Jorge Cerqueira, construtor de marionetas, veio expor no Museu Municipal o conjunto de trabalhos que recriaram a vida e as personagens de Eça de Queirós descritas no famoso romance "Os Maias", após o que foi servido um chá condizente com o ambiente dessa época lisboeta.
Na abertura da mostra que estará patente até ao dia 2 de Fevereiro, este artista plástico e professor fez votos para que os visitantes "desfrutem" e que a exposição "seja muito visitada e satisfaça todos os gostos".
"É uma forma de arte tão grande quanto outras"
Por seu lado, o vice-presidente Guilherme Lagido manifestou a sua satisfação pela presença deste conjunto de 10 miniaturas das personagens do Eça, vestidas ao rigor da época e movidas por fios.
Após referir que esta arte tinha desaparecido - talvez devido à concorrência da televisão -, felizmente regressava agora aos espaços de rua.
Através desta forma de expressão teatral, Lagido considerou "interessante" por "brincarmos com a personalidade de cada um de nós", neste caso, a propósito de "Os Maias" recriadas por Jorge Cerqueira. "Sorrimos, quando nos lembramos das personagens desse livro" e agora reanimadas nestes bonecos articulados.
Trabalho de pesquisa, contextualização e construção
No final da inauguração, pretendemos saber a razão desta opção pelas figuras de uma das obras maiores de Eça de Queirós, explicando o autor que se devera a que "esta exposição nasceu para um espaço em Lisboa e, fazia por isso todo o sentido que fosse algo que tivesse a ver com Lisboa" daí o aparecimento dos "Maias", um trabalho literário que "se desenrola todo em Lisboa", recriando por conseguinte o elenco de personagens que fazem parte do romance.
Em complemento, Jorge Cerqueira concordou que esse tempo "nunca deixou de ser tão actual" como hoje em dia, e, prosseguindo, "quando se volta a ler "Os Maias", nomeadamente quando eu preparei esta exposição, achei que Lisboa e Portugal estão retratados" nesse livro.
Definindo a sua atenção nestas peças de arte, fez questão de precisar que o tempo para a sua concretização é "infinito", obrigando em primeiro lugar a "um trabalho de pesquisa sobre as características de cada personagem, contextualizando a época que elas viveram, seguindo-se um trabalho a nível de vestuário (guarda-roupa das marionetas) - e que é muito particular neste caso -, seguindo-se todo um trabalho de construção que leva imenso tempo, porque cada uma é diferente da outra e com características muito próprias e muito diferenciadas".
"Há cada vez mais espaço para o Teatro das Marionetas"
"Nos dias de hoje há cada vez mais espaço para o Teatro das Marionetas e isso é muito bom", precisou este especialista na arte, vincando que as marionetas têm ressurgido em Portugal e "apareceram outras companhias que estavam com menos trabalho", verificando-se "neste momento uma abertura e atenção maior do público a esta arte" fruto igualmente do "trabalho que as companhias têm feito, o que tem sido óptimo para esta Arte das Marionetas".