Após vários dias de chuva intensa que enlameou os trilhos pelos quais decorreu no dia de hoje o Todo o Terreno que o Grupo Motard de Vilar de Mouros organizou pela XVII vez, a manhã surgiu aprazível e os motoqueiros agradeceram: os trajectos estavam duros e enlameados e a ausência de chuva é sempre um factor agradável.
Joaquim Oliveira, presidente da direcção do Grupo Motard há 16 anos (com apenas uma interrupção de um mandato) coordenava as cinco dezenas de colaboradores que tornaram possível este "passeio" por diversas freguesias, com incidência especial na Serra d'Arga.
Ainda se estendia por uma dezena de metros a fila de inscrições junto ao grupo que controlava os participantes e lhes oferecia um vídeo da prova do ano passado e uma t-shirt alusiva ao evento deste mês de Novembro, e já os motoqueiros faziam rugir as suas máquinas (motos e moto-quatro), enquanto que a banca de fornecimento de mantimentos para a prova os convidava também a saborear um café com leite nesta manhã algo fria, e distribuía sandes e sumos.
"O nosso recorde foi de 513 participações", recordou o presidente do Grupo Motard, contente com o número crescente de motoqueiros que continuavam a chegar, aproximando-se dos 500, em que " seguramente 80% dos participantes são espanhóis, já nossos conhecidos, provenientes da Galiza, Leon, Astúrias e Madrid e outros pontos de Espanha, porque gostam muito desta zona e como o passeio é duro, eles apreciam-no".
Motoqueiros apreciam dureza das trialeiras
Tendo-lhe referido que alguns destes apaixonados pelos motores se manifestavam um pouco desagradados com a "leveza" do percurso do ano passado, Joaquim Oliveira admitiu essa situação, já corrigida nesta edição, porque "eles gostam mesmo de dureza e de suar a camisola e se retiramos esta rijeza eles já não vêm".
Por tal motivo, "eles vão andar muito pelas Argas", começando logo por Sopo e Covas, em terreno com muita pedra.
A logística é "complicada", admitiu, começando "desde muito cedo a preparar as trialeiras (trilhos), sempre inovadoras", obrigando a que "de um ano para o outro haja sempre uma ou duas novas, tornando-se numa surpresa". Em complemento, Joaquim Oliveira disse ao C@2000 que "um dos pilotos que anda muito bem demorou mais de uma hora a percorrer a trialeira", o que a leva a assegurar que "nem todos conseguirão fazê-la", vaticinou, porque "é preciso ter unhas".
Reforçou a dificuldade em preparar devidamente este passeio motorizado, ao relatar-nos que "há mais de um mês para cá é todos os dias, sábados e domingos, e com a chuva e frio é muito pior". Demonstrando as dificuldades enfrentadas para que tudo estivesse devidamente organizado e sinalizado, este vilarmourense disse-nos que "ainda ontem, na Serra d'Arga, os que lá foram passaram um frio enorme".
"Isto é uma alegria"
Apesar das dificuldades, "isto é uma alegria e até para a terra é bom, embora ao princípio estivessem receosos com isto", mas, hoje em dia, esse sentimento de desconfiança já não existe, assegura, e "estão à espera" desta prova.
Sempre necessários e importantes, os apoios resumem-se, contudo, "aos logísticos" da Camara Municipal que também assume os seguros de acidentes pessoais para os pilotos "o que já não é muito mal", admite.
O Grupo Motard de Vilar de Mouros vai proceder à eleição de novos corpos gerentes e Joaquim Oliveira não sabe se vai continuar, o que o impede de garantir desde já uma nova edição em 2020.
"Há anos em que não há uma única mulher"
De entre o grupo de colaboradores e de participantes neste passeio todo-terreno, surge a figura de uma mulher - coisa rara neste desporto -, como nos confirmou Patrícia Passos, residente em Sopo e que "ajudo no que posso", reconheceu no final do controle dos participantes e antes de subir à sua moto de marca KTM que "já tenho há alguns anos", completou, a fim de se integrar nesta festa dos motards, aproveitando também para auxiliar na distribuição do "reforço e almoço".
"Gosto muito de motos e é uma coisa que não tem explicação, é um sentimento inexplicável", e aos fins-de-semana, sempre que pode, vai passear pelos montes.
A exemplo do presidente do Grupo Motard, concordou que a trialeira era dura, mas o tempo tinha melhorado o que era bom para os participantes e que "tudo corra bem, é o que eu desejo".
Pronunciando-se sobre a escassez de mulheres neste tipo de eventos, admitiu que "isto é muito duro", o que as faz afastar-se de participar, embora lhe tenha correspondido inscrever duas motoqueiras, quando "há anos em que não há uma única mulher", recordou. Mas, "como estamos a evoluir", assegurou, espera que o número de participantes aumente em próximas edições.
Da sua parte, a certeza de chegar ao fim do percurso era grande, e "pelo menos ao jantar (cozido à portuguesa servido às 20 horas no CIRV) estarei lá", garantiu.
"É uma loucura"
André Lamas, de Viana do Castelo, veio até Vilar de Mouros pela primeira vez com alguns amigos a fim de "me divertir, porque dizem que isto é bravo e cá estamos para a dureza".
Praticante há cinco anos (os seus colgas já o fazem há mais tempo), não faz ideia porque razão é atraído para andar de mota, afirmando apenas que "é uma loucura" e aconselha a que todos "experimentem porque vão gostar", não duvida.
Frequentador assíduo, quando mais novo, do Festival de Vilar de Mouros, anota que "agora já não tenho idade para essas coisas", o que não se verifica com a prática das motos, ao dizer-nos que "no nosso grupo há pessoas de todas as idades, desde os 56 aos 21 anos".
"Não vale a pena fazer contas" à despesa que tem com esta prática. O importante é participar com a sua KTM, "a melhor marca que há".
"É um percurso duro"
A Galiza fornece habitualmente muitos adeptos desta modalidade a este TT de Vilar de Mouros, como é o caso de Gonzalo, de Gondomar, presente pela quarta vez com uma moto4, esperançado "em ter um dia bastante bom" porque previa um percurso duro, como lhe encanta, ao invés do sucedido no último ano, em que foi "um pouco leve". Contava "divertir-se", atendendo principalmente ao facto de o itinerário apresentado "ser duro", insistiu.
A aposta dele e seus colegas na moto4 já existe há muitos anos, "porque gostamos". A moto de duas rodas é um veículo "manejável", ao invés da moto4 em que "tens de estar mais atento e procurar os sítios mais apropriados para passar".