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Âncora

Reunião camarária descentralizada

Construtores irritados

Lotes do Lugar da Areia degradam-se

Jardim de Infância apoiado

Unidade hoteleira com 100 camas e reforço do cordão dunar

O Jardim de Infância mereceu a preferência de Câmara e Junta para albergar a quarta reunião camarária descentralizada realizada nesta freguesia, atendendo às obras de melhoramento recentemente desenvolvidas neste espaço escolar.

Estas reuniões permitem às autarquias locais e aos moradores interpelarem o Executivo camarário sobre o dia-a-dia das freguesias e gestão do Município.

A palava é dada inicialmente aos presidentes de junta, como voltou a suceder em Âncora no final deste mês, permitindo a António Brás contrastar as realidades de um passado camarário não muito longínquo, com a proximidade possível de há seis anos a esta parte.

Contudo, o autarca ancorense não se coibiu de confrontar o Executivo e respectivo sector de obras com os entraves ou morosidade colocados a alguns pedidos e projectos da Junta, como sucede com o alargamento de um caminho, a instalação de um WC junto ao cemitério, ou o encerramento de um passadiço dunar sem que tivesse sido dada oportunidade à junta para pregar uns pregos.

Por outro lado, o início da obra na Rua do Calçadão, a continuação da instalação da rede de saneamento (a Câmara investiu 2,5 milhões de euros nos últimos seis anos nestas infra-estruturas em várias freguesias do concelho, anotou Miguel Alves, presidente do Executivo) e da rede de gás e fibra óptica foram motivo de agrado da parte de António Brás, embora tenha pedido medidas de minimização dos seus impactes na vida quotidiana dos seus conterrâneos.

Este autarca abordou ainda a questão da descentralização de competências para as freguesias, desde que sejam acompanhadas de meios para as concretizar e pediu clarificação no processo de limpeza das vias públicas.

E pediu brevidade na resolução de alguns dos anseios mais antigos da freguesia, a começar pelo tão desejado viaduto de Pedarroso-Águas Férreas, na N13, conclusão da Rua do Calvário, arranjo da Rua do Paço e Largo da Junta ou a colocação de uma passeio na Rua do Sobrado.

Alguns moradores aproveitaram esta sessão pública para manifestarem as suas opiniões e apresentar soluções, ou elogiando algumas obras.

Jardim de Infância "está vivo"

Foi neste caso a posição de Rodrigo Presa que agradeceu a intervenção da Câmara no Jardim de Infância do Centro Social e Paroquial de Âncora, classificado como "pioneiro no distrito" e das primeiras IPSS do país, o qual se encontra "vivo", sublinhou, após o que destacou ainda o "bom relacionamento" existente entre a autarquia caminhense e a Segurança Social, o que facilita encontrar soluções diversas.

"Lei deve funcionar de fora para dentro"

Já o seu irmão José Manuel Presa voltou a dirigir baterias para o pelouro das obras e respectivos serviços, a exemplo do que tinha feito na Assembleia Municipal de Setembro.

Lamentou a inércia dos serviços camarários numa derrocada no Lugar da Ponte, em Riba d'Âncora, e avisou que um caminho se encontra em risco de ruir.

Pediu informações sobre a expansão da rede de gás natural na Aspra, recordando a propósito que ele e os seus irmãos tinham investido 10.000€ num loteamento a fim de ser possível receber esse produto, mas nada se concretizou até à data.

Voltou a criticar o funcionamento dos serviços camarários, considerando "preocupante o que se passa com as obras particulares", acarretando prejuízos devido à demora nas respostas solicitadas e às respectivas justificações dadas aos requerentes, lamentou, quando há muito técnicos no interior da câmara, completou.

Estas intervenções tiveram diferentes apreciações da parte do Executivo camarário.

Liliana Ribeiro, vereadora da área social, admitiu que "o Jardim de Infância é um espaço que me diz muito", razão pela qual pretendem que "seja um local cada vez mais aprazível".

Referiu que numa primeira intervenção tinha sido removida a cobertura em fibrocimento e substituída por material não cancerígeno, pretendendo numa segunda fase "melhorar o piso interior", instalar uma porta de emergência e substituir a caixilharia.

Gás natural "vai crescendo"

Coube a Guilherme Lagido, responsável pelo planeamento e obras particulares, replicar às queixas de José Manuel Presa, referindo que "a rede de gás natural vai crescendo", quando, "agora", reforçou, "toda a gente a quer", mas que nem ele próprio conseguiu ter esse gás "na minha casa", além de lhes ser impossível "pressionar" as empresas que se vão sucedendo umas às outras, ou num processo de autofagia capitalista, registe-se.

