Manuel Vilares, presidente da direcção do Centro Bem Estar de Seixas (vulgo S. Bento), aproveitou uma revisão da conta de exploração de 2019 aprovada em assembleia geral para reconhecer que o Natal de 2019 foi muito diferente do que viveram quando assumiram funções há alguns anos, "em que havia dificuldades" financeiras.
De facto, esta revisão demonstra que as previsões da direcção relativamente a 2019 estavam certas, em contraste com o que o contabilista estimava perante os dados disponíveis há um ano, ao ter apontado cerca de 2.000€ de prejuízo.
João Leão, tesoureiro da direcção, ao comentar perante os escassos sócios presentes a diferença de avaliação verificada, apontou o aparecimento de uma rubrica (aleatória) respeitante a uma doação de 94.000€, o que permitirá apresentar um saldo de 60.000€ no final de 2019.
Estes números entusiasmaram os presentes, tendo Dionísio Rua considerado "espectacular" esta situação, atendendo ainda às obras realizadas em 2019.
"É bom viver neste Lar"
Pegando nos investimentos, Manuel Vilares indicou os melhoramentos conseguidos no 2º piso, incluindo a instalação de um elevador, a par da remodelação das 12 suites e da substituição de todas as camas que são agora integralmente eléctricas, equivalendo a valores na casa dos 80.000€.
Este dirigente da Casa de S. Bento precisou que mercê da gestão imprimida e dos investimentos concretizados, "gastamos menos dinheiro com cada utente do que em relação ao passado", complementando que todo o lucro conseguido "será reinvestido nesta Casa".
Insistiu que as mudanças introduzidas no seu funcionamento leva os utentes como que a dizer que "é bom viver neste Lar", de acordo com o que "eu sinto" no relacionamento mantido com todos eles, sublinhou.
"Há uma relação terapêutica"
Deu exemplos da forma como foi estabelecida "uma relação terapêutica" entre cuidadores e utentes, em que o conforto do dia-a-dia sobressai, sendo exemplo disso as refeições - habitualmente "um momento de grande guerra" -, mas que se tornou no "mais agradável".
Apostado na exemplificação, indicou a evolução "importante" registada nos cuidados de saúde (médico e enfermeira em sintonia), tendo em conta que a maioria das pessoas que ingressa no lar são incapazes e portadoras de doenças complexas. Referiu que existem 10 pessoas que "só sobrevivem porque são bem tratadas", e sucedendo muitas vezes que os utentes transportados para o Hospital de Viana, pedem para regressar ao Lar onde querem acabar os últimos dias, como tinha sucedido com uma senhora de 99 anos que foram buscar de noite a Viana do Castelo. Ou de um antigo funcionário da Casa de S. Bento que pediu para regressar ao Lar, de "onde partiu em paz junto das pessoas de quem sempre gostou". Aliás, um irmão desse utente presente na assembleia, aproveitou para gradecer toda a atenção que lhe tinha sido prestada nesta Casa de Repouso. Manuel Vilares realçou, aliás, que o regresso ao Lar dos utentes internados no Hospital de Viana do Castelo só era concretizado em consonância com os seus familiares. Em sentido inverso, diminuíram as vindas do INEM ao Lar, sempre que entre a direcção, serviços médicos e famílias houve um entendimento total sobre a melhor forma de abordar os momentos finais dos utentes em fase terminal. É a prova, frisou, que "as famílias confiam em nós e nos funcionários".
Projecto de ampliação do Lar
Um milhão de euros é o montante que a direcção do Centro Bem Estar Social de Seixas espera investir na ampliação (para o lado do jardim) do Lar. O projecto já se encontra em apreciação na Segurança Social e os responsáveis pela instituição seixense entendem que o Estado tem que assumir esta responsabilidade, tal como a própria Casa de S. Bento teve condições para recuperar o edifício onde funciona o albergue de peregrinos impedindo dessa forma que o edifício onde funcionou o antigo CAT Benjamim se degradasse. Segundo vincou Manuel Vilares, para as obras de construção de raiz, há regras mais rigorosas do que para reabilitações de edifícios.
Pretender atingir os 70 utentes
Manuel Vilares referiu a necessidade de aumentar o número de utentes de 58 para cerca de 70. Para além de uma exigência social, a despesa que isso representaria não é equivalente à receita, precisou. Deu números para comprovar que as receitas provenientes do aumento de utentes seriam bem superiores às despesas que originariam. E com o lucro obtido, voltariam a investir no Lar, referiu. E, permitiria admitir sem qualquer pagamento, os seixenses que não tivessem quaisquer posses para ingressar num lar, como sucede presentemente com dois casos, recordou.
Como já foi revelado anteriormente, os directores desta Casa pretendem colocar o refeitório, áreas sociais e cozinha no rés-do-chão e reservar os pisos superiores para quartos. Do projecto, consta um auditório para 100 lugares e uma sala para actividades dos utentes.
Aguardar pelo próximo Quadro Comunitário de Apoio
O próximo quadro comunitário de apoio poderá reter mais incentivos para as áreas sociais, prevê Manuel Vilares, levando a que já estejam preparados para avançar de imediato com uma candidatura, para a qual já possuem projecto, porque costumam dar apenas um prazo de três meses para a apresentarem.
O trabalho das funcionárias mereceu igualmente um elogio da parte de Goreti Verde, outra directora da Casa de S. Bento, chegando a realizar cuidados paliativos - "o que é raro noutros lares", sublinhou -, levando-a a reconhecer o papel decisivo dessas trabalhadoras.
"Gratidão da nossa parte"
O facto de ter sido feita referência a um trabalhador (condutor) da Casa de S. Bento que faleceu neste Lar, Manuel Carlos Falcão, presidente da AG, propôs um voto de pesar porque o senhor Serafim era um "faz-tudo", sempre disponível para o que fosse necessário e chegando a ser seccionista da secção de futebol. "Sempre viu esta Casa com olhos diferentes e ela correspondeu nos últimos dias da sua vida", completou Dionísio Rua esse acto de apreço ao antigo funcionário.