara albergou iguaria

O Convento de Santa Clara - transformado em auditório após a sua recuperação - albergou a apresentação do evento gastronómico deste ano, tendo sido convidado um pescador de Caminha, Manuel Alexandre Silva, e sua esposa Mila, para demonstrar as virtualidades e segredos da confecção da lampreia "à moda da Foz do Rio Minho".

Miguel Alves, presidente do Município caminhense, a abrir a jornada gastronómica que contou com a presença da Confraria dos Gastrónomos, precisou que "este ano homenageamos os pescadores que resgatam a lampreia do nosso rio", como forma de evocar o "esforço" destes profissionais de pesca, tendo escolhido este convento, por ser neles que "se comia bem e se guardavam as melhores iguarias".

Justificou a escolha de um pescador para a apresentação deste prato, porque "eles têm os truques" para uma confecção requintada, conforme os convidados tiveram oportunidade de comprovar ao degustar o prato preparado pelo pescador.

"Economia é o nosso território"

O autarca anfitrião desta jornada vincou que a economia do Alto Minho "é o nosso território" em que sobressaem produtos tão apreciados e valiosos como é caso desta espécie pescada por 260 barcos e em que perto de 300 pescadores ganham o seu pão, representando a captura desta espécie mais de meio milhão de euros por safra anual.

"Sabor do Rio"

Manuel Alexandre divulgou alguns dos segredos da confecção desta espécie divina, fazendo notar a importância da sua limpeza (remoção cuidada do lismo da pele), e dos ingredientes usados para que o prato seja do agrado geral, como o comprovaram os elogios rasgados feitos pelos comensais presentes, logo que o pescador lançou a palavra de ordem mais ansiada: "Vamos prová-la!".

6+6 lampreias apanhadas "por mim e por outro" no Rio Minho serviram de repasto nesse princípio de tarde, prosseguiu as suas explicações este pescador com largas dezenas de anos de arte, que aproveitou a ocasião para elogiar a qualidade da espécie do rio, em contraste "com uma estrangeira que já comi (risos generalizados) e que me parecia palha seca, porque vinha num viveiro até aqui".

"Lampreia, lampreia, não há como a nossa!", insistiu este pescador, "mas é preciso saber prepará-la", voltou a avisar, devendo tirar-se com cuidado a espicha e a tripa. E "regá-la" com bom Alvarinho, como sucedeu na ocasião.

Não perdeu a oportunidade para lançar um desafio à Câmara Municipal, para que organizasse a Festa da Lampreia, como fazem em Vila Praia de Âncora com outras espécies do mar.

"Família Porto pesca lampreia há 400 anos"

"O Rio é a origem da coragem e da dureza da vida", assinalou Augusto Porto, presidente da Associação dos Profissionais de Pesca do Rio Minho e Mar, um pescador descendente de uma família que há pelo menos 400 anos se dedica geração após geração à pesca no rio Minho.

Augusto Porto fez questão de vincar no auditório do Convento construído em plena zona piscatória de Caminha, que "nós defendemos a pesca de una forma acérrima", elogiando seguidamente a tão apreciada lampreia do Rio Minho e da sua Foz que "é a melhor e aqui a vêm buscar" compradores de todo o país.

"Não há uma indústria do concelho com mais-valia do que o rio e o mar", recordou este pescador.



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