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Futebol Feminino

Âncora-Praia expande-se e Cerveira inicia-se

Na prática totalidade do país regista-se um incremento do Futebol Feminino em todos os escalões etários, surto este a que o próprio distrito de Viana do Castelo não é alheio.

O Âncora-Praia Futebol Clube é vanguardista no Alto Minho, com equipas femininas a disputarem várias competições, em que as Iniciadas mostraram no passado Domingo em Vila Nova de Cerveira uma maturidade assente num trabalho de base, e as seniores (com juniores e juvenis na seu plantel) participam no Nacional da Zona Norte e vão tentar mais uma façanha na próxima eliminatória da Taça de Portugal, deslocando-se ao terreno do Cadima (Cantanhede) no próximo dia 22 de Dezembro, com o ponto de mira focado na presença de uma equipa grande no Paulino Velho Gomes, caso ultrapassem mais este adversário, como já o fizeram com o Felgueiras e Leça.

Como referimos, no último fim-de-semana, no campo do Clube Desportivo de Cerveira, a equipa de Iniciadas deste clube (criada nesta época e tornando-se pioneira no futebol feminino nesse concelho) jogou com o Âncora-Praia Futebol Clube.

Foi uma partida em que as locais evidenciaram a vontade de formar uma equipa competitiva, perante adversárias mais experientes e alicerçadas numa formação já com um passado de cinco anos.

"Equipa feminina é inovação no Cerveira"

António Fernandes, presidente do Clube Desportivo de Cerveira, marcou presença nessa manhã, acompanhando a sua equipa de Iniciadas, criada por iniciativa de "um grupo de meninas que estavam com vontade de jogar à bola e como o Cerveira queria criar uma equipa feminina, conseguimos juntar um lote de treze miúdas a fim de desenvolver o futebol feminino no nosso clube e que é também uma aposta da Federação Portuguesa de Futebol".

O presidente cerveirense manifestou-nos contentamento "com esta experiência bonita, por ser algo de novo. Está a ser motivante e estamos a acompanhar a evolução do futebol", reconheceu.

O CDCerveira compete em todos os escalões, desde os Petizes até aos Veteranos, - e em alguns casos até possuem mais do que uma equipa -, movimentando cerca de 250 atletas.

António Fernandes reconhece ser difícil "aguentar este barco, não só em termos financeiros, como a nível de estrutura, porque o Cerveira só possui um campo e é muita gente a pisar diariamente este relvado do Estádio Municipal Rafael Pedreira". Sabe que a Câmara de Cerveira pretende conseguir um segundo campo, mas tem sido impossível até agora". Contudo, releva o apoio do Município ao Clube Desportivo de Cerveira, "embora o clube pretenda sempre mais um bocado", admite.

A aposta do Cerveira reside sempre na formação, completou este dirigente associativo, "tentando que continue bem ou mesmo melhorando-a", a par de os seniores serem uma referência importante. Assume, no entanto, que não será fácil a manutenção na Série A do Campeonato de Portugal, "porque é muito forte, onde há equipas com grandes orçamentos, logo, com grandes jogadores, e se há alguma dúvida, vejam o que fez (ontem) o Vizela no jogo da Taça contra o Benfica, o que é um bom sinal da série em que estamos inseridos", concluiu.

"Há tanta coisa que me atrai" no Futebol

A capitã da equipa de Iniciadas, a cerveirense Letícia Galan, 14 anos, estudante no Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Cerveira, revelou ao C@2000 no final do jogo com o Âncora-Praia que tinha jogado Futsal escolar durante quatro anos, tendo optado agora por integrar esta equipa de Futebol de 11.

"Desde pequena que assistia aos jogos dos meus tios" e daí surgiu o gosto pelo Futebol, assim justificou esta apetência. Admitiu que "há tanta coisa que me atrai" nesta modalidade, "que não sei explicar" a razão.

