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Lanhelas

Fornada de músicos (bons) gerada na Banda Musical Lanhelense já dá cartas no panorama da música clássica

Foi consolador apreciar como uma jovem lanhelense que aprendeu a ler as pautas de música na Banda Musical Lanhelense há mais de 20 anos, se apresentou no passado dia 4 no palco do Coliseu do Porto a chefiar (concertino) o conjunto de violinistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa que actuou no "Concerto de Ano Novo ao gosto de Viena", interpretando peças de Strauss, Rossini e Moniuszko, perante um público que encheu a sala de espectáculos portuense.

Ana Pereira e seus quatro irmãos (Márcio, Marco e José) desde pequenos se afirmaram como prometedores músicos, confirmados ao longo da sua carreira, como o atesta esta presença na Metropolitana de Lisboa, na qual a Ana assume um papel preponderante logo a seguir ao maestro (o polaco Sebastian Perlowski), "passando a mensagem" entre este e a orquestra, como nos explicou no final do concerto. Dá como exemplo da sua função, uma empresa em que ela seria a administradora e entra em acordo com todos os chefes de secção a fim de apresentarem o espectáculo no palco.

"É aqui que me vejo muito realizada"

Aproveitando esta oportunidade de conversar com Ana Pereira, depois de já o termos feito por várias vezes, bem como com seus irmãos, ao longo das suas progressivas carreiras, pretendemos saber se a sua presença na Orquestra Metropolitana de Lisboa desde 2007 representava um sonho realizado, depois de ter passado de concertino assistente para concertino há seis anos.

Admitiu que cresceu na Metropolitana e "embora tenha tido outras oportunidades, é aqui que me vejo muito realizada e gosto muito de tocar aqui", tal como seu irmão José que não a acompanhou a seu lado neste espectáculo de início de ano porque na semana seguinte tocava a solo.

"Foi lá (Lanhelas) que eu comecei"

Comparando os seus primeiros passos na Banda Musical Lanhelense com a sua presença na Metropolitana, Ana Pereira assumiu desde logo "o peso que a Banda de Lanhelas teve na minha carreira porque foi lá que eu comecei e é a todas essas origens que eu agradeço, porque se não fosse a Banda de Lanhelas, hoje, provavelmente, não estaria onde estou".

Assinalou no entanto a grande diferença entre tocar na Banda de Lanhelas e na Metroplitana. Na primeira, "temos um lado muito bom que é o amadorismo e que é aquilo que hoje se tenta fazer, como na Venezuela em que há um sistema de tirar as crianças da rua e dar-lhes esta noção de trabalhar em equipa". Acrescentou que em Portugal, "o nosso ensino não está muito focalizado para isto e as pessoas não trabalham sozinhas numa empresa". O inverso do que sucede na música, "em que as crianças desde pequeninas são habituadas a trabalhar em equipa, o que se torna num papel fundamental nessa educação, tendo as bandas um papel fundamental nessa educação", acentuou.

"É um desafio e a vida é feita deles"

No segundo caso, numa orquestra como à que ela pertence, exerce um cargo de chefia "mais chato e burocrático, mas que tem o lado maravilhoso de poder tocar cada concerto como se fosse a primeira vez", apesar da grande responsabilidade que esta função exige. Mas "é um desafio e a vida é feita deles".

Admitiu algumas dificuldades durante este concerto por estar muito frio (até o maestro polaco, habituado a temperaturas gélidas se queixou a meio do concerto) e vento, o que dificulta a afinação pretendida para os instrumentos de sopro, "o que origina alguns constrangimentos em algumas peças, mas melhores dias virão".

Preparando doutoramento

Não pode equacionar o seu futuro na música, porque "eu estou sempre a dizer que vou acalmar-me mas não me acalmo", dando como prova disto, estar a preparar o doutoramento.

A par desta presença na Metroplitana, Ana Pereira tem ainda vários projectos a solo e não desdenharia tocar com os irmãos na sua terra natal.

Muitos e bons músicos

Desta família de excelentes músicos, como já referimos, José toca também violino na Metropolitana, Marco é violoncelista na Orquestra da Gulbenkian - onde toca igualmente outro lanhelense, Rui Fernandes, intérprete de trombone - e Márcio Pereira é clarinetista na Banda da Marinha.

A par destes músicos, outros lanhelenses têm singrado no mundo da música, com iniciação em Lanhelas: Lourenço Cruz é professor em Mirandela e dirige a Banda Musical de Murça, tendo conquistado recentemente um prémio em Espanha ; Filipe Cunha é director da Banda de Oliveira, de Barcelos ; Ana Rita Júnior toca viola de arco num grupo de música barroca em Coimbra ; João Gonçalves é trompa na Banda da GNR e Lígia Vareiro reforça o naipe de violinistas da Metropolitana de Lisboa, como sucedeu há uma semana no Porto.

Iniciada na música (em Lanhelas) aos nove anos

Lígia Vareiro iniciou-se na música aos nove anos, na escola de música da Banda Musical Lanhelense, tocando clarinete e mais tarde flauta. Deste primeiro contacto com as notas musicais resultou o interesse pela arte musical, ingressando na Escola Profissional de Música de Viana do Castelo onde abraçou o violino, após prestar provas de opção pelos instrumentos.

Seguidamente, completou os estudos na Orquestra Metropolitana de Lisboa, cidade onde se radicou o que a impede de integrar a Banda Musical Lanhelense.

Não foi a primeira vez que actuou no Coliseu do Porto, já o tinha feito integrada na orquestra da Escola Profissional de Viana do Castelo e da própria Metroplitana à qual é chamada pontualmente de acordo com as suas necessidades.

"As bandas do Norte são as primeiras escolas de música"

Reconhece, a par da sua colega Ana Pereira, que se não tivesse entrado para a Banda Musical Lanhelense e estabelecido os contactos com a música e os seus colegas, nunca teria sonhado em seguir esta profissão.

"As bandas do Norte são as primeiras escolas de música e se não tivesse uma em Lanhelas", contou-nos Lígia Vareiro, não lhe teria sido possível singrar nesta área musical extremamente difícil e em que "é preciso estudar muito". "É como se fosse um atleta de alta competição", assim comparou a sua atitude perante a música, face à exigência requerida para assegurar um lugar numa orquestra e, além do mais, "é necessário haver oportunidades", coisa complicada de conseguir em Portugal onde "não há muitas orquestras e há muitos concorrentes", sublinhou. "Embora eu tenha tido alguma sorte", reconheceu.

"É o que quero"

"É o que quero", disse-nos resolutamente sobre a sua opção pela música, ao concluir as suas palavras sobre este percurso de vida artística iniciado na banda da sua terra.



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