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Caminha

Augusto Porto reconduzido na presidência da Associação dos Profissionais de Pesca do Rio Minho e Mar para os próximos quatro anos

Augusto Porto afirmou durante a assembleia geral que o reelegeu como presidente da APPRMMar que "não há qualquer ecologista contra os pescadores".

Antes pelo contrário, os ambientalistas "têm colaborado connosco", na preservação dos sáveis, salmões e solhas e não se opõem à manutenção da pesca do meixão, referiu este pescador caminhense.

UE pretende acabar com pesca do meixão e enguia

Contudo, o presidente da associação de pescadores alerta para o facto de a União Europeia pretender acabar com a pesca do meixão e da enguia, uma actividade "fundamental" para os profissionais de pesca do rio Minho, vincou.

Após ter participado numa reunião nas Astúrias, a associação veio preocupada com o que lá foi dito sobre esta pesca. Referiu que o meixão apenas é pescado em Portugal, Espanha e França, mas enquanto que no rio Minho é permitido utilizar tela, nos outros dois países apenas o podem fazer com rapeta e arrastando por terra.

Segundo foi revelado nessa reunião, o desaparecimento da enguia prende-se com um vírus que se aloja numa bolsa deste peixe e que impede que chegue a adulto ao não conseguirem sair dos rios. O problema nessa bolsa leva as enguias a deslocarem-se à tona de água e acabam por ser comidas por aves e outras espécies.

Corvos depredadores

Contudo, os pescadores atribuem a escassez de enguias e solhas à proliferação de corvos (comem dois quilos de peixe por dia, disse-se), autênticos predadores das espécies alevins, conforme precisou Manuel Alexandre Silva, questionando o impedimento de estes pássaros serem abatidos a fim de diminuir a sua presença.

Afluentes do rio Minho com problemas

Perante uma assistência composta por pescadores, o tema central teria de ser o seu meio de subsistência, sendo abordados muitos mais assuntos relacionados com a pesca.

Augusto Porto assinalou que um dos principais problemas do rio Minho se prendia com os seus afluentes abaixo das barragens, onde se encontram as espécies alevins, devido à utilização de pesticidas, dando como um bom exemplo de preservação das águas, a decisão da Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho ao impedir a utilização de herbicidas na limpeza pública. Referiu ainda a vontade de dotar as barragens com passagens para que os peixes as ultrapassem, o que já acontece onde elas já foram instaladas. Augusto Porto informou também os seus camaradas da existência de trabalhos conjuntos das universidades de Portugal e Espanha.

Intervenções significativas na barra a estuários são difíceis

A questão da dragagem na foz do rio Minho não mereceu optimismo da sua parte, porque "não temos um porto importante", o que não estimula os responsáveis pelos portos de Portugal. São obras de grande dimensão num rio internacional e difíceis de concretizar, recordou. No entanto, reconheceu que a ausência de grandes cheias impede que as águas "limpem as areias".

Este dirigente associativo deu conta aos sócios que irão desvincular-se do contrato existente com a associação de Esposende, porque a Junta de Freguesia de Caminha/Vilarelho se dispõe a fazer gratuitamente o trabalho burocrático.

2.000€ de investimento da associação

Esta reunião permitiu ainda a Augusto Porto dar a conhecer alguns dos melhoramentos levados a cabo pela associação. Apontou os 2.000€ investidos no cais da Rua, com a colocação de "uma protecção" para que os barcos deslizem na rampa, aquisição de uma máquina de lavar e de um carrinho. Pretendem melhorar o guincho existente no estaleiro do Quintas, "a fim de melhorar as nossas condições de pesca". Incluiu ainda a substituição do carrinho e arranjo do motor, bem como dos carris, tendo, entretanto, procedido já à limpeza do local, contando para o efeito com um apoio camarário no pagamento da electricidade e água. Frisou que face à inexistência de qualquer carpinteiro, serão os proprietários dos barcos a reparar, a ter de arcar com a contratação de um profissional na arte da madeira e com os respectivos custos.

Estaleiro do Quintas ampliado é sonho

Questionamo-lo sobre a possibilidade de vir a ser criado neste ponto, um local mais abrangente para reparação de embarcações, mas tudo está ainda nas mãos da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), porque o espaço encontra-se concessionado provisoriamente aos herdeiros do falecido carpinteiro José Quintas, os quais tinham permitido a utilização do antigo estaleiro pelos pescadores.

Guincho do Cais da Rua já funciona

Perante o impasse na definição da utilização do guincho colocado no Cais das Rua, Augusto Porto disse-nos que ele já funciona. Foi adquirido um carrinho, repisou, e há três pescadores que tiveram uma formação para manobrar o guinho, faltando somente que seja definido quem suportará as despesas com os respectivos seguros.

Mais de 70% dos barcos são sócios

Em termos do movimento de associados, este pescador deu relevo ao aumento de sócios (barcos) e à adesão de pescadores de Vila Praia de Âncora, havendo 55 sócios, "representando mais de 70% dos barcos que trabalham no rio Minho".

Anotou que os pescadores reconhecem que está a ser feito um esforço para beneficiar a sua arte, havendo uma melhoria "drástica em relação ao que existia há quatro anos", mercê do empenho da associação e das autarquias, esperando para breve um novo desassoreamento no acesso ao Cais da Rua.

Alertou, no entanto, para a necessidade de renovar a direcção em próximo acto eleitoral, porque "isto requer muito tempo" disponível.



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