Gosta de jogar a médio centro ou esquerdo e nesta partida foi a capitã, uma situação que varia de jogo para jogo, porque "temos de rodar", rodagem que esta jovem equipa começou a fazer nesta época, "porque é o começo", frisou, e também porque "se aprende com as derrotas".

A ideia de propor à direcção do Cerveira a criação da formação Iniciada, surgiu após a participação destas jovens num torneio organizado pelo Cerveira, e a sua professora falou com os responsáveis do clube sobre a possibilidade de criar "uma equipa de raparigas", o que acabou por ser aceite.

Letícia Galan, após assinalar que se encontra satisfeita com as condições proporcionadas pelo Cerveira, considerou "ser óbvio" que gostaria de tornar-se jogadora profissional.

Esta jovem cerveirense aponta como seu ídolo no Futebol, Cristiano Ronaldo…"é claro", completou.

"Muita boa"

O Âncora-Praia venceu com naturalidade este jogo de Iniciadas, fruto de um trabalho de fundo com resultados positivos nas diversas competições.

Domingos, ex-jogador do clube ancorense, treinador destas jovens iniciadas, explicou ao C@2000 que se tinha incorporado este ano a este projecto do Futebol Feminino em sub-13 e 15.

Não hesitou em classificar de "muito boa" e a "melhor" da região esta equipa de 15 jogadoras iniciadas, na sua maior parte proveniente das "redondezas" de Vila Praia de Âncora, nomeadamente da zona de Viana do Castelo.

Não teve dúvidas em admitir dificuldades logísticas para pôr em funcionamento este grupo, dependendo muito da "disponibilidade dos pais".

Além de ser pioneiro no futebol feminino no Alto Minho, o Âncora-Praia "tem tido a sorte de ganhar todas as competições em que têm participado", começando no primeiro ano com vitória na Associação do Porto, e depois na de Braga.

Pedindo-lhe uma explicação sobre esta apetência pelo futebol por parte das raparigas nestes últimos anos, Domingos preferiu assegurar que houve sempre vontade delas em competir, "só que não havia apoios da Federação e da UEFA - que apoia agora muito o Futebol Feminino - e, desta forma, começam a aparecer mais praticantes.

Na sua opinião, o Âncora-Praia dispõe de boas condições para a modalidade feminina, com bons balneários e um bom relvado, o que lhe permite pensar sempre bem alto, porque, justificou, "o Âncora-Praia já chegou a um patamar que não é apenas para competir mas sim para ganhar, não só na AF de Braga, como também a Taça de Futebol Feminino e a Taça Nacional".

Estas miúdas treinam duas vezes por semana, considerando ser suficiente, porque "o futebol já está com elas". Diz ainda que não lhe compete avaliar as suas notas escolares, para que joguem ou não, deixando essa tarefa aos pais. Pais estes que apoiam "em tudo", nomeadamente nas deslocações grandes, acompanhando dessa forma as suas filhas, "o que é muito bom", acrescenta.

"Futebol é a minha paixão"

A capitã desta equipa alvi-negra foi Ana Cerqueira, natural de Ponte de Lima, 15 anos, aluna do 10º ano em Viana do Castelo e iniciada no futebol há três anos na Academia de Futebol de Ponte de Lima, mas os seus dotes foram notados pelos responsáveis do Âncora-Praia que a convidaram a integrar as suas equipas, o que desde logo aceitou.

Jogou a médio centro neste encontro com as adversárias de Cerveira que "nunca se deixaram ir abaixo", enfatizou, e "respeitaram-nos sempre, nunca se enervando", a par de o Âncora-Praia ter feito "um bom jogo", acentuou.

O facto de ter sido a capitã foi uma decisão do "mister", à qual é alheia, apenas se mostrando contente com a opção tomada de ter vindo jogar no Âncora-Praia.

A exemplo da capitã do Cerveira, também Ana Cerqueira tem como ídolo o Cristiano Ronaldo.


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