No arranque das obras da sede do Agrupamento de Escolas do Concelho de Caminha, a Câmara Municipal visitou esta primeira fase dos trabalhos a cargo da empresa vencedora do concurso e que desde o princípio do ano passou para as mãos de um construtor caminhense (por sinal, um ex-aluno da C+S de Caminha), o qual acompanhou a comitiva ao interior da obra.
Nesta fase, após remoção do amianto (fibrocimento) dos pavilhões a demolir (o resto dos tectos a retirar decorrerá num dos períodos de férias), os operários procederam a pequenas demolições de caixilharias, vidros e tectos, seguindo-se o derrube das paredes e estruturas mais pesadas.
Em simultâneo, as aulas prosseguem sem sobressaltos nos contentores instalados no gimnodesportivo descoberto da escola, os quais possuem ar condicionado, o que permite um aquecimento bem apreciado por alunos e professores, comodidade que não existia na antiga C+S, mas que está contemplada nas novas instalações.
Câmara comparticipa com 1,5 milhões de euros
Miguel Alves, presidente do Município, ex-aluno deste estabelecimento de ensino e da própria directora, Maria Esteves, que acompanhou a visita, aproveitou para contar algumas estórias do seu tempo de estudante, e frisar que estavam perante "a obra pública mais importante dos últimos anos", com custos de 3,5 milhões de euros comparticipados por fundos comunitários, mas que obriga a Câmara a investir 1,5 milhões, pelo que considerou ser "um orgulho estar aqui".
O autarca apontou este investimento "para as próximas décadas", depois de "termos andado demasiados anos a marcar passo", em referência à anulação desta obra pelo Governo anterior, quando estava prevista numa quarta fase do Parque Escolar.
Por tal motivo, o presidente da Câmara disse à imprensa que tinham apostado na recuperação da obra, para a qual foi necessário previamente acomodar os alunos em salas de aulas (contentores), nas instalações da Academia de Música Fernandes Fão e no Pavilhão Gimnodesportivo Municipal.
O autarca explicou que já a partir deste mês começará a colocação de estacaria ("muitas micro-estacas"), admitindo ser esta obra "muito complexa do ponto de vista da engenharia".
"Aposta nas nossas crianças e famílias"
"Fazer com que a escola tenha mais condições, reforçar o agrupamento, dando como outro exemplo o lançamento do concurso da empreitada para uma escola nova do ensino básico em Vila Praia de Âncora, voltou a citar números, confirmando os mais de cinco milhões de euros a investir no ensino em três anos.
Em termos de prazos, Miguel Alves espera ter a obra concluída até às férias de verão do ano 2021, para que o ano escolar seguinte se inicie "com total normalidade.
Segundo nos confidenciou o proprietário da empresa, é sua intenção terminar a obra até Maio desse ano, tudo dependendo, contudo, da forma como ela se desenrolar e das condições climatéricas.
Questionado sobre a capacidade financeira do Município para comparticipar com 1,5 milhões de euros para esta obra, Miguel Alves garantiu que "a Câmara não avançaria para nenhuma obra se não tivesse essa capacidade financeira".
Acrescentou que se trata de "opções e o dinheiro existe mas tem de ter uma aplicação que a estratégia da Câmara defina", equivalendo a dizer que "este milhão e meio de euros não estará noutras acções e o que não é possível é fazer todas as obras em todo o momento".
Reconheceu que as pessoas têm necessidade de que se façam obras noutras freguesias, noutros espaços e haja mais investimento, mas, precisou, "nós só devemos fazer investimento se tivermos capacidade para o fazer", reforçando que certos investimentos terão de parar. Reportando-se à vila de Caminha, insistiu que com esta obra, o lançamento da empreitada do mercado municipal, a obra da ecovia junto ao rio Minho e todos os investimentos em curso no Centro Histórico, "eu diria", sublinhou, que "estamos a viver um período de grande investimento e expansão na vila de Caminha". Apontou estes investimentos "à capacidade que os caminhenses tiveram de fazer sacrifícios nestes últimos anos para equilibrar as contas da Câmara, para que agora possamos apostar nas pessoas".
Quanto à posição da própria escola neste processo de erguer novas instalações, Maria Esteves, directora do Agrupamento e da C+S há quase trinta tanos, admitiu perante os jornalistas que acompanharam a visita dos autarcas que "não foi fácil" a adaptação a esta nova realidade, em que foi necessário conciliar o funcionamento das aulas com as obras.
"Temos tido um início de ano difícil, em termos de acomodação dos alunos "nas melhores condições e houve "duas vertentes fundamentais": "a colaboração incansável da autarquia, criando as condições que nós precisávamos, e do pessoal do Agrupamento, nomeadamente o não docente".
Em poucos dias, aproveitando as férias de Natal, foi possível "fazer a mudança no mais curto espaço de tempo", considerando, por isso, que "a operacionalização da mudança foi um sucesso", embora receasse que "nos primeiros dias de aulas houvesse tropelias, porque estas alterações são sempre difíceis e há sempre coisas que nos falham".
Maria Esteves reforçou que a nova escola "era há muito, muito tempo ansiada", dando como justificações, por um lado, o ter sido feita para o ensino básico (escolaridade obrigatória do 6º ano e mais tarde o 9º) e "não possuir condições para dar resposta àquilo que o processo educativo actual exige e muito menos ao ensino secundário".
Apesar destes impedimentos, a escola manteve-se sempre com uma média de sucesso superior à média nacional "em todos os anos e particularmente no secundário" graças "ao trabalho dos profissionais que trabalham aqui, apesar das estruturas físicas serem francamente deficientes".
"Depois de um processo longo e doloroso"
A directora do Agrupamento e da Escola C+S aproveitou a ocasião para recordar as vicissitudes do processo de construção de novas instalações, "apesar de já ter sido prometida uma nova escola há muitos anos", tendo estado prevista entrar no Parque Escolar em 2012. Contudo, prosseguiu a professora, "passou o tempo, os governos foram-se sucedendo e a obra foi sempre ficando para trás".
Num tom de desabafo perante os adiamentos sucessivos, a professora Maria Esteves costumava dizer "aos meus dirigentes que os habitantes de Caminha fazem exactamente os mesmos descontos e pagam os impostos iguais aos de Lisboa, Viana do Castelo, Braga e outras cidades, logo, também têm direito a que os seus alunos e os seus filhos tenham as mesmas condições de aprendizagem que as outras escolas têm".
Acentuou a importância deste projecto (da autoria de um arquitecto professor nesta escola) e "ao impulso que a autarquia deu", estando agora em vias de ser conseguida uma escola moderna e eficiente, "depois de um processo longo e doloroso".
"Um gosto, ver esta gente regressar aqui noutras funções"
A presença de antigos alunos nesta visita, agora com responsabilidades autárquicas (dois vereadores e o presidente da Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho) ou à frente da empresa construtora, representou para esta professora "um gosto, ver esta gente regressar aqui noutras funções e relembrar que nós até conseguimos contribuir de alguma forma para a sua formação e participação na sociedade actual, ajudando agora a escola", o que se torna "um orgulho ver que o nosso papel (como formadores de jovens) surtiu efeito".
"Muita ansiedade por a ver pronta"
Nesta fase inicial dos trabalhos, Maria Esteves disse que tinha agora "muita ansiedade por a ver pronta", congratulando-se com "o projecto que está muito bonito e da autoria de um nosso colega há muitos anos", vaticinando que "ficará uma escola completamente diferente não só em termos de condições como também em aspecto visual e de conforto", concluiu.