Aproveitou para anunciar que haveria agora a possibilidade de o gás natural chegar ao norte do concelho, quando no início deste processo tinha referido que freguesias como Lanhelas, Vilar de Mouros e Seixas só beneficiariam deste abastecimento mais barato e seguro, quando as tubagens chegassem a Vila Nova de Cerveira. Não referiu, contudo, como chegaria agora o gás natural a estas freguesias.

Este edil negou que a Câmara tivesse muitos técnicos e assegurou que "faz-se muito mais do que há anos", atendendo a que possuem "mais meios", reforçou, após o que pediu "uma articulação mais amigável entre os particulares e os serviços".

"Ferro enferrujado à vista"

Dado que outro morador, Cândido Dias, voltou a aproveitar uma sessão pública para denunciar o estado de diversas construções no Lugar da Areia (há garagens com o ferro enferrujado à vista, avisou), bem como as deficiências de raiz existentes na rede de águas, em que a água das chuvas retorna para dentro das caves.

Sugeriu um acordo entre Câmara e condóminos para resolver tal degradação dos lotes, uma proposta difícil de concretizar, alertou o vereador, porque a Câmara não poderia intervir em espaços privados.

Guilherme Lagido referiu ainda que tinha havido um técnico camarário que avalizara tudo o que tinha sido construído nesses lotes e a Câmara da altura aprovara, levando a que se chegasse a esta situação. Insistiu na existência de muitos erros nessas construções, dando como exemplo as águas pluviais provenientes do monte (Laboradas) e que "andam de lote em lote", e advogou o lançamento das águas de saneamento num colector.

Plano de Pormenor para solucionar erros do passado

Segundo o vereador Lagido, só depois de aprovado um plano de pormenor para o Lugar da Areia é que se poderia resolver muitos dos problemas herdados, a par de ser necessário conseguir financiamento. Avisou, no entanto, que o OPG da Areia se encontra parado, devido à necessidade de conclusão da candidatura do projecto da EB1 de Vila Praia de Âncora até final deste mês.

Sobre o viaduto de Águas Férreas, o presidente da Câmara adiantou que o projecto deveria ser revisto, em consonância com a rede de águas a criar, para que vazem num ponto só.

Fibra óptica em 700 lares

Comentando igualmente estas situações antigas e complicadas no Lugar da Areia, Miguel Alves avisou que "a eficácia pode não ser boa conselheira", dando como exemplo o prédio degradado que poderá cair, conforme receia o morador Cândido Dias.

Por tal motivo, reconheceu que "esta freguesia tem tido uma atenção muito especial, o que não sucedeu durante muitos e muitos anos", dando como exemplo o que se passou com o saneamento, em que a ETAR foi instalada em Âncora, sem que o tratamento e despejo dos esgotos da freguesia fossem solucionados, o que só sucedeu agora, a par da chegada da rede de gás natural e da fibra óptica a 700 lares, esperando apenas pela autorização para que o fio desta última rede passe por debaixo da linha férrea, a fim de beneficiar às habitações da Gelfa.

Unidade hoteleira com 100 camas

Miguel Alves assumiu a sua (da Câmara) quota-parte da obra da Rua do Sobrado, esperando a colaboração da Junta para que comparticipe com o restante. Prometeu empenhamento na recuperação do Forte do Cão a favor da Junta e anunciou uma unidade hoteleira com 100 camas nas duas margens do rio Âncora, apanhando a zona da Valada em Vila Praia de Âncora e a de Âncora, um projecto "em que estamos a trabalhar há meses", anunciou.

E em maré de boas notícias, o autarca caminhense avançou com a novidade do reforço do cordão dunar dos Caldeirões, desde Vila Praia e Âncora até ao Forte do Cão a partir da próxima Primavera, uma acção de defesa costeira no montante de 1,8 milhões de euros.

Lamentou, no entanto, a impossibilidade (falta de capacidade) para avançar com Viana do Castelo na intervenção da Cividade, apesar de já ter sido conseguida a sua protecção.

"Não se admite"

A Câmara assume que avançará com uma campanha de esclarecimento e sensibilização da população para uma utilização correcta dos pontos de recolha de resíduos sólidos e depósitos de "monstros" e restos de jardins, depois de o morador Manuel Areias ter denunciado a existência de contentores superlotados de materiais indevidos, nomeadamente ferro, pedras, tijolos e restos de jardinagem. Este ancorense pediu a colocação de placas informativas nos contentores.

Guilherme Lagido corroborou as palavas de Manuel Areias, denunciando "a enorme falta de civismo" que chega ao ponto de "pegarem fogo" aos recipientes do lixo ou não o acondicionarem devidamente quando aí depositado.


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