A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Praia de Âncora viu reconhecido formalmente desde o passado dia 26, o novo Comandante do Corpo Activo, Daniel Corujeira de Araújo, um bombeiro da corporação há 43 anos, natural de Âncora mas a residir nesta vila.
A cerimónia de colocação de galões ao novo Comandante decorreu no Cineteatro desta associação, registando-se a presença de Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, que não poderia deixar de corresponder ao convite da sua amiga Laurinda Araújo ("vim cá por si", vincou), presidente da direcção dos Bombeiros ancorenses, assim justificou a sua presença em Vila Praia de Âncora naquela manhã.
Antes, o Corpo Activo perfilado diante do quartel, prestou guarda de honra às individualidades convidadas e presentes, tendo Miguel Alves, presidente do Município caminhense, passado revista à formatura.
A anteceder os discursos, um grupo de alunos de instrumentos de cordas da Academia de Música Fernandes Fão deu um toque cultural ao acto.
35 anos ininterruptos
Manuel Pedro Vasconcelos, Nuno Silva e António Rodrigues Alves, com 35 anos ininterruptos de bons serviços à Associação Humanitária, foram agraciados com o crachá de ouro da Liga de Bombeiros, após o que se seguiu a tomada de posse do Comandante Araújo.
"Tenho orgulho de ser Bombeiro"
Este Bombeiro disse ser conhecedor de que "os desafios são muitos" ao assumir estas funções (após ter frequentado uma formação específica para o novo cargo), mas conta com a união do corpo dos bombeiros, considerando-os "uma família", na qual, prosseguiu, "nem sempre estamos de acordo" mas "o importante é comunicar e só assim encontraremos soluções", garantiu.
Daniel Araújo evidenciou "empenho e força de vontade para continuar a engrandecer cada vez mais esta associação" e, dirigindo-se ao Corpo Activo que ladeava a sala de espectáculos, prometeu "escutar os vossos problemas" e, dessa forma, "confiareis em mim" e reconhecerão "autoridade para exercer o cargo".
Não esqueceu de se dirigir à presidente da direcção e agradecer "a confiança que depositou em mim", agradecimento (emotivo) extensivo a sua mulher e filha, bem como ao "Corpo Activo porque conto com vocês para levar o trabalho a bom porto", porque "tenho orgulho de ser Bombeiro", rematou perante as palmas dos assistentes.
"Tiveste grandes mestres"
Foram diversos os oradores na cerimónia, começando por José Presa, presidente da assembleia geral, agradecendo "a presença de todos face à importância deste acto", não esquecendo, naturalmente, "o trabalho do Daniel nestes anos" e "confiamos em ti", atendendo inclusivamente "aos grandes mestres que tiveste".
José Presa mostrou ainda apreço pelos Bombeiros distinguidos com os crachás de ouro de "serviço à comunidade" e que se tornam "num exemplo de dedicação".
Aproveitou o momento para pedir apoio a estes homens e à Associação, distinguindo os protocolos celebrados com as juntas de freguesia e Município, terminando a sua oratória a manifestar confiança no labor do Corpo Activo.
"A nós, compete-nos facilitar a vossa tarefa"
"Esta batalha não é só nossa, mas dos Bombeiros", reconheceu Laurinda Araújo, presidente da direcção, após ter agradecido o "serviço" do anterior Comandante (Manuel Rei) ao longo de 40 anos.
A responsável pelos destinos da associação felicitou o novo Comandante pela nomeação e desejou-lhe "sucesso no trabalho em equipa", de modo a "erguer bem alto o estandarte da Associação" que tem no seu seio "homens e mulheres que servem esta causa sem regatear esforços", devendo "competir a nós, facilitar a vossa tarefa".
Terminou, citando uma frase representativa do serviço dos Bombeiros: "Um Bombeiro nunca foge, simplesmente recua para ganhar balanço".
"Pensões de sobrevivência justas para os Bombeiros e suas famílias"
Carlos Castro, presidente da Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora, após agradecer e elogiar a nomeação do novo Comandante e a entrega dos crachás de ouro, evidenciou "apreço" à direcção "pela entrega de todos estes anos" à causa da Associação e teceu alguns comentários de carácter mais geral.
Referiu-se às tragédias ocorridas em vários pontos do mundo devido ao aquecimento global e à prestação abnegada dos Bombeiros e pediu "mais condições" para eles da parte do Governo central, dando como exemplos os apoios financeiros aos "bancos falidos", classificados pelo autarca como "vampiros do povo português".
