"Estive metido neste mundinho das artes desde muito novo, sem qualquer interregno", assim justificou o pintor surrealista ancorense Mário Rebelo de Sousa (corrente artística assumida desde os 16 anos) as mais de 400 exposições individuais ou colectivas em que participou, incluindo a que se encontra patente no Centro Social e Cultural de Vila Praia de Âncora durante este mês e o de Dezembro.
Desenho e Pintura voltam a centrar as atenções desta mostra com mais de 30 trabalhos "referentes ao ano de 2019" num espaço que "eu adoro por ser muito aberto, com cantos e recantos, e que a nós (artistas) nos encanta", admitiu o artista obcecado - é a expressão - pelas mulheres.
Bebeu dos artistas mais consagrados (Dali, Picasso) até ter contactos em Lisboa (onde trabalhou e estudou) com os surrealistas portugueses, tendo como referência do seu imaginário a mulher "porque diz-me tudo", justificou, atendendo, reforçou, que "as mulheres, à minha volta, foram sempre o símbolo do bem-estar".
"Há respeito", completou, "nem há aqui coscuvilhices", disse a propósito destes "senti(mentos) que mais eram para ser "senti(mentes)", dado que, justificou, "nós somos um bocadinho conspurcados de ideias por haver falta de respeito".
"Escrever boas poesias, desenhando"
Explicou-nos a opção pelo tema desta mostra, resultado de "recortes de trabalhos de fotocópias que não servem para nada, em que algumas peças são aproveitadas para lhes dar outra vida ou movimento", conseguindo duas séries.
Reforçou, como em momentos anteriores, que "trabalho pelo gozo que me dá e pelo prazer de poder dizer às pessoas para que olhem e vejam e se compreendam dentro do trabalho", em que o nu e "a paixão do amor" se cruzam, permitindo "uma leitura desta arte poética no desenho" em que "as ponteiras, feltros, esferográficas, muita tinta da china, pastel" sobressaem, o que torna "agradável" esta exposição, admite o autor.