As mães dos miúdos que jogam nas camadas jovens do Lanhelas Futebol Clube organizaram-se e tornaram-se num suporte logístico relevante na presente época.
A sua presença é uma constante nos jogos, como sucedeu na manhã de hoje, em que os Benjamins realizaram o seu primeiro jogo, defrontando o Âncora-Praia Futebol Clube no Estádio Ilídio Couto - o qual regista algumas infiltrações de água nos balneários renovados há três anos, diga-se de passagem.
Mais importante do que o resultado - o Âncora-Praia venceu folgadamente o jogo -, é a possibilidade que é concedida aos miúdos de se divertirem com a modalidade que mais apreciam, conseguido à custa de muitas e muitas horas de carolice de dirigentes, técnicos e encarregados de educação.
Este ano, o Lanhelas conta com o apoio de mães cujos filhos participam nos torneios e campeonatos distritais, como é o caso de Goreti Fernandes e a colega Sónia (que não pode comparecer neste jogo) que "representam os pais e permitem fazer a ponte entre a direcção e o clube", com o objectivo de "melhorar" as condições do clube e, dessa forma, "fazer uma equipa e uma formação em grande nos Traquinas, Petizes e Benjamins", explicou ao C@2000 a primeira.
Esta decisão foi tomada recentemente e, "para a próxima semana reuniremos com todos os pais, para definirmos responsabilidades e distribuirmos o trabalho - porque todos trabalhamos -, porque isto exige muito esforço e muitas horas de colaboração".
A presença feminina nas responsabilidades de um clube merece a sua "concordância plena", atendendo a que "cava vez mais se vêem mulheres" a assumir funções nos clubes, "apesar de "ainda não termos meninas a jogar, mas gostaríamos muito de formar equipas femininas ou mistas".
Até ao momento, este movimento de mães tem procedido à venda de rifas com atribuição de alguns cabazes, contando com a adesão dos pais e "algumas empresas que vamos conhecendo". Justifica esta decisão, perante "o grande esforço financeiro que é exigido ao clube".
"Actuar agora com as crianças"
Assume que "estou aqui porque é uma iniciativa muito boa, para Lanhelas e para os miúdos, mas tem de haver o esforço de todos, se não, não se consegue e só quem está mesmo dentro é que tem noção do trabalho e do esforço que requer".
Goreti Fernandes destaca ainda a importância da formação, para que o Lanhelas, no futuro, venha a beneficiar deste investimento feito agora.
"Gosto de jogar futebol"
Um dos miúdos que integram a equipa de Benjamins do Lanhelas F.C. é o guarda-redes Tiago Torres, 10 anos, estudante na C+S de Caminha, vindo de Vilar de Mouros até à freguesia vizinha "porque gosto de jogar futebol", justificou ao C@2000 a sua presença nesta manhã no Ilídio Couto.
"Desde sempre que quis ser guarda-redes" e assim veio ocupar este posto na baliza lanhelense. Tem como referência na baliza o keeper Blachodimos e assume que pretende continuar a sua ainda curta carreira e, talvez, tornar-se jogador profissional, mas compatibilizando, para já, os estudos com o desporto.
200 miúdos nas camadas jovens do Âncora-Praia

Nuno Pereira, responsável pelas camadas jovens do Âncora-Praia Futebol Clube, surgiu mais uma vez a assumir estas funções neste derby concelhio, numa demonstração da pujança deste clube, nomeadamente em todos os escalões juvenis que possui, incluindo o feminino, como o demonstra igualmente a presença amanhã de manhã, no campo do Cerveira, para um jogo de Iniciados Feminino.
Ele próprio já passou por todos os escalões do seu clube, e, "nos últimos sete anos acompanho todos os escalões", levando-o a afirmar com segurança que o Âncora-Praia já necessitava de mais infra-estruturas desportivas "em consonância com a história do clube" e pela quantidade de equipas jovens que possui.
Considerou o jogo de Benjamins mais uma oportunidade de convívio jovem "entre miúdos do concelho e que se conhecem", definindo este jogo com 25' para cada parte, como "uma brincadeira para que ganhem gosto pelo futebol" porque o jogo a sério é para idades mais avançadas.
Sem aspirações prementes no que à conquista de títulos se refere, o Âncora-Praia também não os desdenha, apontando, por isso, duas vitórias em femininos, no ano passado, em torneios de Braga.
"Estamos um bocado limitados" em infra-estruturas
Nuno Pereira destaca a estabilidade competitiva de todos os escalões jovens (cerca de 200 atletas), mas aponta ainda alguns problemas financeiros provenientes do passado, mas "que se vão resolvendo dentro das possibilidades".
Insiste na necessidade de serem criados mais equipamentos desportivos, nomeadamente a nível de balneários que "se encontram um pouco antiquados e deixando algo a desejar, comparando com a realidade de outros campos do concelho", como é o caso do Lanhelas. Assim, precisam de mais um campo de jogos.
Aponta ainda uma dificuldade acrescida com os escalões femininos, no que aos balneários de refere, porque no caso desta equipa de Benjamins, composta maioritariamente por rapazes, existem duas atletas.
Mas as miúdas "são a nossa bandeira", disse-nos com orgulho nesta posta ganha.
Íris é um esteio defensivo numa equipa masculina
É o caso de Íris Pereira, natural de Vila Praia de Âncora, estudante do 5º ano da Escola do Vale do Âncora, proveniente da equipa de Futsal, mas queria continuar a jogar futebol e a única forma de o conseguir foi integrar-se nos Benjamins Masculinos.
E fê-lo da melhor forma, conforme pudemos apreciar neste jogo contra o Lanhelas, porque era um verdadeiro esteio da defesa ancorense. Nenhum adversário passava por esta defesa ("porque é a posição de que mais gosto e é também a da minha irmã") e admite não haver diferenças entre rapazes e raparigas.
Como defesa que gosta de se assumir, encontra em Ferro a sua referência. Assim como garante que pretende continuar a jogar futebol à medida que for evoluindo nos escalões etários.
Tal é a sua paixão pelo futebol, e o seu valor, que amanhã, Domingo, pelas 11 horas, vai integrar o plantel Iniciado do Âncora-Praia Futebol Clube que se desloca ao campo do Cerveira.