Depois de pedir a atribuição de "pensões de sobrevivência justas aos Bombeiros e suas famílias", Carlos Castro admitiu que é das juntas e baldios que as populações mais anseiam apoio, terminando a recordar "todos os que serviram esta Associação".
Louvor do Comandante Nacional da Protecção Civil
O Comandante Operacional Distrital destacou a "tomada de posse de um velho amigo", ao lado de quem esteve em várias situações de risco e ansiedade, superadas pela prontidão e organização conseguidas, deixando um voto de louvor ao novo Comandante "na defesa das comunidades", louvor esse proveniente do Comandante Nacional da Protecção Civil, pela sua "lealdade e espírito de sacrifício".
"Sem os Bombeiros não estaríamos aqui"
"Aqui é uma causa especial", admitiu Marta Soares, presidente da Liga, ao justificar a sua presença neste acto, ao qual lhe é impossível de repetir na maioria dos casos, porque se assim fosse, "estaríamos a andar sempre com a casa às costas".
Louvou a presença das mulheres à frente das associações dos bombeiros voluntários, como é o caso de Vila Praia de Âncora, razão da sua deslocação até ao Minho, porque "as poucas mulheres que há a presidir são boas" nas suas funções.
Elogiou o novo Comandante e os três Bombeiros distinguidos, aproveitando para pedir "mais apoio do poder central" para as associações humanitárias, porque "em 98% dos casos, são os Bombeiros que intervêm", e nos municípios de pequena dimensão (são 85%) tornam-se determinantes na actuação pronta e eficaz.
Considerou "inadequada às necessidades" a lei de financiamento em vigor e descreveu como ineficaz a vinda de estrangeiros ensinar os Bombeiros em inglês, quando o que dizem "fomos nós que lhes ensinamos".
Segundo Jaime Marta Soares, o Orçamento de Estado prevê 21 milhões de euros para apoiar os Bombeiros (30.00 no activo e 15.000 na reserva), quando deveriam ser 31 milhões, referindo que os profissionais ainda se tornam voluntários após as horas de serviço.
Nesse sentido, os apoios das câmaras e juntas de freguesias são relevantes, tendo ainda evidenciando preocupação com as alterações estatutárias que "andam por aí".
"Sempre disponível"
Coube a Miguel Alves, presidente do Município, encerrar a sessão, começando as suas palavras por cumprimentar o novo Comandante, frisando que "sempre nos habituamos a ver o Daniel nos momentos mais difíceis" e "sempre disponível".
"Sinto-me mais seguro contigo"
"Honras toda a tua história, o teu legado e o teu serviço em Vila Praia de Âncora, concelho de Caminha e distrito", acrescentou o autarca, porque, justificou as suas palavras, "és o homem certo, no lugar certo".
Miguel Alves aproveitou ainda a ocasião para louvar Laurinda Araújo, presidente da direcção, perante "o seu trabalho extraordinário na associação" ancorense e que "é das mais pujantes do distrito".
"Olhares frescos"
O presidente de Câmara elogiou também o Corpo Activo, onde se vêem "tantos rostos jovens que se oferecem à sua comunidade".
Apesar dos seus quase 100 anos, a AHBVVPA possui "olhares frescos" que "resolvem tantos e tantos problemas" e a quem o Município de Caminha está grato.
Referindo-se a Jaime Marta Soares - que já conhecia de outros lados, nomeadamente quando Miguel Alves esteve no Ministério da Administração Interna -, concordou que "é necessário que alguém continue a lembrar o que ainda não foi feito". No caso dos Bombeiros ancorenses, o presidente do Executivo caminhense destacou que eles são financiados através da cultura.
"Chegam em dois ou três minutos"
Classificou como "infundadas as críticas dirigidas aos Bombeiros", só explicáveis "em momentos de desespero ou irracionalidade", levando-o a pedir à população para que "olhe um pouco para dentro de nós". Interrogou; "Quantos são associados? Quantos estão presentes à tomada de posse? E as respostas às angariações de fundos?".
O autarca completou o seu raciocínio, dizendo que não o fez" em tom amargo", mas, simplesmente porque "somos demasiado exigentes relativamente aos Bombeiros", o que revela alguma falta de coerência da nossa parte, quando "o que devíamos era dar mais apoio".
Recordou, a terminar, "a segurança de termos um telefone e que os chama e chegam em dois ou três minutos".